Combater o Golpe sem defender o governo
Durante a atual luta contra o governo golpista de Temer, precisamos rever e estudar as causas do Golpe, comparar essa com outras situações históricas da luta de classes, compreender os erros e acertos para reorganizar as forças, superando os limites das direções tradicionais para poder triunfar no futuro. Um dos ensinamentos está na tática em relação ao governo Dilma, ao PT e a CUT.Em agosto de 1917, fugindo da perseguição política do governo Kerenski, Lenin escreve uma carta a direção do seu partido sobre a mudança de tática em relação ao governo burguês, em virtude da ameaça de Golpe encabeçada por um dos Generais de Kerenski chamado Kornilov. Lenin acredita que a linha política correta é conformar uma frente única de combate com o governo Kerenski contra o Golpe de Estado contrarrevolucionário e apoiado pelo imperialismo na Rússia.
Lenin todavia chama a atenção que essa política não pode ser confundida com o apoio dos bolcheviques ao governo burguês, o que seria uma falta de princípios, uma capitulação dos bolcheviques ao oportunismo, como defendia Volodárski [1].
A frente única não significava abandonar as hostilidades do partido em relação a politica burguesa nem o combate ao governo provisório, seria modificar a forma do combate, fazendo "reivindicações parciais" ao governo Kerenski na luta contra o Golpe de Estado. Dentre essas reivindicações estão a prisão dos ministros favoráveis ao golpismo, o armamento do proletariado, a convocação das tropas, a dissolução da Duma, a entrega das terras dos latifundiários aos camponeses, o controle operário sobre o pão e as fábricas, etc., reivindicações que devem ser estendidas para entusiasmá-las ainda mais no curso da da luta contra Kornílov, o fechamento da imprensa golpista e empurrar nesta direção os centristas «de esquerda». Lenin destaca que é preciso "ter em conta o momento; não vamos derrubar Kerenski agora; nós agora abordamos de outra maneira a tarefa da luta contra ele, a saber: explicando ao povo (que luta contra Kornílov), a fraqueza e as hesitações de Kerenski. Também anteriormente fazíamos isto. Mas, agora isto tornou-se o principal: nisto consiste a mudança". Essa política principista de frente única foi um dos elementos centrais que conduziu o POSDR a conquistar a maioria dos delegados Conselhos Populares na Rússia de 1917, até então hegemonizados pelos mencheviques.
































