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domingo, 14 de agosto de 2016

OLIMPÍADAS DO RIO 2016

Os jogos e a voracidade imperialista
Despejos, higienização, tubo de ensaio da repressão golpista e Guerra fria

As Olimpíadas são mais uma tradição inventada pela burguesia recorrendo a antiguidade clássica greco-romana.

Na Grécia antiga, os festivais sacro-esportivos, realizados de quatro em quatro anos, no santuário de Olímpia em homenagem a Zeus, ainda que bem mais sadios que os jogos modernos, já eram eventos controlados pelos escravocratas. Marcadamente aristocráticos daqueles jogos não podiam participar escravos, estrangeiros (os "bárbaros", segundo a mitologia grega) e as mulheres. (Jogos Olímpicos da Antiguidade).

Nos jogos atuais, as mulheres e os escravos modernos e até os “refugiados” – vítimas das invasões militares, guerras e golpes de Estado imperialistas, como ocorre hoje no Haiti, Síria, Ucrânia – também participam. Além disso, ao contrário da regra que valia na cidade de Esparta, depois das olimpíadas ocorrerão as Paraolimpíadas (7 e 18 de setembro de 2016). Mas todos são controlados e funcionais às grandes corporações. Basta conferir a lista dos patrocinadores oficiais do Comitê Olímpico Internacional, COI: Coca-Cola, Atos, Bridgestone, Dow Chemical Company, General Electric, McDonald's, Omega SA, Panasonic, Procter & Gamble, Samsung, Toyota, Visa Inc., (IOC). Afora todos os demais setores do grande capital, bancos, grandes empreiteiras, mídia, etc. que fazem um festival de marketing e super-lucros do mega-evento mundial em nome do “espírito olímpico”.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

NEOATEISMO E ISLAMOFOBIA

Islamofobia no Brasil e ateísmo pró-imperialista

O governo golpista de Temer-Meireles-Serra-Moraes aproveita agora das olimpíadas para aumentar os mecanismos da repressão e coação contra o conjunto da população trabalhadora. De acordo com os interesses golpistas, essa manobra é fundamental para estabelecer no Brasil um regime contrarrevolucionário que possibilite a ampliação do terror de Estado policial e militar suficiente para executar o programa golpista: privatização da Petrobrás, liquidação do SUS e da educação públicas, aposentadoria aos 70 anos, jornada de trabalho de 80h semanais, etc. Para isso, estão usando o megaevento centrado no Rio de Janeiro, onde os bairros proletários já estão sob ocupação militar através das UPPs, como tubo de ensaio. Um dos ingredientes desta ofensiva está na justificativa para criar artificialmente uma onda islamofóbica no Brasil. Para isso, providenciaram a prisão arbitrária e espetaculosa de vários proletários identificados como “possíveis terroristas” e assim, surfando retardatariamente da “guerra ao terror” imperialista, criam uma histeria com o apoio do bombardeio da mídia venal (Globo, Veja e assemelhados). A islamofobia tem provocado o aumento da xenofobia, do racismo e das agressões contra a comunidade islâmica no Brasil e aos imigrantes e refugiados em geral. Tudo isso, com a ajuda inestimável prestada pelo covarde governo golpeado do PT que aprovou a legislação antiterror contra toda resistência popular a ofensiva patronal e imperialista.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

EUA - ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Escolhendo o Comandante em Chefe,
que vai dirigir o imperialismo na III Guerra Mundial
Ana Souza, do Socialist Workers League dos EUA

Pela luta dos trabalhadores, oprimidos e imigrantes, o Comitê de Ligação da Quarta Internacional, CLQI, apresenta sua nova seção, a Socialist Workers League, nascida no coração do monstro imperialista norte-americano. A SWL nasce em meio a prova de fogo da nova guerra fria. O proletariado dos EUA, multirracial desde suas origens, precisa assumir seu papel histórico na luta contra o imperialismo, consciente que o triunfo da luta contra sua própria burguesia liberará a si mesmo e ao proletariado mundial.

Prometendo desfazer-se do legado de George Bush Junior, Obama foi eleito surfando em uma onda de otimismo. Mas o seu "Sim, nós podemos" deixou à classe trabalhadora e os oprimidos a decepção do "O que fizemos?". Ao longo desses sofridos oito anos, Obama tem cinicamente implementado a agenda imperialista dando continuidade ao legado de terror de Bush no Oriente Médio, traindo as esperanças da classe trabalhadora e dos oprimidos, ampliando políticas que só aprofundaram a miséria dos trabalhadores após a depressão capitalista de 2008, estendendo a influência dos EUA ainda mais na Ásia, África, e agrupando aliados europeus ocidentais no cerco imperialista na fronteira russa, pavimentando o caminho de uma nova guerra.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

ACUERDO EUA-VIETNAM

Se estrecha el cerco imperialista en el Pacifico
Leon Carlos, Tendencia Militante Bolchevique, Argentina
Do original no blog da TMB

La vuelta de negociaciones militares para venta de armas de EUA a Vietnam forma parte de una maniobra para aislar al núcleo euroasiático como el caso de Cuba, aprovechando que Vietnam ya pacto con el Imperialismo el inicio de la restauración capitalista ya en el acuerdo de fin de la guerra. El fin del embargo de armas para Vietnam presentada como medida generosa de la Casa Blanca en realidad beneficia al Complejo Militar Industrial estadounidense.

Por lo que se ve el interés de EUA es hacer un cordón de seguridad contra China. Para eso entre otras cuestiones, necesita desplazar a Rusia en su rol de proveedora de armas a Vietnam. Para así garantizar que Vietnam se encuadre en su cordón de seguridad estratégico que el propio imperialismo está haciendo sobre China. En el caso de Vietnam el propio imperialismo agita también oposiciones comunes frente a China la cuestión cada vez más caliente de las disputas territoriales en el mar de la China Meridional.

sábado, 4 de julho de 2015

CUBA - USA

The new US-Cuba agreement and
the struggle in defence of the workers’ state

LCFI, Coletivo Lenin and Tendência Revolucionária

Em Português - 28/12/2014

After 18 months of secret talks between the US and Cuba, mediated by Canada and Pope Francis, the two countries held the first gestures of rapprochement in half a century with the release of prisoners that both countries kept from the other. But ending the economic, commercial and financial blockade imposed by the United States on Cuba depends on the US Congress, which must vote on the end of the Torricelli and Helms-Burton laws. However, those who defend the blockade are the majority of both houses of Congress.

domingo, 26 de abril de 2015

NOVA GUERRA FRIA

Império contra ataca, aproxima-se de Cuba
cria mega Acordo Transpacífico
Leon Carlos – Tendencia Militante Bolchevique,
seção argentina do Comitê de Ligação pela IV Internacional

Confirmadas nossas teses, publicadas no Folha do Trabalhador 22, de que a “aproximação” dos EUA com Cuba, tem como fim a reconstrução de um pretenso “panamercanismo” por parte do imperialismo, como uma tentativa par isolar o bloco composto por China, Rússia e Irã no continente americano.

De acordo com a Forbes, a principal revista de negócios e economia dos EUA: “Obama está usando Cuba para combate a crescente influência da Rússia, Irã, e da China na América Latina” (16/04/2015).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

LUTA CONTRA RACISMO E CAPITALISMO

50 anos do assassinato de Malcolm X
Comitê Paritário
Ele nasceu Malcolm Little, em 19 de maio de 1925. O seu pai era militante da UNIA (Associação Universal pelo Progresso dos Negros).

A UNIA foi criada por Marcus Garvey, num período de desespero para os negros estadunidenses. Depois da Guerra Civil americana, que aboliu a escravidão, houve um período de Reconstrução. Durante esse período, os negros acreditaram que finalmente chegaria a igualdade, somente para terem as suas esperanças destruídas quando o governo federal abandonou o Sul dos EUA nas mãos dos racistas, que restabeleceram várias leis segregando brancos e negros (as leis Jim Crow, que numa tradução livre seria Zeca Urubu). Tudo isso foi garantido pela violência da Ku Klux Klan. Nas primeiras décadas do século XX, aconteceu um auge de linchamentos de negros.

Diante dessa situação, Marcus Garvey não acreditava na possibilidade da integração dos negros à sociedade americana, e defendia a volta à África. Os negros mais conscientes aderiram à UNIA porque viam nela a única alternativa ao racismo e à brutalidade.

O pai de Malcolm foi morto por racistas quando ele tinha seis anos. A partir daí, a sua família se desintegrou. A sua mãe começou a desenvolver problemas mentais, e acabou sendo internada em 1938, por uma mistura de preocupação real com as suas condições psicológicas e de simples intenção racista de deixá-la num depósito de gente. Os irmãos tiveram que se separar.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

SYRIA - SOCIALIST FIGHT MOTION

Socialist Fight Motion On Syria

November’s annual conference of the Labour Representation Committee, to which Socialist Fight is affiliated, is fast approaching. We publish below the second of two conference motions being supported by Socialist Fight.

Negotiations with Russia and Iran disarm Syria of its chemical weapons and Iran from developing nuclear weapons and so prepare for a future attack against weaker enemies. They have been forced into a partial retreat because of:

1. The loss of the HoC vote on 29 August.
2. The likely defeat of Obama by Congress.
Public opinion did not buy the obvious lie that the ‘war on terror’ must defeat Al-Qaeda but Assad had to go by arming Al-Qaeda. The Sarin gas atrocity came at an obviously convenient moment.
Western Imperialism’s war aims in Syria are:
1. Increase its rate of profit by more direct economic control.
2. Defeat Hezbollah to protect its client Israel.
3. Prepare for a joint attack on Iran with Israel.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

SÍRIA DECLARAÇÃO DO CLQI

Pela vitória militar da Síria
contra qualquer ataque imperialista!
Declaração do Comitê de Ligação pela IV Internacional (CLQI) em defesa incondicional da Síria contra o imperialismo: Tirem as mãos da Síria!
O CLQI é composto pela Liga Comunista (Brasil), pelo Socialist Fight (Inglaterra) e pela Tendencia Militante Bolchevique (Argentina)
28 de agosto de 2013

Nos opomos incondicionalmente ao ataque imperialista contra a Síria e lutamos por sua derrota. A tarefa fundamental deste momento para todos os verdadeiros socialistas e anti-imperialistas é defender a soberania nacional da Síria contra este ataque imperialista. Ofensiva que é lançada com apoio de Israel e de outros aliados dos EUA na guerra contra Damasco, como o “Exército Livre Sírio” (FSA) e os vários grupos “rebeldes”, Al Qaeda, Frente Al-Nusra, etc. Não há socialistas revolucionários e anti-imperialistas combatendo Assad na Síria hoje. Falar disso é fantasiar sobre um suposto exército revolucionário fantasma diante da óbvia realidade do que está em jogo nessa guerra.

SYRIA STATEMENT LCFI

For Syria's military victory
against any imperialist attack!
International Statement by those unconditionally 
opposed to this Imperialist attack: Hands off Syria!
Liaison Committee for the Fourth International - LCFI
28 August 2013

We oppose unconditionally the imperialist attack on Syria and are for its defeat. The fundamental task of the hour for all serious socialists and anti-Imperialists internationally is to defend the national sovereignty of Syria against this Imperialist attack which is launched with Zionist assistance (a big Israeli military delegation is in Washington right now discussing with Susan Rice) in order to assist their allies, the Free Syrian Army and the various al Qaeda rebels of the Al-Nusra Front etc. There are no revolutionary socialists or anti-Imperialists fighting Assad in Syria, talk of what might have been is to support a phantom revolutionary army in the face of the very obvious reality of this Imperialist war of aggression.

We have every reason to suspect that Sarin and mustard gas (the same as used by the U.S. in Vietnam) which killed hundreds of people was more the work of imperialist terrorism in the region. Obama and the imperialist mass media are seeking to ascribe the blame to the Syrian government and are using this to justify the attack. And the same pro-imperialist forces, this time the KLA, fabricated a bogus tale of the Račak Massacre in Kosovo in 1999 (all the dead were KLA fighters) [1] to justify the bombing of Yugoslavia, just exactly as they are probably doing now with their Sarin gas “red line” and the Weapons of Mass Destruction lies used to justify invading Iraq in 2003 and the Gulf of Tonkin incident in 1964 used to justify the war in Vietnam. [2] It is also reminiscent of the Gleiwitz incident a staged attack by Nazi forces posing as Poles on 31 August 1939, against the German radio station Sender Gleiwitz in Gleiwitz, Upper Silesia, Germany (since 1945: Gliwice, Poland) on the eve of World War II in Europe. This was used to justify the invasion of Poland in 1939. [3] 

sábado, 15 de setembro de 2012

PROTESTOS ANTI-EUA NA ÁFRICA, ORIENTE MÉDIO E ÁSIA

Agora sim, começou a verdadeira primavera, a antiimperialista, no mundo árabe e muçulmano!

Em mais de 15 países, por três continentes, manifestações de massas tomam embaixadas e multinacionais, invadem e destroem representações diplomáticas, atacam tropas de ocupação e queimam bandeiras dos EUA, Alemanha, Inglaterra e de Israel.

Na Tunísia, o chamado berço da tão reverenciada “primavera árabe”, centenas de manifestantes atacaram com bombas e ocuparam o complexo da Embaixada dos EUA em Tunis e uma escola dos EUA foi saqueada (neste caso, os expropriadores são expropriados) pela multidão.

sábado, 10 de setembro de 2011

ESPECIAL 11/09/2001-2011 - 1/3

O significado dos ataques aos EUA, os dez anos da nova cruzada imperial e a luta antiimperialista hoje
dO Bolchevique #6

Transcorrida uma década dos atentados do 11 de setembro, toda a mídia mundial trata de dar um destaque especial aos acontecimentos. Fizemos o nosso balanço dos mesmos na contramão da opinião pública fabricada nas grandes redes de notícias burguesas, acreditando que o marxismo revolucionário tem muito mais a dizer sobre este episódio que abriu o século XXI.

O 11/09 COMO EXPRESSÃO DA REAÇÃO DOS OPRIMIDOS APÓS DUAS DÉCADAS DE OFENSIVAS HISTÓRICAS DO IMPERIALISMO

Nas duas últimas décadas do século passado as potencias imperialistas EUA, com Reagan, e Grã Bretanha, com Tatcher, tomaram a iniciativa de desatar uma nova ofensiva anti-operária mundial. Esta ofensiva combinou duros ataques ao próprio proletariado1, com o incremento da corrida armamentista contra a URSS através da Guerra no Afeganistão2 e um massivo bombardeio ideológico anticomunista com a política de reação democrática. Toda esta escalada logrou um enorme salto de qualidade com a contra-revolução na URSS e no Leste Europeu, uma derrota histórica para o proletariado e todos os povos oprimidos que alavancou a restauração do capitalismo naquelas nações e a privatização, precarização e aprofundamento da pilhagem nas demais nações do globo.

sábado, 6 de agosto de 2011

EUA, O INIMIGO PRINCIPAL ESTÁ EM CASA! 1/3

Obama desfere o mais brutal ataque à população trabalhadora dos EUA em toda a história
dO Bolchevique #6

Protesto contra os cortes dos gastos sociais:
"TIRE AS MÃOS DO MEU SEGURO SOCIAL,
MEDICARE (assistência de saúde para pobres e deficientes) MEDICAID (assistência aos idosos)!
Os EUA acabam de ampliar sua capacidade de seguir alimentando com trilhões de dólares a máquina de guerra imperialista e ao grande capital ianque de conjunto. Os custos desta operação serão pagos inicialmente com o incremento da miséria social no país. A administração do democrata negro Obama entrará para a história como a que desferiu o maior ataque contra o proletariado dos EUA, ameaçando todas as reformas sociais conquistadas no século XX.

domingo, 15 de maio de 2011

DA “OPERAÇÃO AJAX” À “ODISSEIA DO AMANHECER”

O ‘know how’ golpista de 1953, turbinado em 2011
dO Bolchevique #4

A "Operação Ajax" da CIA, foi a precussora dos
golpes de Estado com fachada de "insurreição popular". 
Tal como na Líbia e nas ruas da Síria hoje, em 1953, a
CIA arregimentou milhares de manifestantes para
camuflar seu plano, realizando confraternizações
populares com militares golpistas, enterros
de mártires, protestos de massa...
Cartaz made in CIA "Freedom" para a Libia sob a
bandeira da reinstauração da monarquia fantoche
do imperialismo
Em março de 2000, a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, admitiu que a administração Eisenhower organizou um golpe contra o regime no Irã em 1953, a chamada “Operação Ajax”, e que este acontecimento histórico explica a hostilidade atual dos iranianos contra os Estados Unidos. Nove anos depois, discursando na Universidade do Cairo, Obama apela para a reconciliação da África e Oriente Médio com os EUA. Para desarmar uma plateia desconfiada, induzindo-a à ideia de que a Casa Branca estaria “sob nova direção”, o mandatário ianque reconheceu que “na Guerra Fria, os Estados Unidos desempenharam um papel na derrubada de um governo iraniano democraticamente eleito” (Discurso do Obama no Cairo, Folha Online, 05/06/2009). Logo após a desocupação da Pérsia pela Inglaterra, Eisenhower orquestrou através da Agência Central de Inteligência, a CIA, recém criada (1947), e do serviço secreto britânico, o MI6, um golpe de Estado no Irã aliando-se ao Xá (monarca persa) Mohammad Reza Pahlevi quando o governo do primeiro-ministro Mohammad Mossadegh nacionalizou os recursos petrolíferos do país.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

DECLARAÇÃO LC-SF-RMG SOBRE LÍBIA


A Liga Comunista, juntamente com o Socialist Fight (SF, Luta Socialista em português) da Grã Bretanha, e o Revolutionary Marxist Group (RMG, Grupo Marxista Revolucionário) da África do Sul, convergiram no mês de abril em assinar uma declaração conjunta contra a intervenção na Líbia por agentes internos e externos do imperialismo e em defesa de um programa trotskista revolucionário.

O SF é um grupo de camaradas trabalhadores cujo principal dirigente militou no WRP de Gerry Healy entre 1976 e 1985 (ano em que implodiu o WRP, até então uma das maiores organizações a se reivindicar trotskistas no continente europeu). O SF teve uma curta aproximação com o CoReP (Coletivo Revolução Permanente encabeçado pelo Grupo Bolchevique da França, tendência internacional conformada por uma das frações da corrente criada por Stéphane Just após sua ruptura com o lambertismo na década de 1980), mas se afastou desta corrente internacional devido às diferenças sobre a questão líbia.

O SF tem como órgão de divulgação um jornal de mesmo nome. Como pode se identificar na declaração, o SF combate a capitulação dos revisionistas ao imperialismo e ao nacionalismo burguês que marcou a trajetória do healysmo. Além do combate pelas posições principistas contidas no documento que apresentamos aos trabalhadores e a sua vanguarda internacionalista, recentemente os camaradas de SF estiveram profundamente envolvidos em seu país na luta contra os cortes nos serviços públicos realizado pelo governo conservador de David Cameron.

O RMG é um agrupamento de organizações da África do Sul, que estão em um processo de fusão iniciado através do Bolshevik Forum (Fórum Bolchevique) e entre os Bolshevik Study Circles (Círculos de Estudos Bolcheviques) e dos Coletivos Workers Government e Labour Left (CWG, Coletivo Governo Operário e LLC, Coletivo dos Trabalhadores de Esquerda). Os grupos e indivíduos envolvidos no Fórum Bolchevique vêm de diversas origens, mas a maioria compartilha uma experiência comum na Workers Internationalist League of South Africa (WILSA - Liga Internacionalista dos Trabalhadores da África do Sul). A WILSA foi uma tentativa de construir uma organização revolucionária internacionalista trotskista na África do Sul nos anos 1970 e 1980. Em condições difíceis, um significativo grupo surgiu com forte implantação no movimento de massas, incluindo os sindicatos, organizações estudantis e estruturas da comunidade local. No entanto, com a integração do Congresso Nacional Africano ao regime segregacionista burguês sul africano na década de 1990, um setor da direção do WILSA capitulou ao CNA e às expectativas criadas pelo governo Mandela em 1994. Isto levou a ruptura em diferentes ritmos de diversos membros desta organização.

Muitos ex-militantes se reagruparam em torno do CWG e do jornal Qina Msebenzi, ligando-se a princípio internacionalmente a Lennist-Trotskyist Tendency (LTT, conformada por uma ex-ruptura do healismo internacional que hoje é dirigida pelo Workers Action da Grã Bretanha). O CWG na época defendia a convocação de uma Assembleia Constituinte Democrática exigindo sua convocação pelos órgãos de luta contra o regime de transição pactuada com o apartheid. Também fez campanha pela construção de um Partido Operário baseado na ruptura sindical dos trabalhadores com o burguês CNA e seu aliado stalinista, o Partido Comunista Sul Africano. O RMG declara que apesar das dificuldades de construção nas condições da África do Sul, considera ser imprescindível impulsionar uma corrente bolchevique para continuar a luta por um partido da vanguarda revolucionária do proletariado como parte de uma internacional revolucionária, a Quarta Internacional.

Apesar das diferenças políticas e programáticas que a LC possui com o SF e com o RMG, consideramos extremamente progressiva a constituição da declaração abaixo a fim de apontar uma alternativa internacional do trotskismo principista e revolucionário diante da vergonhosa capitulação dos revionistas à atual ofensiva imperialista recolonizadora de Obama.

DECLARAÇÃO AOS TRABALHADORES DO MUNDO E À SUA VANGUARDA INTERNACIONALISTA

Em defesa incondicional da Líbia contra o imperialismo!
Frente Única Militar com Gadafi para derrotar a OTAN e os “rebeldes” armados pela CIA!
Nenhuma confiança no governo de Trípoli! Somente pelo armamento de todo o povo e pela revolução permanente nós poderemos vencer esta luta!

A crise econômica mundial aumentou os apetites do imperialismo para superexplorar a classe trabalhadora e recolonizar as riquezas do planeta. Em nome de salvar os capitalistas da crise especulativa, os governos burgueses de todo o mundo transferiram muito dinheiro dos cofres estatais para o grande capital privado. Agora, os governos burgueses buscam recapitalizar seus cofres. Para isto, impõem sobre a classe trabalhadora o pagamento da conta da orgia financeira, o qual é feito através do ajuste fiscal, do ataque aos salários, às conquistas trabalhistas e sindicais, à previdência social, etc. Isto também provocou aumento do custo de vida das massas e acentuou as disputas interimperialistas pela partilha das semicolônias.

Na Europa, da Grécia à Portugal, a resistência popular foi contida pelas direções partidárias e sindicais pró-imperialistas. Nos EUA (Winsconsin) as direções operárias ligadas ao Partido Democrata fizeram o mesmo. Na América Latina, até o momento, mas não por muito tempo, os governos da chamada “centro esquerda” vêm retardando e amortecendo o conflito social através do controle que exercem sobre as organizações de massa. Obama ordenou o início do bombardeio sobre a Líbia quando estava com Dilma Roussef, governo pró-imperialista no Brasil.

Agora, na África, as oposições burguesas liberais das ditaduras da Tunísia e do Egito realizaram acordos de transição democrática para estabilizar os países com novos governos fantoches dos EUA e Israel. Nós não consideramos estes processos como “revoluções árabes” ou “revoluções democráticas”. São levantes populares, expressões genuínas da indignação com os aumentos de preços e aumento da opressão causada pela crise imperialista que começou em 2008, mas o imperialismo procura desviar estas situações potencialmente revolucionárias para ampliar seu domínio na África e no Oriente Médio.

Se o imperialismo não consegue apropriar-se de forma “pacífica” do que quer, como através do fraudulento plebiscito que dividiu o Sudão, a ONU trata de ocupar o país e impor pela força militar suas igualmente fraudulentas eleições como ocorreu na Costa do Marfim. Tudo isto, com o apoio da União Africana e do governo do CNA na África do Sul.

Na Líbia, na Síria e no Irã, o imperialismo busca realizar golpes de Estado com camuflagem “democrática”, aproveitando-se das “insurreições populares” nos países vizinhos. No Irã, os EUA e Israel buscam reeditar a reacionária “revolução verde”. Na Síria, o imperialismo ianque e seu enclave sionista tratam de criar o mesmo cenário de guerra civil fabricado contra a Líbia para justificar outra intervenção militar estrangeira. Na Líbia, o imperialismo realizou um salto de qualidade em sua intervenção. Não apenas pelo que fez depois de iniciado o processo “rebelde”, mas pelo que preparou antes dele. A “revolta” na Líbia não é qualquer tipo de revolução, mas uma contrarrevolução, com uma direção imperialista apoiada e patrocinada pela CIA. É a continuação de uma série de tentativas de restaurar a monarquia e os privilégios tribais em favor dos EUA e da União Europeia, que começaram logo após Gadafi assumir o poder, em 1969, e continuaram esporadicamente desde então. Não por acaso, a bandeira dos “rebeldes” é a bandeira da monarquia imposta pelo imperialismo, do fantoche Rei Idris (1951-1969).

Os rebeldes da Líbia são agentes da CIA desde o princípio, como foram os golpistas anti-Chavez em 2002 na Venezuela. O imperialismo, tendo à frente os EUA e a França, quer balcanizar a Líbia, assim como fez na Iugoslávia, ou dominá-la de conjunto, como no Afeganistão e no Iraque. Pode ocorrer também o que vimos na Bolívia, onde Evo Morales capitulou a uma nova partilha da exploração do gás em favor dos golpistas pró-imperialistas do Leste do país.

Os que patrocinam a noção ingênua de que o que ocorre na Líbia é uma revolução de "massas", como uma continuidade das revoltas na Tunísia e no Egito, esquecem que as massas foram enganadas para apoiar a queda do Muro de Berlim, a Revolução de Veludo (Checoslováquia ), a Revolução Laranja, (Ucrânia) e todas as outras "revoluções" fabricadas pela CIA. Todos estes movimentos foram, na verdade, contrarrevoluções patrocinados pelo imperialismo.

Desde o início da nova escalada de ataques israelenses contra a Palestina, 20 palestinos foram mortos e 50 feridos, na pior ofensiva israelense na Faixa de Gaza dos últimos dois anos. É o ataque mais sangrento desde 2008, quando uma operação militar matou 1.400 palestinos. Somos a favor da destruição do Estado sionista de Israel e de um governo operário e camponês multiétnico, baseado em conselhos de trabalhadores urbanos e rurais.

Por 21 anos, o Partido Nacional Democrático (PND) de Hosni Mubarak no Egito, foi um membro da Segunda Internacional Socialista (IS), ao lado dos Partidos Trabalhistas da Grã-Bretanha, da Austrália e da Nova Zelândia. A Internacional Socialista só expulsou o PND de suas fileiras em janeiro de 2011, após as manifestações de massa que levaram à renúncia de Mubarak, mas não derrotaram o PND. Porém, fiel à sua longa história de defender o imperialismo britânico, o líder do Partido Trabalhista britânico, Ed Miliband, apoiou inequivocamente aos rebeldes de Bengasi e ao bombardeio da Líbia, com base na completamente hipócrita declaração que, "como internacionalistas, temos a responsabilidade e a oportunidade de ajudar na aplicação do direito internacional e salvar os inocentes deste massacre". Usando as tolas ameaças de Gadafi de que “não teria misericórdia, nem piedade", Miliband sancionou o ataque que está matando muito mais pessoas do que Gadafi poderia ter matado. Mas, como um "efeito não intencional” este ataque vai desviar os recursos do petróleo da Líbia para as mãos dos imperialistas ocidentais para que possam investir nos mercados de Wall Street e da City de Londres, retirando recursos das escolas, hospitais e da previdência social líbia e de outros países africanos.

Jim Murphy MP, conselheiro trabalhista do Secretário de Defesa britânico, deu uma sugestão que foi seguida pelo restante da esquerda reformista na Grã-Bretanha e a nível internacional: "A inércia tem prejudicado a causa da liberdade não apenas para as centenas de milhares de pessoas que se têm rebelado contra Gadafi na Líbia, mas em outros países onde as pessoas estão também a lutar por mudanças."

E para os que ainda têm dúvidas sobre as posições assassinas do imperialista Partido Trabalhista, Murphy escreve: "as nossas convicções devem estar com todas as forças britânicas ao redor do mundo, incluindo os mais de 10.000 britânicos no Afeganistão. Essa corajosa ação no espaço aéreo líbio e no Mediterrâneo deve receber todo o apoio que precisa, porque a sua coragem é o que permite a aplicação da resolução da ONU para proteger o povo líbio". Com naturalidade, ele se desmancha em elogios aos massacres “para salvar vidas” de civis e combatentes no Iraque e Afeganistão ou agora na Líbia.

A maior prova de que os “rebeldes” líbios não passam de carniceiros agentes do imperialismo é o fato de invocarem o bombardeio da OTAN contra o seu próprio povo, como fizeram os colaboracionistas em todos os momentos da luta de classes, desde Thiers na Comuna de Paris (1871) até o Líbano (2006). A cada dia que passa fica mais evidente que os agentes nativos do imperialismo são meros abre-alas para a intervenção multinacional no país. São racistas e xenófobos, inimigos da classe operária negra africana que trabalha na Líbia. Em nome da caçada aos “mercenários de Gadafi”, perseguem os negros para de fato desvalorizar ainda mais a força de trabalho no país, preparando-a para a superexploração da nova era de extrema rapina imperialista. Os “rebeldes” líbios são um bando burguês, de trânsfugas do regime Gadafi a serviço do grande capital internacional.

Os agrupamentos políticos que se reivindicam marxistas, que caracterizam os levantes populares desviados nos países árabes como “revoluções”, são demagogos, que adulam e entorpecem as massas em favor da estabilização de novos governos fantoches burgueses pró-imperialistas. Mas o pior é quando estes grupos, em nome do apoio às massas líbias e da luta pela democracia, se aliam à propaganda de guerra midiática imperialista mundial para camuflar este Golpe de Estado da CIA. Os que neste momento se negam a estabelecer uma frente única militar com Gadafi para derrotar externa e internamente os interesses do imperialismo, traem a luta antiimperialita mundial e a luta contra o Estado genocida de Israel que massacra os palestinos, em particular.

Denunciamos as principais correntes internacionais revisionistas que compartilham formalmente das seguintes posições:

1) caracterizam a existência de uma "revolução árabe" ou "revoluções democráticas" na África e no Oriente Médio;

2) Apoiam os "rebeldes" pró-imperialistas na Líbia

Neste perfil se incluem o Secretariado Unificado da Quarta Internacional (NPA – França, Enlace/PSOL - Brasil); LIT (PSTU - Brasil); UIT (Izquierda Socialista - Argentina); CMI (Socialist Appeal - Grã-Bretanha, Esquerda Marxista do PT - Brasil); CIO (Partido Socialista - Grã-Bretanha, LSR/PSOL - Brasil); IST (SWP - Grã-Bretanha); L5I (Workers Power - Grã-Bretanha); FT (PTS - Argentina, LER - Brasil); FLTI (LOI-DO - Argentina)

Foi a política anti-operária e neoliberal de Gadafi da última década que pavimentou o caminho desta ofensiva reacionária imperialista. Gadafi estabeleceu novos acordos com o imperialismo, destruindo as conquistas dos processos de nacionalização dos meios de produção e das riquezas energéticas pós-1969. Gadafi proibiu os sindicatos e as greves e realizou acordos racistas anti-imigrantes com Berlusconi, patrocinou a campanha eleitoral do fascistóide Sarkozy e privatizou e fez leilões com as riquezas energéticas da Líbia. Deste modo, o caudilho de Trípoli perdeu popularidade junto à população líbia e africana e alimentou o apetite de setores da burguesia nativa em negociar diretamente com o imperialismo, livrando-se do Clã Gadafi.

As massas não podem ter nenhuma confiança no anti-imperialismo de Gadafi. Por isto, reivindicamos o armamento de todo o povo líbio contra o imperialismo e a oposição reacionária. Reivindicamos a defesa incondicional da Líbia contra o imperialismo e seus agentes. Reivindicamos uma frente única militar com Gadafi contra a OTAN e os “rebeldes” monarquistas agentes da CIA. "Rebeldes" que são politicamente semelhantes aos legalistas pró-imperialista do norte da Irlanda, ao Partido da Liberdade Inkatha da África do Sul e os “Contras” da Nicarágua.

Esta foi a tática revolucionária de Lenin e Trotsky diante do levante de Kornilov, ex-general de Kerensky que tentou realizar um golpe de estado na Rússia em agosto de 1917. Os bolcheviques chamaram uma frente única militar e exigiram armas a Kerensky, ao mesmo tempo em que responsabilizaram Kerensky por pavimentar o caminho da reação, e preparam a revolução social. Do mesmo modo, responsabilizamos Gadafi pela reação golpista e impulsionamos as massas a combinar as tarefas da luta anti-imperialista com a luta democrática e socialista para avançar em direção ao estabelecimento de um governo operário e camponês onde o pan-arabismo de Gadafi parou e retrocedeu. A vitória sobre a ofensiva militar imperialista contrarrevolucionária daria um imenso impulso não apenas para que o proletariado líbio acerte as contas com o caudilho de Trípoli, como também impulsionaria a luta dos trabalhadores da Tunísia, Egito, Bahrein, Costa do Marfim, Palestina, Iraque e Afeganistão contra o imperialismo e os capitalistas nativos.

O primeiro passo neste sentido é a luta em nossos próprios países contra as burguesias imperialistas, da Grã Bretanha e semi-coloniais do Brasil e África do Sul. Defendemos a derrota de nossos próprios governos, aliados da recolonização imperialista do proletariado mundial. Defendemos o pleno direito das massas líbias a expropriarem as multinacionais britânicas, brasileiras e sul africanas e a todos os capitalistas na Líbia, em favor da nacionalização sem indenização e sob controle operário.

● Derrotar o imperialismo! Lutar pela soberania, unidade e independência da Líbia com os métodos da revolução permanente!
● Frente única militar com o exército líbio contra o pró-imperialista Conselho Nacional de Transição (CNT) e contra todos os grupos patrocinado pela CIA!
● Construir Comitês Revolucionários em todos os locais de trabalho, estudo e moradia contra a intervenção imperialista!
● Por uma Assembleia Constituinte com base nesses comitês revolucionários.
● Por um governo operário e camponês!
● Em defesa do direito de criação de sindicatos e do direito de greve!
● Não ao controle de imigração, igualdade de direitos e condições de trabalhadores para todos os imigrantes!
● Controle operário dos locais de trabalho e dos campos petrolíferos, subsídios aos alimentos e bens essenciais, salário mínimo vital, pleno emprego para todos; expropriação das empresas e capitais imperialistas!
● Por greves e ocupações para impedir o envio de tropas e munição para atacar a Líbia!
● Por uma Federação Socialista do Norte da África e Oriente Médio!

Declaração assinada por
SOCIALIST FIGHT - Grã Bretanha
REVOLUTIONARY MARXIST GROUP - África do Sul
LIGA COMUNISTA - Brasil
21 de abril de 2011

Socialist Fight
PO Box 59188, London, NW2 9LJ

Revolutionary Marxist Group

sábado, 26 de março de 2011

EUA

Brutal ataque aos direitos salariais e sindicais dos trabalhadores, Minuteman, Tea Party, recolonização
“democrática”... Obama choca o ovo da serpente

dO Bolchevique #3

Gráfico do valor das horas trabalhadas entre 2001 e 2010
mostra a desvalorização da força de trabalho na Europa e nos EUA
No Estado de Wisconsin, o governador republicano tomou uma medida brutal contra o funcionalismo público que, se não for derrotada, servirá de exemplo para que os capitalistas e seus governos estendam este ataque aos trabalhadores de todo o mundo.

O projeto de lei apresentado por Scott Walker: 1) liquida a negociação coletiva dos empregados públicos sobre a aposentadoria e outros benefícios sociais; 2) reduz a possibilidade de que haja aumentos salariais maiores que a inflação oficial, ou seja, anula a possibilidade de qualquer aumento real de salários, a menos que tal aumento seja aprovado em referendo pela maioria dos votantes; 3) autoriza que os trabalhadores deixem de pagar o imposto sindical e que a filiação aos sindicatos precise ser renovada anualmente; 4) estabelece que os empregados públicos realizem uma contribuição por seus planos de pensão e seguros de saúde.

Encabeçado pelo governador de Wisconsin e patrocinado por Obama, o arrocho fiscal que toma forma nos Estados Unidos faz parte do grande ajuste de contas tendo como justificativa a crise econômica que se abateu no país desde 2007. Justificativa sim, porque a grande burguesia planetária nunca esteve tão rica como agora.

Os lucros das empresas no ano passado foram os maiores da história do império desde quando começaram a ser registrados.

A burguesia trilionária causadora da crise foi presenteada com mais dinheiro estatal em forma de generosos pacotes de “salvação” e mais isenções de impostos enquanto a classe trabalhadora vem sendo sacrificada através de demissões em massa, quebra de contratos e estabilidade de trabalho, perda de direitos de previdência e sindicalização e mais uma série de medidas para desvalorizar a sua força de trabalho, aumentar a mais-valia e quebrar a sua resistência sindical organizada.

Obrigado a se pronunciar após duas semanas de completo silêncio, e pressionado pela opinião pública para agir de acordo com o que havia prometido durante sua campanha em 2007, quando garantiu “piquetear com os trabalhadores caso a estes fosse negado o direito de se organizar e negociar seus salários com o empregador através de sindicatos” (The Daily Caller, 28/02/11), Obama encenou uma crítica ao governo de Wisconsin ao afirmar que as medidas eram um ataque aos sindicatos. Porém, logo em seguida, fez uma outra declaração em sentido oposto, em apoio ao saque dos Estados, alegando saber que os governadores “...estão tendo que tomar decisões sobre as suas forças públicas de trabalho e sei o quanto difícil isso pode ser. Recentemente congelei os salários de empregados federais durante dois anos. Não era algo que queria fazer, mas o fiz por causa da difícil situação fiscal em que estamos. Acredito que todo mundo deve se preparar para sacrificar algo a fim de resolver nossos problemas económicos” (Chicago Tribune, 28/02/11). A grande falácia ecoada aos quatro cantos do país acerca da falência dos Estados membros dos EUA tem sido usada para confundir a classe trabalhadora do país sobre os reais motivos dos saques gigantescos e nunca vistos às conquistas e direitos dos trabalhadores públicos em todas as categorias.

Levado há dois anos à presidência da grandiosa máquina opressora mundial, o senador negro de Illinois leva a cabo a sua escalada ofensiva em uma verdadeira guerra contra a classe operária e seus direitos mais básicos, e contra os povos oprimidos do planeta, obrigados a pagar pela crise do capital.

Afoita para usar a crise econômica e financeira de 2007-2008, a burguesia dá inicio a um gigantesco plano de resgate de capital apostando em Obama para ser, por um lado, a pedra desviadora de atenção do tabuleiro na luta de classes, e por outro, o perfeito advogado do diabo que de uma maneira mais “refinada”, porém tão nociva quanto a de seus antecessores, prepara o terreno para um novo ataque imperialista.

Realizando, com uma roupagem “democrática”, uma ofensiva imperialista mais ampla que a de Bush, na Palestina, Afeganistão, Haiti, Honduras, Iraque, Irã, Coréia do Norte, Egito, Tunísia e Líbia, Obama visa a implementar em ritmos cada vez mais intensos o processo de recolonização engendrado pelos apetites vorazes do capital financeiro pós-crise econômica.

Mesmo antes de entrar para o gabinete presidencial, Obama começa a reaquecer a máquina dos superlucros burgueses ao assumir os compromissos de empresas como a Lehman Brothers, que ao declarar falência livrou-se de todos os seus débitos e compromissos trabalhistas, jogando os mesmos nas costas do Estado. Um exemplo ainda mais óbvio da sua necessidade de mostrar-se a altura do posto que assumiria, deu-se através do financiamento governamental de empresas como a GM no inicio de 2008, quando o dinheiro sangrado dos trabalhadores foi usado para tornar ainda mais robusta as contas bancárias dos seus acionistas através da injeção de liquidez bilionária patrocinada por Obama. A General Motors, que ameaçou falir se não cortasse empregos, salários e conquistas trabalhistas, festejou quase U$ 5 bilhões de lucros em 2010. Ao mesmo tempo em que garantia o livre acesso da burguesia ao dinheiro estatal, ainda em 2008, Obama assinava a lei “FISA Amendments Act of 2008”, dando ao Estado norte-americano total liberdade para vigiar, interceptar, buscar e aprisionar sem necessidade de esclarecimento prévio a qualquer indivíduo ou organização dentro e fora dos Estados Unidos que sobreponha os interesses e a segurança burguesa.

Com a popularidade estrategicamente baixa durante o período das eleições para o congresso norte americano, Obama garantia a manutenção de uma estratégia de revezamento muito conhecida dentro da política burguesa norte americana, em que tanto os democratas quanto os republicanos “comem” do dinheiro do Estado nas mesmas proporções. Assim, Obama perdia nas eleições passadas de novembro de 2010 o apoio do congresso então democrata, passando a cadeira para os republicanos. Porém, se analisarmos essa mudança de roupa do Congresso dentro da perspectiva da luta de classes, percebe-se que isto somente cria as circunstâncias ideais para que Obama possa não só continuar sua ofensiva contra a classe trabalhadora, mas sobretudo aperfeiçoá-la, usando a suposta pressão sofrida pelo congresso como pano de fundo.  Um nítido exemplo dessa medida “bipartidarista” foi a prorrogação da lei “Tax Cuts” criada no governo Reagan através da lei Tax Reform Act em 1986 e reativada no governo Bush. Cheio de munição e reenergizado um mês após as eleições, Obama toma a medida até então mais ousada do seu governo em favor da burguesia, estendendo por mais dois anos o corte de impostos que diretamente beneficia os milionários do país.  “A aprovação da lei (Tax Cuts) no Congresso foi a evidência mais dramática até então de que compromissos bipartidários estão inesperadamente ressuscitando semanas depois das eleições de novembro (The Independent, 18/12/10).” A classe trabalhadora não só dos Estados Unidos, mas de todas as suas semicolônias, é quem vêm pagando esse banquete que há séculos é oferecido às classes dominantes, que se tornaram mais poderosas desde a contrarrevolução nos Estados Operários da URSS e Leste Europeu.

DESNORTEADOS E COAGIDOS,
OS TRABALHADORES REAGEM PARA NÃO PAGAR A CONTA

Analisando a conjuntura norte americana, o curso dos acontecimentos revela uma escalada gigantesca rumo a fascistização do país.  Não por acaso, antes mesmo da saída de Bush, a grande vedete Sarah Palin entrava em cena, alimentando com seu sorriso, “porte atrativo” e linguagem típica do “Uncle Sam”, o americanismo em camadas da pequena burguesia e da classe trabalhadora. Pregando o credo dos interesses nacionais, a cativante – e muito bem paga – Palin, montava o cenário para o aparecimento do Tea Party. Como time preliminar dos republicanos, pago para pressionar o “commander and chief” norte-americano a acelerar sua ofensiva contra as massas, o Tea Party recebe milhões em doações “anônimas”.

Palin, “a abelha rainha, recebe de corporações como o canal de televisão Fox News nada menos que um milhão por ano” (The New York Magazine, Abril, 2010). Isso sem contar o seu programa de televisão “reality show” Alaska, o palco perfeito usado pela burguesia para a catequização do proletariado acerca dos interesses “nacionais”, como minimização do Estado, xenofobia contra dos imigrantes, discriminação racial, privatizações, etc.

A estratégia é jogar setores da classe trabalhadora uns contra os outros através de um trabalho diário de propaganda. Assim, os trabalhadores norte-americanos, desarmados de qualquer instrumento que os leve ao desenvolvimento da consciência e à compreensão de que esta luta deve ser travada entre classes, se autoflagela e não avança.

O desmantelamento das organizações trabalhistas dentro dos Estados Unidos se intensifica de maneira brutal nessa década, mas esse não é um processo novo. Muito bem articulada, a transferência de empresas durante o período de quebra da indústria norte americana, intensificada pelo neocolonialismo das décadas de 70 a 90, foi um dos motores dessa mudança. Esse processo, fruto da colaboração de classes entre os sindicatos da época e os patrões, desarmou as massas, atrasando em décadas sua organização e abrindo caminhos para significativas perdas de conquistas para a classe trabalhadora. “Já na década de 70, o crescimento do desemprego, da competição internacional e o movimento da indústria contra a sindicalização diminuíram a posição e o poder de barganha de muitos sindicatos americanos, deixando-os vulneráveis a uma ofensiva de controle renovado” (Economic History Association, 01/02/10). Esses desdobramentos meticulosamente preparados pelo imperialismo ianque para intensificar a pilhagem da mão de obra nos Estados Unidos garantiram à burguesia um maior poder de manipulação e opressão sobre as massas.

Um dos exemplos mais nítidos da capitulação e rendição completa dos sindicatos aos interesses do empresariado se vê hoje em Nova Iorque. Numa corrida ao ajuste fiscal pós-crise econômica da casa própria, o multibilionário Bloomberg, num inédito terceiro mandato, presenteia a sua corja de cúmplices “decidindo colocar todo o grosso da crise criada pelos seus queridos amigos bilionários do Wall Street completamente nas costas da classe trabalhadora e das camadas mais pobres da população” (World Socialist, 19/11/10).

Em meados de 2010, Bloomberg anunciava aos quatro cantos a possível falência da cidade de Nova Iorque e a necessidade de um ajuste de U$1,6 bilhões de dólares. O mais interessante é que já no final do ano, “o contador do estado de Nova Iorque Thomas DiNapoli anunciava uma projeção em que Wall Street estava no ranque de conseguir pelo menos U$19 bilhões em lucro, sendo este o quarto melhor ano já visto por eles, e que o famoso bônus anual dado aos executivos e traders iria possivelmente alcançar um novo recorde” (ABC News, 18/11/10).

Num claro ataque aos trabalhadores nova-iorquinos, em que promove o sucateamento e dos serviços públicos, o prefeito anuncia um corte drástico em setores da educação, cultura, limpeza, e transporte público, prejudicando creches, asilos, bibliotecas, instituições culturais, etc. A primeira punhalada aconteceu há poucos dias quando o multibilionário divulgou na mídia burguesa uma lista de demissões de mais de quatro mil professores até junho, caso o sindicato dos professores não aceitasse quebrar o contrato que garante segurança por tempo de trabalho aos professores que estão no sistema por mais de quatro anos. A Federação de Professores Unificados (UFT), numa covarde cooptação ao governo, se nega a seguir o exemplo dos professores de Wisconsin e chamar a categoria para uma paralisação. A orientação do sindicato é para que os professores entrem em contato com os deputados ou senadores novaiorquinos para pressioná-los a ir contra Bloomberg. Tamanha peleguisse pró campanha eleitoral de 2012, não só deixa a categoria isolada e amedrontada, mas sobretudo deixa claro o que o sindicalismo se conduz a um beco sem saída rumo a sua própria liquidação.

Um ataque de proporções monstruosas vem sendo lançado também contra a população imigrante dos Estados Unidos. A recessão da indústria norte-americana intensificada nas décadas de 70 e 80, deixou regiões inteiras da América do Norte completamente ociosas. Através da exploração de novos mercados no país, – como a construção civil e o entretenimento – apresentados à desiludida classe operária como mais uma possibilidade do sonho americano, a burguesia encontrou o “New Deal”. O sonho da casa própria, através de fantásticos financiamentos bancários patrocinados pela burguesia e seus comparsas políticos encantou o país. No pacote também se encontrava a transformação de cidades como Nova Iorque, Las Vegas, Los Angeles e Miami em verdadeiros parques de diversão para adultos. Comprando a idéia vendida pelos burgueses de que tudo era financiável, a classe trabalhadora vivia então a fantasia do poder de compra.

Os supostos “tempos áureos” atraíram milhões de imigrantes do mundo inteiro. Como mão de obra barata, os imigrantes, em sua grande maioria de origem latina, passavam a liderar o trabalho da prestação de serviços manuais, domésticos e de sub-entretenimento. De repente, a classe trabalhadora despossuída de bens se via na condição de não só realizar o sonho da casa própria, mas também manter um padrão de vida pequeno-burguês. Porém, quando realidade e fantasia começam a se separar e as massas, completamente endividadas, percebem que os “bons tempos” de fato nunca existiram, a burguesia mais uma vez usa de suas artimanhas e joga a população contra a sua parte mais pobre, os imigrantes, que passam de explorados a vilões.

MINUTEMAN – A NOVA KU KLUX KLAN

O ataque aos imigrantes é realizado da forma mais brutal pelo fascista Minuteman, milícia da extrema direita fundada por Jim Gilchrist – um dos cães de guerra dos Estados Unidos durante a guerra do Vietnã – que  sequestra, tortura e mata latinos que tentam cruzar a fronteira ou que já estão vivendo no país sem documentos. “Comparado a grupos de exterminio como o Ku Klux Klan usado contra os negros do sul do pais na decada de 60” (The Tribune, 18/07/05), o Minuteman e suas vertentes agem a mando do governo federal e dos governadores dos estados do Arizona, California, Utah, Minnesota e Maine, fazendo o trabalho sujo do terrorismo paraestatal necessário à burguesia nesse momento de aperto dos cintos e contenção de gastos impostos aos trabalhadores.

O Minuteman aterroriza a vida desses trabalhadores e de seus filhos, os quais diariamente temem voltar da escola e ser sequestrados, abusados sexualmente, torturados e mortos, ou até mesmo chegar em casa e não encontrar seus pais, que podem ter tido suas residências invadidas e sido deportados. Os que conseguem sobreviver à pressão, à xenofobia e ao drama de uma sobrevivência ameaçada, terminam os estudos e têm que se sujeitar aos sub-empregos que lhes estão disponíveis, uma vez que encontram-se excluídos da possibilidade de acesso à Universidade.

Todo esse perverso ataque encontra respaldo na legislação norte americana, que considera crime inclusive dar água ou ajudar diretamente a um imigrante indocumentado e faz parte de uma campanha de renacionalização da “América”, a qual, por sua vez, está embasada no ódio aos imigrantes e no desespero dos radicais brancos, que jogam sobre as costas dos imigrantes a culpa pela falência do “American Way Of Life”.

Diariamente centenas de corpos sao jogados no deserto. A propria Janice Brewer, governadora do Arizona, que neste mês de março está passando férias com sua amiga Palin no Alaska, para se safar dos crimes cometidos, declarou a imprensa que “as suas patrulhas haviam encontrado muitos corpos no deserto, uns queimados e outros apenas deitados com a cabeça decepada” (The Washington Post, 11/07/10).

Em maio de 2009, em Pima County, no Arizona, Shawna Forde juntamente com seus amigos do “Minuteman em Defesa da America, invadiu a casa de uma familia de imigrantes e matou a sangue frio a garota Brisenia Flores e seu pai“. Aparentemente Brisenia pediu compaixao pela sua vida antes de receber um tiro na cabeça” (Center for American Progress, 15/02/11).

Não por acaso, Shawna Forde é o braço direito de “Jim Gilchrist e Chris Simcox, capatazes que oficialmente receberam apoio político em 2005, de setenta e um deputados do país, assim como outros políticos incluindo o governador da California, Arnold Schwarzenegger, que planejam a reforma imigratória Caucus, a qual explicitamente apóia o projeto Minuteman” (World Socialist, 20/05/2005).

Assim como Brisenia e seu pai, muitos outros imigrantes tem sido assassinados sem nenhuma chance de defesa ou apelo, e todos se calam em reverência ao solo nacional. Todos os que se erguem na luta em defesa dos trabalhadores imigrantes com ou sem documentação, são demonizados e acusados de anti-nacionalistas, anti-mais empregos, anti-saúde gratuita para quem paga imposto, pró-terroristas!

No inicio desse ano, mais uma vez, o mundo assistiu de perto o massacre de Tucson no Arizona, onde seis pessoas foram assassinadas e outras dezenove foram baleadas por tentarem pela “via democrática” reinvindicar junto a deputada local, Gabrielle Giffords, algum socorro aos imigrantes. 

Se analisarmos os desdobramentos políticos sob uma ótica classista, concluiremos que a perseguição aos imigrantes foi intensificada após os protestos no Primeiro de Maio de 2006, quando estes saíram às ruas das principais cidades dos Estados Unidos numa demonstração de força jamais vista no país. Os mais de cinco milhões de imigrantes, em diferentes cidades dos EUA, protestavam contra a draconiana lei de imigração CIRA proposta pelo governo Bush, que transformaria 11 milhões de imigrantes indocumentados em criminosos. Conhecido como o “grande boicote americano”, o protesto não reuniu apenas imigrantes, mas outras fileiras da classe trabalhadora que gritavam contra o desemprego, contra a invasão do Iraque e contra o sucateamento da educação. Porém, numa reação imediata e esmagadora, o rolo compressor burguês deu início a uma bilionária campanha fascista, fazendo a luta de classes retroceder para uma esfera racial e cultural.

O que hoje observamos é um crescente processo de ataques às conquistas duramente obtidas pelo proletariado norte americano, que a cada dia que passa vê o resultado de antigas vitórias serem subtraídos pela burguesia do principal Estado imperialista do planeta.

Diante dessa política francamente reacionária, que é aplicada com a co-gestão das mega-mafiosas direções sindicais burocráticas (AFL-CIO), e que cada vez mais incorpora elementos de caráter fascista – xenofobia, racismo, machismo, homofobia – chamamos os trabalhadores dos EUA a se organizarem para combater essas políticas anti-operarias e antisindicais, construindo organismos de luta nos locais de trabalho que impulsionem e deem continuidade às mobilizações que se iniciam e tendem a se fortalecer na luta contra a reação burguesa.

Contrária às previsões do impressionismo pequeno-burguês de que o recrudescimento do fascismo ianque não se daria na própria gestão Obama, alimentando ilusões de garantias democráticas no atual governo imperialista, o que se vê na realidade é a execução brutal da ofensiva contra os trabalhadores de todo o mundo sob a batuta de Obama. O atual mandatário da Casa Branca nada mais faz do que reeditar a política de seu antecessor Theodore Roosevelt: “Fale macio, carregue um porrete e irá longe”.

Como aprendemos com Trotsky, “Na ausência de um poderoso partido revolucionário do proletariado, uma combinação de semi-reformas, de frases esquerdistas [que nos dias de hoje nem precisam ser tão esquerdistas, bastam ser frases ‘democráticas’ e dúbias, como as que Obama utilizou em defesa dos sindicatos] de gestos ainda mais à esquerda e repressões, podem ser muito mais úteis à burguesia do que o fascismo” (Está na Alemanha A Chave da Situação Internacional, 26/11/1931).

É preciso sair da defensiva para a ofensiva. A derrota dos planos escravocratas do capital imperialista e principalmente de sua ala mais reacionária, a do capital financeiro nazi-sionista –  onde são gestadas em sua maioria as concepções e políticas ultrarreacionárias como o racismo e a xenofobia – depende de que nossos irmãos trabalhadores da América do Norte se emancipem de sua burguesia imperialista pela construção de um verdadeiro Partido da Quarta Internacional.

Ana de Souza, professora da rede pública do
Estado de Nova Iorque e membro da LC