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sábado, 14 de fevereiro de 2015

DECLARAÇÃO DA FRENTE E RESSALVAS DO CP

Declaração da Frente pelas Reformas Populares
São Paulo, 22 de janeiro de 2015

As organizações sociais e políticas que assinam esta declaração entendem que é urgente e necessária a construção de uma frente que coloque em pauta o tema das Reformas Populares no Brasil.
Esta frente terá o objetivo de concretizar uma ampla unidade para construir mobilizações que façam avançar a conquista de direitos sociais e bandeiras históricas da classe trabalhadora. Buscará também fazer a disputa de consciência e opinião na sociedade. Por sua própria natureza será uma frente com independência total em relação aos governos. 

METALÚRGICOS DO ABCD

Lutar contra as demissões e as máfias sindicais!
Erwin Wolf

Na GM de São Caetano do Sul, e na Karmann Ghia de São Bernando do Campo, operários protestam contra as demissões e a contra as burocracias sindicais pelegas da Força Sindical e da CUT, respectivamente.

Os operários da General Motors realizaram protesto no Portão 4 da empresa, na principal avenida da cidade, a Goiás, contra as 180 demissões desde o início do ano. O protesto foi liderado pela Chapa da CTB, a chapa de Oposição a diretoria do Sindicato, dirigida pela Força Sindical.

domingo, 13 de julho de 2014

METALÚRGICOS ABC PAULISTA

Contra o desemprego,
CUT propõe o subemprego
Indústrias do ABC demitiram 6.351 trabalhadores em 2014 e
burocracia cutista defende redução de jornada com redução de salário

Erwin Wolf
Ao contrário de combater o desemprego de frente, com greves e pralisações,
burocratas defendem o subemprego e ainda estimulam a xenofobia,
no caso da manifestação da foto, contra os trabalhadores chineses
O Ministério do Trabalho informou que as indústrias do ABC demitiram 6.351 trabalhadores em 2014, conforme dados do CAGD (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados), segundo Leone Farias, do Diário do Grande ABC de 12 de julho.

Por outro lado, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Rafael Marques, informou que há 2.300 trabalhadores em lay-off (suspensão temporário dos contratos de trabalho) na região.

“SISTEMA DE PROTEÇÃO AO EMPREGO” OU SISTEMA DE ARROCHO SALARIAL PARA PROTEÇÃO DOS LUCROS PATRONAIS?

terça-feira, 8 de abril de 2014

POR UMA FRENTE ÚNICA ANTIGOLPISTA INTERNACIONALISTA NO PRIMEIRO DE MAIO!

Por um primeiro de maio de luta
contra o imperialismo e o golpismo!
Erwin Wolf e Humberto Rodrigues

A oposição burguesa PSDB, DEM, PSB, SDD, PSOL, apoiados por setores do PMDB, PDT e PP, estão aproveitando da crise da Petrobrás, fustigada pelo próprio imperialismo, para levar adiante um impeachment de Dilma através da CPI no Congresso Nacional. O Brasil sofre embrionariamente uma escalada golpista em meio a onda dos golpes parlamentares que ocorreram em Honduras, Paraguai e Ucrânia.

POR QUE O IMPERIALISMO AMEAÇA GOLPEAR UM GOVERNO TÃO VASSALO DO CAPITAL FINANCEIRO COMO O DO PT?

Na base da reação golpista está o fato de todas as medidas anticíclicas adotadas pelo governo Dilma para retardar a chegada da crise de 2008 ao Brasil terem colapsado e agora o imperialismo estar exigindo a aplicação dos famigerados "planos de ajustes" para aumentar a extorção nacional e a superexploração dos trabalhadores. A crise interburguesa entre o governo Dilma e o imperialismo (que tem como agentes de suas demandas a oposição burguesa), se dá porque o primeiro se nega a adotar tais medidas impopulares agora, em ano eleitoral.

Há mais de dois anos a LC já havia alertado "Medidas anti-crise de Dilma, matando a sede com água salgada" [ 1 ] porque o modo vassalo do governo do PT retardar o contágio do país pela crise estava potenciando seus efeitos quando ela chegasse. Os governos Lula e Dilma acentuaram a desindustrialização do Brasil, o endividamento das famílias trabalhadoras, as tendências semi-coloniais e agro-exportadoras [ 2 ]. 

domingo, 26 de janeiro de 2014

BALANÇO DO 32º CONGRESSO DA CNTE

Passar por cima dos pelegos e aprovar nas assembleias sindicais de todo país a conversão da greve de mentirinha de 17 a 19/03 em greve nacional por tempo indeterminado por aumento de salário e redução de jornada!

O 32º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, CNTE, ocorrido entre 16 e 19 de janeiro de 2014, contou com a participação de 2.300 delegados. Trata-se do Congresso da maior Confederação de trabalhadores do país, que representa cerca de 2,5 milhões de professores e funcionários de escolas públicas do Brasil que fazem parte da base de 48 sindicatos. O que faz com que cada delegado represente cerca 1.087 trabalhadores em educação. Maior que o da CNTE, só o Congresso da própria CUT, na qual a CNTE é filiada e possui maior bancada setorial.

Sendo assim, para todos aqueles que lutam por uma nova direção política para a luta dos trabalhadores e das massas oprimidas em geral, a disputa do Congresso da CNTE possui uma enorme importância política estratégica, independente de que hoje esta direção seja testa de ferro dos interesses dos governos burgueses e de que seus Congressos sejam ultraburocratizados. Esta premissa foi reforçada no ano passado porque foram os professores a categoria dos trabalhadores organizados que maior influência exerceu sobre as jornadas de lutas e manifestações de rua em 2013.

A IMPORTÂNCIA DA DISPUTA CONTRA TODA A PELEGADA PELA DIREÇÃO POLÍTICA
DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO PARA A LUTA DE CLASSES NACIONAL EM 2014

domingo, 15 de dezembro de 2013

GREVES NA AMBEV E PRYSMIAN NO ABC PAULISTA

Rompendo o cerco da burocracia cutista
Erwin Wolf
Após 18 dias de greve os trabalhadores da fábrica de cabos especiais de alta-tensão e fios da Prysmian, em Santo André (a Prysmian tem sua matriz na Itália, tendo quatro unidades no Brasil), conquistaram algumas reivindicações, como redução do desconto em razão de absenteísmo (falta ao trabalho) no cálculo no PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de 100% para 25%, conforme noticiou o Diário do Grande ABC de 14/12/2013.

Ainda segundo o Diário do Grande ABC, o Tribunal Regional do Trabalho acenou com garantia de emprego de 90 dias aos grevistas.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A LUTA POR UM PARTIDO REVOLUCIONÁRIO DA ÁFRICA DO SUL

Sobre as diferenças no RMG
RMG, ou Grupo Marxista Revolucionário, é uma organização trotskista sul africana que assinou juntamente com o CLQI uma declaração principista contra a intervenção imperialista na Líbia em abril de 2011. Todavia, o grupo passa por uma crise interna, sobre a qual o CLQI manifesta sua caracterização abaixo.
Por Gerry Downing do Socialist Fight (Grã Bretanha)

Começamos com duas longas citações de Trotsky sobre os sindicatos e o sindicalismo. Parece-nos que este é o problema central do RMG, manifesto na sua atitude para com a divisão na NUM [sigla em inglês para a União Nacional dos Mineiros da África do Sul] e sua relação política com a atual oposição dentro da Cosatu [sigla em inglês para o Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos], a sua atitude para com a questão da aristocracia operária, o imperialismo e sua incapacidade de orientar-se para lutar por um partido revolucionário no sentido trotskista, ou seja, como a seção sul africana do Partido Mundial da Revolução Socialista.

A primeira citação define a importância central da burocracia sindical para a manutenção do capitalismo. É claro que Trotsky fala apenas dos países imperialistas e das colônias. Mas para nós é evidente também que um poderoso movimento sindical surgiu em muitas semi -colônias avançadas nas últimas três décadas e esse já se tornou altamente burocratizado e submisso ao Estado capitalista, representando os interesses do imperialismo global. O centro deste processo na África do Sul é a aliança entre a COSATU, o CNA [Congresso Nacional Africano, partido de Mandela e do atual presidente do país, Jacob Zuma] e o Partido Comunista da África do Sul, a "Aliança Tripartite”.

THE STRUGGLE FOR A REVOLUTIONARY PARTY IN SOUTH AFRICA

On the Differences in the
Revolutionary Marxist Group
By Gerry Downing
http://socialistfight.com/2013/10/30/on-the-differences-in-the-revolutionary-marxist-group/
We begin with two long quotes from Trotsky on the trade unions and syndicalism. It seems to us to that this is the central problem of the RMG, manifest in its attitude to the split in the NUM and its political relationship to the opposition current within Cosatu, its attitude to the question of the aristocracy of labour, Imperialism and its failure to see the revolutionary party in the Trotskyist sense as the national section of the world party of socialist revolution. The first quote sets out the central importance of the trade union bureaucracy for the maintenance of capitalism. Of course Trotsky speaks only of Imperialist countries and the colonies. But it is clear that a powerful trade union movement has emerged in many advanced semi-colonies in the last three decades and these have now became heavily bureaucratised and the central prop of the capitalist state representing the interests of global Imperialism. Central to this in South Africa is the alliance of Cosatu, the ANC and SACP, the ‘Tripartite Alliance’. Another example is the Partido dos Trabalhadores (Workers Party) in Brazil with its CUT labor federation. 


Opposed to these are ‘left oppositionist’ federations in both South Africa and Brazil, also bureaucratised and serving as defence of the left flank of the central bureaucracy, often in conflict with them but heavily influenced by centrist groups, some of Trotskyist origins. Their centrism, revolutionary in words in some domestic issues but almost always social-Imperialist in foreign conflicts and wars, serve all the better to defend the capitalist state in conjunction with the trade union bureaucracy ‘from the left’.

sábado, 18 de maio de 2013

POLÊMICA - PT

O seguidismo das organizações
de esquerda ao PT

Documento elaborado por Erwin Wolf da Silva com contribuições de Humberto Rodrigues e Ismael Costa. Wolf é um ex-militante estudantil de Liberdade e Luta e da OSI (1977/80) e ex-Política estudantil Independente, da OQI (1980-90), organização que deu origem ao atual PCO.

Trabalhadores dos Correios em greve queimam bandeira do PT
A HISTORIA DA LUTA PELO PARTIDO
POLITICO DA CLASSE OPERÁRIA

O Partido dos Trabalhadores e o Partido Comunista (PCB), foram as duas tentativas mais importantes da classe operária brasileira de se estruturar politicamente enquanto classe, ou seja, construindo o seu próprio partido.

O Partido Comunista, fundado em 1922, teve sua trajetória influenciada pela Internacional Comunisadta da "coexistência pacífica com o imperialismo" e da "Teoria do Socialismo num só país", sob domínio de Stálin, ora alternando uma política oportunista de subordinação ao nacionalismo burguês, ora uma política esquerdista ("terceiro período"), quando promoveu as aventuras das quarteladas, a chamada "Intentona Comunista" de 1935, ações individuais isoladas, totalmente separadas das massas.

sábado, 8 de setembro de 2012

COMBATE AO ACE E CAMPANHA SALARIAL METALÚRGICA

Por um Encontro Nacional de Base dos Metalúrgicos para organizar uma greve geral da categoria contra o "ACE"
do O Bolchevique # 11
Às vésperas de completar 30 anos, a CUT, através de seu sindicato mais importante, dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), prepara sua maior traição ao proletariado brasileiro, o Acordo Coletivo Especial (ACE). É bem verdade que a central realizou um pacto social com Sarney ainda na década de 1980, se opôs a organizar a classe pelo "Fora Collor", impulsionou as câmaras setoriais, apoiou a reforma da previdência iniciada por FHC e na última década foi testa-de-ferro dos governos federais do PT sabotando nossas lutas, apoiando os ataques anti-operários e pró-imperialistas de Lula e Dilma, defendendo o "mensalão" e juntamente com outras centrais pelegas "mobiliza" em favor das demandas patronais: isenção de impostos, flexibilização de direitos, desoneração da folha de pagamento, etc.

Mas, sem dúvida o ACE representa a mais perversa punhalada contra a classe trabalhadora. O SMABC entregou ao governo Dilma em novembro de 2011 o projeto de lei que objetiva nacionalizar e estender contra o conjunto do proletariado no Brasil as experiências daninhas de negociação realizadas no ABC. No dia 23 de maio de 2012, o Sindicato reuniu-se com o presidente da Câmara dos Deputados reivindicando rapidez na aprovação do ACE. Até agora, todos os acordos de redução salarial, perda de direitos ou flexibilização da jornada realizados entre os pelegos da CUT e as empresas podem ser questionados na justiça, e os trabalhadores lesados pela traição podem “meter a empresa no pau”, conseguindo derrubar o acordo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

GREVES DO FUNCIONALISMO SÃO AS MAIORES DESDE 2003:

Romper com as direções governistas e da “oposição de esquerda” (PSOL e PSTU) e construir uma corrente revolucionária de base em todas as centrais sindicais 
A imprensa burguesa tem se escandalizado com a ampliação das greves do funcionalismo federal, que segundo a sucursal da Rede Globo em Porto Alegre, a RBS, através do seu "jornalão", Zero Hora (como é conhecido o jornal na cidade), "espalha transtornos pelo país e já trava negócios". De fato a persistência das bases do funcionalismo impediu até agora que as direções sindicais governistas e também as vinculadas a quase governista “oposição de esquerda” acabasse com a greve. O governo Dilma titubeia já se mantém a “linha dura” das ameaças de corte de ponto e reajuste zero ou se concede migalhas em separado para ir desmontando um a um o movimento que atinge trabalhadores do executivo, legislativo e judiciário.
As direções governistas foram especialistas em espalhar o ceticismo entre as categorias, mas que com seus salários arrochados a 5 ou 6 anos foram à luta e tem acuado o governo. Rosane Vargas, porta-voz do latifúndio e da burguesia, do jornal ZH da capital do RS, na sua coluna, afirma: "Sem experiência de seu antecessor em negociações sindicais, a presidente Dilma Rousseff enfrenta dificuldades para enfrentar a onda de greves dos servidores públicos, que ameaça se alastrar por outras categorias em diferentes pontos do país" (ZH, 10/08/12). Realmente é uma declaração de temor desta lacaia das elites, que faz uma ponte com a crise européia, tentando justificar a negativa de aumentos com a crise mundial do capitalismo – como se os trabalhadores, que não a causaram devessem pagar por ela – terminando sua coluna em tom de "ameaça": "Dilma já deu sinais que se houver radicalização por parte dos grevistas, ela também vai radicalizar no desconto dos dias parados".

sexta-feira, 16 de março de 2012

PRIMEIRA GREVE NACIONAL DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DO BRASIL

Para que a greve seja vitoriosa e conquiste melhores condições de ensino e de vida, as assembléias precisam mais uma vez passar por cima das direções governistas dos Sindicatos e da CNTE/CUT
do Folha do Trabalhador #11 - março 2012
Neste momento se realiza a primeira greve nacional da educação estatal brasileira, um dos setores mais castigados pela crise econômica mundial. Em 2012, o governo Dilma realizou o maior corte da história do orçamento federal, R$ 55 bilhões. A área social foi a mais atingida. A educação (R$ 1,9 bi), juntamente com a saúde pública (R$ 5,5 bi), tratados demagogicamente como prioridades pelo governo, perderam no total R$ 7,4 bilhões. O dinheiro será desviado para os empresários, banqueiros, multinacionais e especuladores através do pagamento da fraudulenta dívida pública, subsídios, etc.
Cada um dos estados e prefeituras também reduziu as verbas para o ensino. A criação da Lei do Piso Nacional (11.738/88) sob pressão da luta da categoria, nunca passou de uma medida demagógica do governo do PT que nunca zelou por seu cumprimento por parte dos Estados e Municípios que recebem os recursos do Fundeb, mesmo sendo o piso estipulado em R$ 1.451,00 (para uma carga horária correspondente a 40h semanais), extremamente defasado em relação as perdas salariais históricas do magistério. Como parte da troca de favores inter-burguesa, Dilma favorece que os governos estaduais e municipais que desviem o dinheiro dos salários dos professores para o enriquecimento da classe dominante. Inclusive é o Rio Grande do Sul, governado por Tarso Genro, ex-ministro da Educação do Governo Lula, o Estado que paga o mais baixo salário: 791 reais (40h).

sábado, 22 de outubro de 2011

O QUE APRENDEMOS COM AS GREVES DE CORREIOS E BANCÁRIOS

Ditadura do Capital e peleguismo:
Dilma, banqueiros e burocracia sindical unidos contra as greves
da FdT # 3 outubro de 2011

Aprendemos com as derrotas de ontem para vencer amanhã. As greves dos trabalhadores dos correios e dos bancos foram derrotadas pelo governo e pelos banqueiros, patrões destas categorias.
As duas fortes greves contaram com a participação de 80% de adesão dos trabalhadores (nos bancos públicos, no caso do bancários). Foram greves nacionais e houveram importantes marchas coletivas destas categorias que vem enriquecendo suas experiências políticas ao lutarem todos os anos contra os governos do PT. O governo de Dilma e os burocratas dos sindicatos de tudo fizeram para liquidar o movimento. O Banco do Brasil impetrou um “interdito proibitório” (instrumento jurídico para forçar os bancários a voltar ao trabalho) antes mesmo do primeiro dia de greve. Mas isto não intimidou aos bancários que sabiam que o BB havia lucrado às suas custas R$6 bilhões só no primeiro semestre de 2011. Em seguida foram ameaçados de descomissionamento e corte dos dias parados, mas isto só fortaleceu a greve bancária.

domingo, 12 de junho de 2011

PASSEATA EM SÃO PAULO DENUNCIA OCUPAÇÃO DO HAITI E INTERVENÇÃO NA LÍBIA

Frente Única de Ação versus Frente Popular de colaboração
Balanço do Ato de rua e polêmica em torno de um velho tema, sempre candente em nosso movimento
dO Bolchevique #5
Marcha da Coluna do Comitê Antiimperialista
sobre o viaduto do Anhangabaú
No dia 04 de junho realizou-se em São Paulo o ato nacional contra a intervenção imperialista no Haiti e na Líbia. Participaram da atividade as organizações: Comitê Antiimperialista, Comitê Pró-Haiti, Liga Comunista, Espaço Cultural Latino Americano, Refundação Comunista, Espaço Cultural Mané Garrincha, NATE, Núcleo do PSOL de Santa Cecília, PCO, PH, PCB, MST, UST, Intersindical, PCR e OT. A atividade foi divulgada na internet, blogs e sites. Seus cartazes foram colados nas universidades USP, PUC, Cásper Líbero, ESPSP, agências bancárias, Sindisprev/SP, nas assembleias dos trabalhadores metroviários, e em vários outros locais de trabalho e estudo. Reuniram-se trabalhadores de diversas categorias: bancários, dos correios, da USP, teleoperadores, operários, professores e estudantes universitários e do ensino médio, funcionários públicos e privados, aposentados, terceirizados. A concentração foi da Praça Ramos, em frente ao Teatro Municipal, e de lá as organizações, ativistas e lutadores sociais independentes, aproximadamente 100 manifestantes, marcharam em passeata bloqueando o viaduto do Chá, passando em frente à Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, até a Praça da Sé, onde se concluiu a atividade.

segunda-feira, 21 de março de 2011

BALANÇO DO "FORA OBAMA!" NO RIO EM 20/03

Protesto na Cinelândia rompe barreira política imposta pela burocracia dirigente da CUT, MST, PCdoB e CSP-Conlutas ao "Fora Obama!"
dO Bolchevique # 4
Combativo "Fora Obama!" em frente ao Teatro Municipal
fura o cerco político dos pelegos e do aparato repressivo do imperialismo, Dilma e Cabral
No dia 18 de março, a partir da concentração na Candelária, CUT e CTB boicotaram a passeata de protesto ao Consulado dos EUA no centro Rio de Janeiro contra a presença de Obama. O PSTU e a CSP-Conlutas apostaram neste ato para amortecer a disposição de luta do ativismo, inclusive de parte de sua militância, a fim de evitar um forte protesto no dia em que Obama estaria no país. A serviço do FBI, a PM de Cabral prendeu 13 militantes neste pequeno protesto do dia 18 para intimidar as possíveis manifestações que viessem a se organizar no dia 20 de março.

Dois dias depois, quando Obama já se encontrava no Rio de Janeiro, não foi, porém, a truculência dos aparatos repressivos dos lambe botas brasileiros Dilma e Cabral (tanques, o Batalhão de Operações especiais do Exército, Bope, PM e Guarda Municipal) ou a própria máquina assassina do imperialismo montado no Rio (FBI e CIA) o que impediu o avanço da manifestação. Quem freou o movimento a menos de três quarteirões do Teatro Municipal, onde se encontrava o comandante em chefe do imperialismo mundial, principal responsável por toda exploração e violência do mundo, foi a vergonhosa política conciliadora da CUT, Sindipetro, MST, PT, PCdoB, PSTU, PSOL e CST/Unidos que levou os manifestantes a um beco sem saída, literalmente encurralando-os para depois "serem forçados" a dispersá-los, e tomar o caminho de casa.

A Liga Comunista agrupou seus militantes de São Paulo e Rio de Janeiro a partir do dia 19/03, confeccionou faixas e bandeiras, constituiu a “Frente Única Contra a Presença de Obama no Brasil” com organizações de trabalhadores, estudantes e sem teto cariocas: Frente Internacionalista dos Sem Teto, Rede Estudantil Classista e Combativa e Coletivo Lênin, em torno de um manifesto com posições políticas comuns. No protesto, distribuímos o manifesto da frente e uma declaração própria, os quais reproduzimos logo abaixo.

Nádia Silva, trabalhadora de São Bernardo do Campo, ABC paulista, fala pela LC,
na concentração na estação do metrô Glória no Rio de Janeiro
Participamos da reunião preparatória para a atividade no Sindipetro no dia 16, da passeata do dia 18 e do ato da Glória do dia 20/03 com oradores da corrente. Nessa última atividade, através de sua militante trabalhadora de São Bernardo do Campo/SP, Nádia Silva, a LC denunciou o retardamento da saída da protesto da Glória em direção a Cinelândia, orquestrado pela direção governista do ato. Denunciou também a sanguinária intervenção militar do imperialismo na Líbia ordenada por Obama a partir do Rio na noite anterior. Nádia chamou uma frente única militar com Gadafi para derrotar os EUA e a OTAN sem apoiar politicamente o governante burguês com o qual as massas líbias logo devem acertar as contas. Em seguida, a companheira ressaltou que a força e a firmeza de nossa marcha naquele dia seria um passo determinante para a imediata libertação dos companheiros presos, caminhando até o teatro municipal, onde estava se realizando mais uma cena da peça teatral imperialista que visa preservar a máscara “democrática” e “popular” de Obama, enquanto o carniceiro bombardeia o povo líbio, a fim de melhor manipular a opinião pública e mais facilmente exercer as façanhas de sua opressão capitalista sobre o planeta.

Com atraso proposital, para cansar os manifestantes, finalmente a marcha saiu da Glória em direção à Cinelândia, sempre sendo freada por um combinado da direção do movimento, CSP-Conlutas, CUT, MST, PSTU, PCdoB e PSOL, com a assassina PM fluminense de Cabral até ser completamente contida a três quarteirões da Cinelândia sem a necessidade de nenhum aparato policial bloqueá-la. A direção do protesto covardemente conduziu a manifestação para um beco sem saída politico e logístico, uma vez que o quarteirão onde fomos orientados a parar era uma rua onde a tropa de choque facilmente nos reprimiria, encurralando a todos. Os mesmos dirigentes trataram de nos aterrorizar com argumentos de que “a cavalaria estava na praça” e que haveria um “banho de sangue” se o protesto continuasse,...

“PARA NOSSOS PRESOS LIBERTAR, É PRECISO AVANÇAR!”

Neste momento, apesar da tentativa de intimidação e do cerco reacionário que a direção do movimento impôs ao setor mais combativo da manifestação, nós polarizamos contra a política colaboracionista com palavras de ordem pela continuidade da marcha anti-Obama até onde fosse possível, inclusive para pressionar os governos Dilma e Sérgio Cabral a libertarem nossos presos políticos reféns da luta anti-imperialista, cantando palavras de ordem como “Para nossos presos libertar é preciso avançar”, “Vem vamos embora que esperar não é fazer, quem sabe faz a hora não espera acontecer”; “Por que parou? parou por que?”, “O povo unido é povo forte, não teme a luta, não teme a morte. Avante, companheiros! Essa luta é minha e sua. Unidos venceremos e a luta continua!”.

UOL Notícias registra faixa da Liga Comunista na Concentração da passeata na Glória,
Atrás da faixa da LC, o carro de som que foi apreendido pela PM de Sérgio Cabral
O PSTU orientou sua militância, em crise diante da polarização, a se dirigir para a sede do partido, onde seriam reenquadrados e mais uma vez entorpecidos de que “tudo que era possível fazer tinha sido feito” e que a “atividade foi plenamente vitoriosa”. Os governistas e os satélites deste bloco conciliacionista foram para casa ou contar vantagem na internet. Diante da sabotagem, a LC, FIST, RECC e CL se dirigiram ao Teatro, onde vieram a se agrupar também as Brigadas Populares, PCR, Morena-CB. As demais organizações se enquadraram completamente naquele momento às orientações conciliadoras que a CUT-PCdoB-Conlutas quiseram impor ao conjunto da manifestação. Após furarmos o bloqueio político da CSP-Conlutas e Cia e, em seguida, o bloqueio policial na Rua Evaristo da Veiga, fomos até a praça protestar, contidos finalmente pelo Batalhão de Operações especiais do Exército de Dilma, protetor do showmício vip de Obama.

APESAR DOS PELEGOS, “YES, WE CAN!” PROTESTAR CONTRA OBAMA!

A LC e a frente única cumpriram o que convocaram nos seus manifestos e declarações: “Devemos marchar até o Teatro Municipal para demonstrar, em alto e bom som, nosso rechaço à presença do carniceiro do imperialismo no Brasil, na Líbia, no Iraque, Afeganistão e Haiti.” (Declaração da Liga Comunista ao 20/03); “Vamos caminhar hoje até onde pudermos contra Obama e o Imperialismo!” (Manifesto da Frente Única Contra a Presença de Obama no Brasil).

Em frente ao Teatro Municipal, os manifestantes fizeram uma barricada política cantando palavras de ordem contra Obama, Dilma, Cabral, o Caveirão e a Globo por todo o tempo que decorreu a farsa montada pelo governo brasileiro em repúdio ao imperador “democrata” carniceiro e seus lambe-botas tupiniquins. A LC e outras organizações puxaram várias palavras de ordem como “Fora já, fora já daqui, Obama da Líbia e Dilma do Haiti!” e “Estão no mesmo saco, Obama e caveirão. Libertem nossos presos, abaixo a repressão!”. Os que levaram o “Fora Obama!” até onde suas forças permitiram, não encontraram nenhuma cavalaria e muito menos sofreram o falacioso “banho de sangue” utilizado pelos pelegos para amedrontar a luta anti-Obama.

A lição que tiramos desta batalha é que as direções conciliadoras são o maior freio para a luta anti-imperialista e anticapitalista, se esquivam do combate consequente contra a repressão policial, utilizam a prisão de seus companheiros como mero marketing político virtual e desarticulam a luta de massas, o método do movimento operário para obrigar nossos algozes a recuar. Parafraseando o próprio líder imperialista, “Sim, era possível” realizar um poderoso “Fora Obama!” e o corajoso protesto de todos os que queriam protestar na praça da Cinelândia demonstrou isto. 

sábado, 19 de março de 2011

DECLARAÇÃO AO "FORA OBAMA!" NO RIO EM 20/03

Fora Obama da Líbia, Brasil, Afeganistão, Iraque e Haiti!
Liberdade imediata para todos os presos políticos da manifestação do dia 18/03 encarcerados por Dilma e Cabral!
dO Bolchevique # 4
Míssil Tomahaw lançado de Destroyer USS Barry contra a Líbia na noite de 19/03/2011

EUA, França, Reino Unido, Canadá e Itália estão bombardeando a Líbia agora, realizando a maior intervenção militar internacional desde a invasão do Iraque. Após a derrota da oposição monarquista pró-imperialista para as forças do governo Gadafi, o imperialismo deu início a um feroz ataque sobre Trípoli pelo controle integral do petróleo líbio, em nome de prestar ajuda “humanitária” para fazer do país um novo Afeganistão ou Iraque.

Enquanto isso, no Brasil, o chefe dos carniceiros imperialistas vem posar de estadista democrático no palanque armado por Dilma, PT, CUT, CTB e demais centrais pelegas. CUT e Conlutas (PSTU, PSOL) marcam “atos de protestos” a quilômetros dos cordões policiais do FBI, PF e PM, o que poupará o trabalho do aparato repressivo. Ao mesmo tempo em que “organizam” esta impotente simulação de protesto, PSTU e PSOL emblocam-se politicamente com o próprio Obama, reivindicando o “Fora Gadafi!”.

Se estas direções vacilam em protestar contra Obama, o imperialismo, de Trípoli ao Rio, não hesita em reprimir barbaramente. Para intimidar qualquer tentativa de manifestação no dia 20/03, os lambe-botas locais do império, Dilma e Sérgio Cabral, prenderam, nos presídios de Bangu e Água Santa, 13 manifestantes de esquerda que participaram da passeata do dia 18/03 no Consulado dos EUA na capital carioca. 10 deles, militantes do PSTU.

Não podemos fingir que protestamos, se deixamos a repressão e a exploração avançar livremente. Na Líbia, defendemos frente única militar com Gadafi, porém sem apoiar politicamente nem confiar no regime de Trípoli, e reivindicando o armamento de todo o povo contra a ofensiva recolonizadora por agentes externos ou internos. No Rio, devemos marchar até o Teatro Municipal para demonstrar, em alto e bom som, nosso rechaço à presença do carniceiro do imperialismo no Brasil, na Líbia, no Iraque, Afeganistão e Haiti.


ABAIXO NOTA DA FRENTE ÚNICA PARA O
ATO ANTI-OBAMA NO RIO DE JANEIRO, 20/03


Vamos caminhar hoje até onde pudermos contra Obama e o Imperialismo!

Todos estamos aqui hoje porque dizemos nos opor à presença de Obama no Brasil. Entretanto, alguns parecem ter se esforçado para garantir que os protestos contra o chefe-mor do imperialismo seriam esvaziados. A CUT, Força Sindical, CTB e outras centrais que apóiam Dilma, não colocaram esforço para construir este ato. Achamos que isso tem um motivo político e não que é simples “desorganização”. Já que é Dilma, a chefe do Estado burguês brasileiro, a anfitriã de Obama, os lideres sindicais que apóiam este governo vão fazer de tudo para não “envergonhá-lo” diante do imperialismo. Acreditamos que por nos opormos aos acordos econômicos de Dilma com o imperialismo, não podemos participar dessa sabotagem de dentro do nosso próprio movimento.

De forma parecida, alguns setores da oposição de esquerda tem se limitado ao “calendário oficial” proposto pelos burocratas sindicais para frustrar a luta dos trabalhadores. Além de convocar inicialmente um ato ainda mais distante de onde estará Obama (no Largo do Machado, a 8 quilômetros da Cinelândia!) do que este marcado pelas grandes centrais, a CSP-Conlutas, dirigida pelo PSTU e pelo PSOL, não está tomando nenhuma iniciativa para se opor ao rumo que os burocratas querem dar – um ato “só para não dizer que não fizemos nada” e sem nenhuma ousadia.

Achamos que isso não é o suficiente para demonstrar nossa insatisfação contra o imperialismo, não apenas no Brasil, mas também no Haiti, no Iraque, Afeganistão e no que está sendo feito na Líbia. Se os burocratas que hoje lideram a CUT e outras centrais governistas não querem se chocar contra o governo, apesar dos claros ataques contra trabalhadores e oprimidos, os verdadeiros inimigos do imperialismo deveriam organizar uma medida que coloque outra pauta na mesa. É a isso que nos propomos, já que outros setores de oposição, como PSTU e PSOL não querem lançar uma ação independente dos capachos de Dilma que lideram as centrais.

Existe risco de que hoje essas lideranças nem queiram sair da Glória (concentração do ato marcado pelas grandes centrais, que fica também distante, a quase 2 quilômetros de onde estará Obama), e demais locais de concentração, ou talvez dêem apenas alguns passos, usando como justificativa a repressão policial para nem ameaçar caminhar pela cidade, afastando os manifestantes do chefe imperialista. Achamos que o ato de hoje deve chamar o máximo de atenção inclusive para defender os companheiros de algumas dessas organizações citadas, que foram presos no ato contra Obama na última sexta-feira, e estão até agora presos nas celas do Estado burguês.

Hoje chamamos todos a caminhar até onde pudermos! Nós, membros de uma frente composta por trabalhadores e estudantes classistas, organizações revolucionárias trotskistas, organizações de sem-teto, de favelas e de torcedores independentes, nos opomos aos governistas sindicais e seus satélites, que não querem fazer um ato combativo. Queremos que todos os ativistas honestos caminhem conosco num sinal de oposição firme ao imperialismo, ao capitalismo, ao terrorismo e genocídio de Estado e em repúdio a esta sabotagem. Vamos tentar, ainda que sejamos poucos, a ir até onde for possível.

Fora Obama do Afeganistão, Iraque, Haiti, Líbia e Brasil!
Pela liberdade imediata de todos os presos políticos que lutam contra os assassinos de Estado, inclusive aqueles 13 na justa manifestação da última sexta-feira contra Obama!

Frente Única Contra a Presença de Obama no Brasil

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

NASCE A LIGA COMUNISTA


Contra o ceticismo, construir o partido trotskista revolucionário da classe operária!

"Nenhuma situação, por cinzenta e pacífica que seja, como tampouco nenhum período de decaimento do espírito revolucionário exclui a obrigatoriedade de trabalhar pela criação de uma organização de combate, nem de levar a cabo a agitação política; mais ainda, é precisamente em tais circunstâncias e tais períodos que é especialmente necessário o trabalho indicado porque em momentos de explosão e estouros é tarde para criar uma organização. A organização tem que estar pronta para desenvolver sua atividade imediatamente."
Lenin, Por onde começar, 1900

Apresentamos aos trabalhadores, a juventude e a van­guarda do movimento operário os motivos de nossa ruptura com a Liga Bolchevique Internacionalista.

Como em nenhuma época histórica anterior, a carên­cia de uma direção revolucionária do proletariado cobra hoje seu preço. Faz um século que o capitalismo entrou em sua decadência senil. Embora goze do maior grau já atingido pela humanidade em sua evolução tecnológica, arrasta a civilização para a barbárie, degradando o ser hu­mano e todo o resto da natureza. Concomitantemente, as correntes que se reivindicam marxistas estão reduzidas a pequenos agrupamentos de propaganda sem absoluta­mente nenhuma influência real sobre as massas proletá­rias, as únicas que podem liquidar a agonia capitalista.

Marx e Engels tinham o direito legítimo de consti­tuir uma liga de propaganda na aurora do socialismo científico. Todavia encontrar-se nesta condição 150 anos depois da elaboração do Manifesto do Partido Comu­nista não é mais um direito, mas uma deformidade re­tardatária que contribuiu decididamente com o agra­vamento das condições de vida da classe trabalhadora sob a decadência do capitalismo. A inexistência de uma direção revolucionária para a luta das massas se rela­ciona com a barbárie imperialista de forma dialética, como causa e efeito. Como Trotsky prognosticara, as condições objetivas para a revolução proletária apo­drecem e a humanidade caminha para uma catástrofe.

Também não é válido justificar a impotência atual usando como parâmetro a debilidade das primeiras or­ganizações trotskistas na década da fundação da IV In­ternacional. Trotsky e seus camaradas estavam submeti­dos a uma caçada de extermínio físico por parte da GPU (futura KGB), aos Processos de Moscou, no auge da degeneração burocrática e policialesca do primeiro Es­tado operário e da III Internacional. Simultaneamente, graças ao stalinismo, a revolução chinesa foi afogada em sangue, os processos revolucionários na França e Espa-nha foram abortados pelas frentes populares e ditaduras nazi-fascistas passaram a controlar importantes Estados capitalistas. Além de criar a reação fascista, como contra­ponto à URSS, o imperialismo tratou de resolver a crise de superprodução de 1929 através da II Guerra mundial.

Sob terríveis perseguições, a vanguarda revolucio­nária do proletariado, o núcleo fundador da IV Inter­nacional, foi, segundo a expressão do próprio Trots­ky, “exilado de sua própria classe”. A repressão física fatal que liquidou todo o comitê central bolchevique, os melhores elementos da geração que realizou a re­volução de 1917, também assassinou os melhores qua­dros da IV Internacional. Nem de longe esta eliminação física e objetiva pode ser comparada ao isolamento ideológico de hoje. São duas circunstâncias desfavo­ráveis que exigem táticas de sobrevivência distintas.

A atrofia política da LBI só pode ser compreendida no marco das consecutivas derrotas da classe operária nos últimos 20 anos. É preciso destacar: compreendida, mas não justificada. A LBI nasceu depois de todas as on­das do movimento de massas brasileiro (greves metalúr­gicas contra a ditadura que desembocaram na fundação do PT e da CUT, movimento nacional pelas “Diretas- Já!”, polarização eleitoral de 1989, Fora Collor) e sob a ofensiva anticomunista gestada pela principal derrota do proletariado mundial, a contrarevolução que restau­rou o capitalismo na URSS e no Leste Europeu (1989- 1991). Para piorar, se a desmoralização da era pós-URSS se abateu sobre a esquerda mundial na década de 1990, no Brasil, este quadro se agravou, particularmente, pela consolidação do mais aprimorado mecanismo de coop­tação da vanguarda operária existente no planeta, com a ascensão da frente popular ao governo federal em 2002.

A jovem corrente nasceu órfã e solitária por suas po­sições programáticas principistas, defendendo retrospec­tivamente um Estado operário, a URSS, que já não exis­tia mais e combatendo a frente popular que tornou-se o principal instrumento da dominação burguesa no Brasil e do imperialismo no continente. Neste quadro se impôs de maneira crescente um sentimento de impotência e confor­mação diante de situações cada vez mais desfavoráveis para a luta dos trabalhadores. No último período, ciente da nova ofensiva reacionária gerada pela crise econômi­ca, a LBI cristalizou um curso político de reduzir suas atividades de combate ao revisionismo no âmbito literal-virtual, dentro do pequeno mundo da fração de esquerda da frente popular que orbita em torno do PSOL e PSTU.

A QUE HERANÇA RENUNCIAMOS?

Este pequeno universo da oposição pequeno-bur­guesa tornou-se mais esquálido nas eleições de 2010, sendo esmagado pela pressão da frente popular e da oposição burguesa, reciclada em torno da simbiose petista-tucana que foi a candidatura Marina. Elegen­do como centro de sua intervenção a ala esquerda des­ta oposição pequeno-burguesa, a LBI limita-se a rea­lizar uma admoestação completamente inócua sobre o pseudotrotskismo que gravita neste meio político.

Diante da reação crescente, os revisionistas em geral vendem as derrotas da classe como se fossem vitórias. Assim, a contrarevolução na URSS foi vendida como al­gum tipo de “revolução política”; o crash financeiro mun­dial que justificou o agravamento do saque aos salários e aos direitos históricos dos trabalhadores, foi anuncia­do como o prenúncio de uma implosão do capitalismo.

O objetivo destas delirantes falsificações da realida­de é dissimular a desmoralização e a própria impotência diante da reação e euforizar a militância. Não comun­gando destes métodos, mas padecendo de mesma im­potência, a LBI cai na prostração, quando é obrigada a constatar que sua intervenção sobre o revisionismo não surte qualquer efeito político e menos ainda organizativo.

Enquanto os pseudotrotskistas desespera­dos para sair da marginalidade adaptam-se às di­reções oportunistas e às pressões da reação ideológica, adotando cada vez mais um caráter vergon­hosamente colaboracionista de aconselhadores de esquer­da da frente popular, a LBI contenta-se em fazer parte desta cadeia sendo a extrema esquerda dedicada a fazer admoestação crítica aos que aconselham a frente popular.

Os fundadores da IV Internacional foram executados pelo stalinismo e seus seguidores declinaram da tarefa de reconstruí-la, abandonando os princípios mais elemen­tares das teses da revolução permanente e do programa de transição para seguir a reboque, primeiro, do próprio stalinismo, depois da social-democracia e do nacionalis­mo burguês. Do mesmo modo e mais cedo ainda deser­taram do combate pela consciência da classe operária, onde se localiza a reserva social e política para romper com o isolamento político e a “solidão revolucionária”.

Também desprezando o trabalho paciente por formar quadros operários por fora do círculo hiperdeformado da pequena-burguesia e da aristocracia operária brasilei­ras, a LBI impôs a si um beco sem saída. Vítima pas­siva de conjunturas cada vez mais desfavoráveis à luta da classes, a LBI chegou a meados de 2010 prostrada diante da reação ideológica anticomunista pós-URSS e em especial da pressão da frente popular no Brasil.

Mesmo que se possa objetar que frente à militância virtual que caracteriza centenas de agrupamentos de es­querda do século XXI a LBI seja uma das mais ativas cor-rentes, a auto-exclusão do movimento operário, o traba-lho exclusivamente microvanguardista em uma militância sindical escolada no anticomunismo e antibolchevismo petistas, nunca construirá uma organização revolucioná­ria do proletariado. Está mais do que provado que prog­nósticos corretos, acertos políticos e iniciativas dirigidas a este tipo de gente tão profundamente desmoralizada, por mais justos que sejam, por si só não elevam a classe trabalhadora à altura de suas tarefas históricas. Na me­lhor das hipóteses, podem gerar, na expressão de Trots­ky, “um clube de discussão de alto nível” (A composição social do partido, Escritos, 10/10/1937), completamente à margem da luta para elevar a classe trabalhadora ao nível da luta por seus interesses históricos, de libertação da idiotia e da bestialidade a que está submetida para dar à história um curso diferente da barbárie imperialista.

Renunciamos à herança dos que desprezam o trabalho de elevar o proletariado à consciência bolchevique, co­mum à totalidade do revisionismo, e que a LBI não foi ca­paz de superar, nem o quis. Todas as organizações de es­querda no Brasil abandonaram o trabalho de formação de quadros operários pelo menos desde a década de 1980. As mais novas, já educadas pela escola petista, de relações completamente deformadas com a classe (trade-unismo, cretinismo parlamentar, populismo, assistencialismo), re­produzem desvios do lulismo como o PSOL e o PSTU.

Quando falamos de educação da classe não nos referi­mos a escolinhas de socialismo para estudantes e trabalha­dores, realizadas completamente à margem da luta política de partidos. Nem temos a ilusão de que os trabalhadores encontrarão o socialismo a partir do acúmulo de experiên­cias sindicalistas, movimentistas ou “de lutas”. É neces­sário o recrutamento das massas nas lutas, nos locais de trabalho e estudo para a compreensão estratégica da orga­nização política, instruí-las na ideologia comunista rumo à construção de um partido de vanguarda. Em nível imediato e direto ajudá-las a combater ao principal câncer do movi­mento de massas brasileiro, o lulismo e seus satélites que sabotam a luta de classes do caminho da revolução social.

VOLTAR AO MOVIMENTO OPERÁRIO PARA PREPARAR A NOVA GERAÇÃO DE QUADROS REVOLUCIONÁRIOS QUE SUPERARÃO A DEFORMAÇÃO DA ERA LULISTA!

Para nadar contra a corrente, enfrentar o oportunismo encastelado no Estado, seus satélites centristas adaptados ao regime em meio ao refluxo das lutas espontâneas, du­rante uma situação cinzenta, pacífica e de decaimento do espírito revolucionário, nosso trabalho precisa ser sobre­tudo paciente e abnegado. Temos claro que não há outro modo de superar o período lulista da história do movi­mento operário brasileiro sem que uma nova geração de quadros operários sejam preparados sob um programa trotskista. O que indica, portanto, que devemos começar a tarefa voltando ao movimento operário. Não há atalho.

O novo curso requer desenvolver a agitação polí­tica revolucionária sobre as massas, atividade que as pequenas organizações abandonaram ou a fazem de modo extremamente atrofiado e os centristas e gran­des partidos oportunistas a fazem de modo deforma­do. Isto não implica em qualquer desprezo pela luta teórica ou ideológica em defesa dos princípios. Sem esta propaganda não haverá formação genuinamen­te marxista e menos ainda movimento revolucionário.

A história não acabou, toda a vida política é uma luta sem fim composta de um número infinito de elos. É hora de furar o cerco oportunista restabelecendo estreitos vínculos com a classe que, por seu papel na produção, é a mais pro­gressista da sociedade atual. Sem qualquer pretensão de inventar uma fórmula nova de organização política, reivin­dicamos a luta pela construção de um partido de revolucio­nários profissionais, centralizado, conspirativo, composto pela vanguarda consciente do proletariado do século XXI.

Apropriando-se dos melhores recursos logísticos de hoje para levar adiante a tarefa, é preciso retomar os bons e velhos métodos bolcheviques de agitação, propaganda e organização política que levou mais adiante a luta pelo socialismo, que foram capazes de levar os trabalhadores conscientemente à tomada do poder através da revolução social e à instauração de sua ditadura revolucionária.

DA PROSTRAÇÃO AO CETICISMO, VÁRIOS PASSOS ATRÁS

O reconhecimento da classe operária como protago­nista histórica da revolução socialista consta nos pontos programáticos da LBI. É repetido em muitas conclusões de seus artigos. Mas converteu-se em letra morta na me­dida em que o próprio agrupamento convenceu-se após três ofensivas mundiais do imperialismo (restauração capitalista nos Estados Operários, guerra ao terror pós 11/9/2001 e crise econômica de 2008) de que não apenas a revolução não era mais uma tarefa para nossas vidas, mas que a luta pela própria construção do partido bolche­vique da classe operária já não tinha mais vigência práti­ca efetiva. Daí a conclusão catastrófica da maioria da di­reção na reunião do dia oito de setembro de 2010: “frente ao atual retrocesso ideológico na classe é impossível a um núcleo revolucionário inserir-se no proletariado”. Trata-se, nada mais, nada menos, do que da fórmula da pros­tração, como caracterizamos durante a própria reunião.

Esta concepção norteou outro passo atrás. Em meio a uma crise desagregadora com um militante da regional paulista no mês de julho de 2010, a maioria do CC, contra as posições de Humberto, decidiu por baixar as portas da regional São Paulo e reconcentrar a LBI em Fortaleza.

A decisão significava uma reversão autofágica da acertada orientação política deliberada na IV Conferên­cia da LBI, tomada cinco anos antes, que orientou o deslocamento gradual da direção política da corren­te de Fortaleza para São Paulo, justificado pelo fato de a capital paulista ser a principal cidade operária da América Latina e centro político nacional do Brasil.

E o pior é que tamanho recuo não se­guia nem um plano estratégico, apenas cris­talizava o curso de prostração da corrente.

A maioria da direção da LBI dava um passo atrás em uma orientação de estruturação que até então mar­cava uma das principais diferenças entre a ousadia da corrente e a prostração dos demais pequenos agrupa­mentos regionais. Com esta medida a LBI retrocedia do seu nacional-trotskismo para o que poderíamos chamar de forma muito otimista de municipal-trotskismo. Ao completar 15 anos de existência, 200 edições do Jornal Luta Operária e ter se tornado uma referencia política principista na vanguarda de esquerda nacional e inter­nacional, a LBI retrocedia em direção a converter-se em um organismo monocelular. A renúncia à luta pela cons­ciência da classe conduz, invariavelmente, à revisão do ABC do trotskismo. O próximo passo é responsabilizar o proletariado e não sua covarde direção política pela situação sem saída em que se encontra a humanidade.

Em nenhum país, sob nenhuma circunstância, o pro­letariado por si só foi capaz de compreender sua tarefa histórica. Somos obrigados a lembrar que a alienação ou a falta de consciência política do proletariado não são fenômenos novos para o marxismo. Muito pelo contrário, aprendemos que as ideias dominantes en­tre os trabalhadores, são as ideias das classes domi­nantes, que os operários não desenvolvem sozinhos a consciência socialista, que esta só pode ser introduzida de fora da classe pelos intelectuais materialistas dia­léticos como foram Marx, Engels, Lenin e Trotsky.

Mas, se a vanguarda marxista, oriunda da pequena bur­guesia, acomodou-se e só faz política entre si, recorrendo à classe operária apenas para lhe pedir apoio em eleições sindicais ou burguesas, como pode o trotskismo penetrar na classe? Esperar que o proletariado, sob o impacto das derrotas históricas e da educação ministrada pelo creti­nismo parlamentar, trade-unismo, onguismo, ... não retro­ceda por décadas em sua compreensão política, é idea­lizar um proletariado que não existe nem nunca existiu.

As massas repletas de contradições internas só terão sua consciência modificada em favor da revo­lução se os marxistas o fizerem. Pensar de outro modo é apostar no espontaneísmo que nada tem a ver com o leninismo. Lavar as mãos para esta tarefa, consideran­do-a “impossível” consolida o pernicioso divórcio da teoria política com a classe, conduz à ruptura progra­mática com o trotskismo e, seguramente, ao ceticismo.

EM DEFESA DA LUTA PELA CONSCIÊNCIA DOS TRABALHADORES

A derrota do proletariado da Europa em geral e grego, em particular, obrigado a pagar de maneira exemplar o cus­to da farra dos especuladores europeus e ianques depois de várias greves gerais, comprova de maneira cabal que para qualquer futuro triunfo proletário é imprescindível que as massas sejam conduzidas por uma direção revolucionária. Mesmo que entre o cinzento momento atual e a próxima “explosão”, para usar a expressão de Lenin na frase que abre este documento, dure décadas, acreditamos que o fun­damento de nossa existência deva ser criar a organização de combate e fazer a agitação política que salve o porvir.

A maioria da direção da LBI também argumenta que tais concepções de nossa parte não justificam a ruptura, uma vez que mesmo que as críticas da minoria estejam certas, a LBI “não atravessou o Rubicão”, “não rompeu programaticamente com a fronteira de classe”. A reali­dade não é bem assim. Nem a cisão entre bolcheviques e mencheviques nem a ruptura entre defensistas e derro­tistas dentro da IV Internacional, importantes divisões do marxismo pareceram essenciais ao primeiro momen­to. No entanto, depois de 15 anos sem tomar para si a tarefa de construir-se dentro do proletariado, de mais de 10 anos de isolamento nacional no plano organizati­vo, encontrando-se hoje com seu pequeno trabalho sin­dical agonizando, a crise da direção cobrou seu preço também para a LBI, levando-a a prostração ceticista.

O próprio Trotsky que no início do século XX não achou justa a ruptura entre bolcheviques e mencheviques russos, avalia, duas semanas antes de seu assassinato, a cisão, desta vez, no interior do SWP estadunidense: “Se tomarmos as diferenças políticas tais como são, pode­mos dizer que não eram suficientes para uma cisão, mas se elas desenvolveram uma tendência para se desviar do proletariado, indo em direção aos círculos pequeno- -burgueses, então essas mesmas diferenças podem ter um valor absolutamente diferente; um peso diferente; se estão ligadas com um grupo social diferente. Este é um ponto importante. (...) Isto é muito característico do intelectual desmoralizado. Vê a guerra, a terrível época que temos pela frente, com perdas, com sacrifícios, e tem medo. Começa a propagar o ceticismo e acredita que é possível unificar o ceticismo com a devoção revolucio­nária. Só podemos desenvolver uma devoção revolu­cionária se estamos certos de que é racional e possível, e não podemos ter tal certeza sem uma teoria operante. Aquele que propaga o ceticismo teórico é um traidor. (Sobre o Partido “Operário”, Leon Trotsky, 7/8/1940).

Retrocedendo em direção ao ceticismo prático a LBI estagnou com o passar dos anos. Restringiu-se a impulsio­nar um recrutamento ocasional, relativamente anárquico e empírico de sua cada vez mais limitada área de influência sindical dispersa pela inexistência sequer de plenárias da Tendência Revolucionária Sindical (TRS) em Fortaleza. Contentou-se em marcar presença testemunhal-crítica ao calendário sindical do bloco de aconselhamento pela es­querda ao lulismo conduzido pelo PSTU. Vale destacar que a crise partidária de julho se agravou após uma importan­te participação sindical da corrente no Conclat de Santos.

Realizamos brilhantes denúncias do caráter buro­cratizado, impotente e liquidacionista, oposto a armar a classe contra a frente popular, da direção da Conlutas. Todavia, a falta de uma nucleação permanente e estru­tural, de formação de quadros revolucionários agravou profundamente o isolamento político que o cerco da frente popular e seus satélites impuseram à LBI. Nossa estéril intervenção na vanguarda de esquerda do movi­mento operário é dirigida a ativistas viciados que há mui­to vivem do aparato sindical a trair a própria categoria.

A modo de conclusão, por uma década e meia reivindi­camos às raposas que não comam as galinhas, recusando-se ao trabalho de ensinar às galinhas as habilidades das águias.

A LBI é vista como um agrupamento que até pode fazer críticas e prognósticos acertados, mas que não se dispõe a lutar de forma consequente pela consciên­cia do proletariado contra o entorpecimento frente-po­pulista a que o conduzem os oportunistas que critica.

Romper com uma orientação que renuncia à disputa pela consciência do proletariado contra o oportunismo e o revisionismo é uma obrigação daqueles que têm como estratégia de vida a militância revolucionária trotskista.

As concepções do trotskismo e do ceticismo são in­conciliáveis. Recordamos uma vez mais o velho bol­chevique diante dos céticos que sob pressões hostis da reação anticomunista germinaram dentro das fileiras da IV Internacional: “Formar-se-á uma verdadeira direção revolucionária, que seja capaz de dirigir o proletaria­do rumo à conquista do poder? A Quarta Internacional responde esta questão afirmativamente, não só através do texto de seu programa, mas também através do fato mesmo de sua existência. Todas as distintas variedades de representantes desiludidos e atemorizados do pseudo-marxismo, atuam, pelo contrário, baseados na suposição de que a bancarrota da direção “reflete” somente a inca­pacidade do proletariado para levar a cabo sua missão revolucionária. Nem todos nossos opositores expressam claramente este pensamento, mas todos eles – ultraes­querdistas, centristas, anarquistas, para não mencionar os stalinistas e os socialdemocratas – descarregam sua res­ponsabilidade pelas derrotas nas costas do proletariado. Nenhum deles assinala sob que condições precisas o pro­letariado será capaz de levar a cabo a virada socialista.

Se admitirmos que é verdade que a causa das derrotas residem nas qualidades sociais do próprio prole­tariado, então a situação da sociedade moderna deverá ser considerada como desesperadora. Sob as condições do capitalismo decadente, o proletariado não cresce nem numericamente e nem culturalmente. Portanto, não existem motivos para esperar que em algum mo­mento se coloque à altura das tarefas revolucionárias.

A questão se apresenta de forma completamente di­ferente para aquele que tem claro o profundo antago­nismo que existe entre a exigência orgânica, profunda e insuperável das massas trabalhadoras para se liber­tarem do sangrento caos capitalista, e o cadáver con­servador, patriótico e completamente burguês da di­reção do movimento operário, que sobrevive por si mesma. Devemos escolher entre uma destas duas con­cepções irreconciliáveis.” (O proletariado e sua di­reção, A URSS na Guerra, Leon Trotsky, 25/09/1939).

De fato, nem todos os céticos expressam clara e for­malmente sua crença de que o proletariado tornou-se in­capaz de seguir uma estratégia revolucionária. No caso da LBI, após a nossa ruptura, a corrente vem tentando dissi­mular sua prostração com condenas literais à prostração, uma elevada dose de ufanismo, um ritmo de redação de textos frenético, acima do habitual e até com a reconsti­tuição urgente da recém liquidada regional de São Paulo. Temos razões de sobra para acreditar que estes gestos te-nham fôlego curto, visando apenas camuflar a nível bas­tante imediato a prostração cristalizada ao longo dos anos.

POR UMA VANGUARDA PROLETÁRIA DA IV INTERNACIONAL

Tomamos a iniciativa de romper com a LBI, cien­tes das pressões voluntaristas, basistas e obreiristas que ameaçam nosso novo curso. Não deixaremos de cometer erros nesta nova empreitada. A princípio nosso programa será inevitavelmente incompleto e confuso. Recorreremos ao estudo da cara experiência dos comunistas do passado para tratar de dissipar tais confusões. Sobretudo, trataremos, juntamente com os setores da classe que conosco militarem, de aprender com os erros. Não há outro modo de ter acesso direto aos trabalhadores e ganhar sua con­fiança mediante táticas corretas sem uma experiência desenvolvida em comum. Só é possível ganhar o proletariado para uma organização revolucionária estreitando os vínculos com suas camadas mais conscientes ainda não deformadas pelos numerosos tentáculos do imenso aparato governista da frente popular, incluindo as Intersindicais e a Conlutas.

Isto significa abandonar a luta nos fóruns destas entidades? De modo algum. Significa que, além disto, é preciso construir oposições de base, comunis­tas, revolucionárias dentro de cada sindicato contra as direções das centrais burocráticas controladas abertamente pelos governistas ou por seus satélites.

Contamos com a enorme vantagem de ter a favor do sucesso da tarefa a ex­trema carência que sofre o proletariado de uma organização política disposta a criar em seu meio uma militância de quadros bolcheviques armados de um programa trotskista. A tarefa do mo­mento é construir uma oposição operária e revolucionária ao governo Lula e ao governo burguês que o substituirá.

Ao cair nas mãos daqueles canalhas que sempre foram acertadamente o alvo das denúncias da LBI este documento corre o risco de provocar alguma perversa satisfação moral. Aconselhamos a estes senhores que desfrutem deste primeiro e curto instante ao máximo. De agora em diante, não poderão mais se aproveitar do fato de que a organi­zação trotskista que os condena estará isolada dos destacamentos de vanguarda da classe operária que sobre vós marcharão na luta contra a colaboração de classes e pela tomada do poder pelos trabalhadores rumo à edificação de um futuro socialista para a humanidade.

Humberto Rodrigues
fundador e ex-membro do Comitê Cen­tral da LBI, integrante do conselho edi­torial do Jornal Luta Operária e da Re­vista Marxismo Revolucionário;

Nádia Silva
ex-militante da LBI e da TRS;

Luiza Freitas
ex-militante da LBI e da TRS;

Pilar Oliveira
ex-militante da LBI e da TRS

Outubro de 2010