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domingo, 13 de setembro de 2015

BALANÇO E RESOLUÇÕES DO I CONGRESSO DA FCT

Por um partido bolchevique pela reconstrução da IV Internacional que combata o imperialismo com a tática da Frente Única e lute sob a estratégia da Revolução Permanente!
A Frente Comunista dos Trabalhadores deliberou no seu primeiro Congresso por se tornar uma nova organização centralizada, do tipo bolchevique-leninista. O Congresso foi realizado em São Paulo no primeiro fim de semana de setembro de 2015. Após quase um ano de experiência e militância comum, a Liga Comunista, o Coletivo Lenin – Fração Operária, o Espaço Marxista e a Tendência Revolucionária se encaminham por construir uma só organização.

Além disso, o Congresso deliberou por estabelecer critérios de militância comum para todos os seus membros.

Também foi indicada a realização de uma Conferência para daqui a seis meses, com o intuito de estabelecer um status superior das relações entre a FCT e outras organizações sindicais, partidárias e militantes não-organizados que estreitarem laços conosco até lá.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

BILL HUNTER ( 1920 - 2015 )

Obituario del trotskista Bill Hunter
1920-2015
por Gerry Downing, Socialist Fight, Gran Bretaña, Comité de Vinculación por la IV Internacional
english version original from Socialist Fight


El joven Bill Hunter
Este obituario busca seguir la tradición marxista, que trata de no de pasar por alto las diferencias, pero sólo para decir la verdad sobre Bill y que nos permita entenderlo a el. Por tanto, es un documento político partidista y no me disculpo por ello. Pero creo que no se puede rendir homenaje a un trotskista serio como Bill Hunter sin evaluar su debilidad, así como sus puntos fuertes. G.D.

Bill Hunter murió el 9 de julio, después de una caída en su casa de Liverpool [que provocó un accidente cerebrovascular].

En la introducción de su autobiografía, “Lifelong Apprenticeship – Life and Times of a Revolutionary” [Aprendizaje permanente – La vida y obra de un Revolucionario] da los siguientes detalles biográficos:
"Esta es una autobiografía política con una diferencia. Nacido en el seno de la clase obrera de Durham, seis años antes de la huelga general de 1926, Bill Hunter se ha mantenido fiel a su clase y dedicado su vida adulta a la lucha contra el capitalismo, y en contra de los apologistas del capitalismo en el Partido Laborista y el Partido Comunista.Un trotskista a la edad de 18 años, es ya delegado sindical de la fábrica, a los 21 y un, concejal, a los 32, Bill Hunter recibio algunos golpes duros, incluyendo la expulsión burocrática del Partido Laborista en 1954. Aquí, recuerda estas batallas con humor y anécdotas y pruebas documentales.Estas páginas son llenas de bocetos en miniatura de un trotskista y un luchador de la clase obrera de la época antes, durante y después de la Segunda Guerra Mundial: con Harry Wicks, Hugo Dewar, Reg Groves, Gerry Healy, Ted Grant, de Tony Cliff, John Lawrence y el campeón de los estibadores, Harry Constable. Hay un retrato cariñoso de la compañera de toda la vida de Bill, Rae. Los héroes del libro son los estibadores, trabajadores de construccion y los mineros en cuyas luchas Bill jugó una parte, ya sea directamente como delegado sindical o como editor durante la vida de la revista izquierdista Perspectiva Socialista (1948-1954)". [1]

terça-feira, 25 de março de 2014

FORMAÇÃO POLÍTICA: LIVRO - O FASCISMO, POR TROTSKY

Publicações Vorkuta lança segunda
edição da coletânea de textos de Trotsky:
"Facismo - O que é? Como combatê-lo?"

"Em todos os países em que o fascismo triunfou, tivemos, antes do crescimento do fascismo e da sua vitória, uma onda de radicalização de massas dos operários e dos mais pobres camponeses e fazendeiros, e da pequena-burguesia. Na Itália, depois da guerra e antes de 1922, tivemos uma onda revolucionária de grandes dimensões, o Estado foi paralisado, a policia não existia, os sindicatos podiam fazer tudo aquilo que quisessem - mas não havia um partido capaz de tomar o poder. Como reação surgiu o fascismo."

L. Trotsky, “Algumas questões sobre os Problemas Americanos”,
IVª Internacional, Outubro de 1940

A crise capitalista mundial desatada em 2008 fez ressurgir um fenômeno marginal mas todavia latente na sociedade burguesa nos últimos 70 anos, o nazi-fascismo. Recentemente, pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, defensores explícitos do nazismo tomam o poder no maior país do continente europeu até a fronteira russa, a Ucrânia.

O fascismo é um cão de guarda do capital financeiro posto para aterrorizar o proletariado em momentos de crise, para forçá-lo a submeter-se a regimes de austeridade e de superescravidão. Não por acaso ele saiu da marginalidade política na Grécia, depois de uma dezena de greves gerais sem que o proletariado tenha encontrado um instrumento que o conduzisse ao ao poder político pela via revolucionária. Como recorda Trotsky, o fascismo não aparece de súbito, ele é invocado pelo capital em meio a uma crise burguesa e durante uma crescente onda de ousadas lutas de massas sem direção revolucionária.

Os governos burgueses bonapartistas de esquerda e de direita dão munição ao fascismo e pavimentam o caminho da reação. Desde as crises capitalistas do início deste século, a América Latina sofre ondas golpista patrocinada pelo imperialismo estadunidense com a participação germinal de elementos fascistas na Bolívia, Equador, Honduras, Paraguai, Venezuela e Brasil.

A Liga Comunista, através das publicações Vorkuta, lança a segunda edição do folheto que foi compilado e impresso pela primeira vez sob este título "FASCISMO – O que é? Como combatê-lo?" pela Pioneer Publishers em Agosto de 1944 e reimpressa em 1964.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

73 ANOS SEM TROTSKY, TRÊS ANOS DA LC E O PROLETARIADO

Conquistar o proletariado, condição essencial
para a reconstrução da IV Internacional!



"Queridos amigos, não somos um partido igual aos outros. Não ambicionamos somente ter mais filiados, mais jornais, mais dinheiro, mais deputados. Tudo isso faz falta, mas não é mais que um meio. Nosso objetivo é a total libertação, material e espiritual, dos trabalhadores e dos explorados por meio da revolução socialista. Se nós não a fizermos, ninguém a preparará nem a dirigirá. As velhas internacionais estão completamente podres.” (...) “Sim, nosso partido nos toma por inteiro. Mas, em compensação, nos dá a maior das felicidades, a consciência de participar na construção de um futuro melhor, de levar sobre nossos ombros uma partícula do destino da humanidade e de não viver em vão.”"


Nesta semana refletimos sobre três situações importantes para nossa organização:

1) Estamos há 73 anos do assassinato do fundador de nossa vertente do marxismo, Leon Trotsky, que com sua elaboração deu continuidade teórica e metodológica ao marxismo no século XX, na era imperialista e após a degeneração da primeira experiência de Estado operário da história. Trotsky foi assassinado por agentes stalinistas, que encarnavam a negação revisionista do marxismo e haviam realizado uma contra-revolução política, orgânica, por dentro do partido bolchevique, expropriando politicamente a direção da URSS, a qual o próprio Trotsky, ao lado de Lenin e do partido bolchevique haviam fundado quando conduziram a luta de classes a tomada revolucionária do poder pelas massas na Rússia e repúblicas vizinhas.

UM CÂNCER PEQUENO-BURGUÊS, SHACHTMANISTA,
DESTRUIU A IV INTERNACIONAL

Trotsky fundou a IV Internacional em 1938, uma organização bolchevique internacionalista que lutava para adquirir uma influência real no movimento operário, e que chegou a dirigir importantes lutas políticas da classe em sua maior seção, o SWP estadunidense, na década de 1930, como a luta dos caminhoneiros de Minneapolis. Todavia, Trotsky sabia do risco de que tanto o SWP e sobretudo as seções menores pudessem ser hegemonizadas pela pequena burguesia.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

REVISANDO O REVISIONISMO II

A herança que nós renunciamos da
política Frente Populista do Partido Obrero
Informativo da CRCI chamando voto no MAS
boliviano, uma frente popular em forma de partido
Fustigados por uma correspondência de uma recente ruptura do Partido Obrero argentino, a Tendencia Piquetera Revolucionária (TPR), a qual reproduzimos logo abaixo, fomos levados, a LC e a TMB, a realizar um acerto de contas com nossa origem política na corrente internacional dirigida por Jorge Altamira. Tratava-se de uma tarefa até então pendente para a LC que nunca foi resolvida pelo PCO, LBI, POR ou POM, organizações brasileiras que tiveram sua origem no altamirismo e que não por acaso carregam hoje os vícios desta vertente do pseudo-trotskismo. Quando esboçaram algum balanço de sua matriz estes agrupamentos no máximo realizaram convenientemente críticas do momento de sua ruptura em diante, sob o auto-engano de que tudo era correto e principista até o momento em que foram levados a romper, recusando-se a combater pela raiz a tradição altamirista. Lamentavelmente os companheiros da TPR incorrem no mesmo equívoco. Romperam organicamente com o PO, mas seguem reivindicando o “altamirismo das origens”. Sob a mesma influência deformada encontram-se em menor ou maior grau o conjunto dos agrupamentos do CRCI que até o momento não firmaram um combate contra as concepções de “governo de toda a esquerda”, de apoio crítico ao MAS Boliviano e ao Syriza na Grécia, de formação de frentes populares “anti-austeridade”.
Qual a importância deste debate hoje? Simples. Primeiramente para disputar a consciência política dos militantes honestos que militaram ou militam na base das organizações influenciadas pelo PO, na Grécia (EEK), Itália (Partito Comunista dei Lavoratori), Venezuela (Opción Obrera), etc. e também porque a direção do PO renega  o combate trotskista contra a política de frentes populares em favor da estratégia conciliacionista de “frentes de esquerda” ao mesmo tempo em que rechaça a tática da frente única antiimperialista aderindo como papagaio ao ombro esquerdo da OTAN nas campanhas militares de re-colonização do Oriente Médio em favor das reacionárias contra-revoluções árabes na Líbia e na Síria e do aborto dos levantes populares nos demais países da região. Por tudo isto, este debate assume uma importância capital para aqueles que se reivindicam marxistas em nosso tempo e lutam por fundir o comunismo com o movimento operário ativo, para aqueles que acreditam que sem este combate não é possível assentar as bases programáticas para as táticas e estratégias revolucionárias para a atual etapa histórica.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

BRASIL 1964 – LÍBIA 2011

Derrotar a recolonização imperialista!
Pelo armamento de todo o povo líbio para derrotar a ofensiva imperialista junto a Gadafi contra quem

depois os trabalhadores acertarão as contas!
Construir uma oposição operária e

revolucionária ao governo Dilma!
Liquidar toda a máquina de guerra repressiva contra a população trabalhadora, aprimorada desde a ditadura militar e em pleno funcionamento contra nossas lutas hoje!
dO Bolchevique # 4
Operação "Brother Sam", a frota imperialista cerca a costa brasileira preparada para entrar em ação
caso os golpistas nativos não tivessem força para destituir Jango.
Como os golpistas líbios não conseguiram derrotar Gadafi , o imenso aparato militar dos EUA/OTAN entrou em ação 
Em abril de 1964, um setor das forças armadas brasileiras realizou um golpe de Estado, que na época denominou de "Revolução", contra o governo João Goulart. O golpe, articulado pela CIA, foi apoiado amplamente pelos setores mais reacionários da sociedade brasileira, como os monarquistas (da família Orleans e Bragança), e fundamentalistas católicos da TFP. Foram realizadas manifestações de massa com milhares de pessoas nas "marchas com Deus pela família e pela liberdade". Alguns setores da juventude de direita conformaram o Comando de Caça aos Comunistas e pegaram em armas contra a militância estudantil que na época apoiou Jango e lutou contra a ditadura.

Através da "Operação Brother Sam" os EUA cercaram a costa brasileira com sua frota e se prepararam para invadir o país caso os golpistas nativos não tivessem força para destituir Jango. A operação consistia no envio de 100 toneladas de armas leves e munições, navios petroleiros com capacidade para 130 mil barris de combustível, uma esquadrilha de aviões de caça, um navio de transporte de helicópteros com a carga de 50 helicópteros com tripulação e armamento completo, um super porta-aviões da categoria Forrestal, seis destroieres, um encouraçado, além de um navio de transporte de tropas, e 25 aviões C-135 para transporte de material bélico. Uma "ajudinha" aos golpistas nacionais de grande porte bélico, mas relativamente pequena se comparada ao imenso aparato destruidor da OTAN que bombardeia por semanas a Líbia. Como isto ainda não se mostrou suficiente para derrotar Gadafi,Obama declarou que está enviando mais armamentos pesados para os "rebeldes" líbios, que já vinham recebendo armas antes do início da "guerra civil", além de disponibilizar um contingente maior de "instrutores militares" do Pentágono, que atuam lá como atuaram cá. Nestes, como em todos os golpes de Estado, os acontecimentos similares não são mera coincidência, fazem parte do esquema imperialista por recolonizar e disciplinar suas semi-colônias.

O golpe no Brasil, como na Bolívia em 1964 (Barrientos) e na Argentina 1966 (Onganía), foi uma medida de contenção das aspirações autonomistas de um setor das burguesias nativas semicoloniais, animadas com o período pós-guerra, em que desenvolveram uma limitada indústria nacional substitutiva das mercadorias que até a II Guerra eram importados da Europa. Também estava orientado a conter o contágio continental da Revolução Cubana ocorrida em 1959 e, de uma forma preventiva, combater o ascenso do movimento operário mundial que teve seu pico em 1968. Vale destacar que também na Indonésia, influenciada pelas revoluções chinesa, coreana e a vietnamita ainda em curso, o imperialismo desferiu um sangrento golpe militar em 1967.

O golpe dos "revolucionários de primeiro de abril" representou o recrudescimento da repressão política a serviço do aumento da mais-valia sobre o proletariado e da pilhagem imperialista sobre as riquezas nacionais, do mesmíssimo modo como o governo Obama e o imperialismo europeu querem fazer na Líbia por trás do suposto combate à tirania de Gadafi.

O "FORA JANGO!" DO EX-TROTSKISTA DE ONTEM E O "FORA GADAFI!" DOS PSEUDO-TROTSKISTAS DE HOJE

De fato, houve três golpes dentro do golpe. Em um primeiro momento a direita civil se juntou aos golpistas. Parte do empresariado e dos governadores dos estados mais ricos da região sudeste do Brasil, como os do leste da Líbia hoje, e a quase totalidade da mídia nacional e internacional, articularam "a revolução" contra a "tirania de Jango", juntamente com os militares que romperam com o presidente.
Editorial do Correio da Manhã de 01/04/1964
reivindicando o Fora Jango, no qual o ex-trotskista Edmundo Moniz colaborou.
Hoje os pseudo-trotskistas pedem o "Fora Gadafi!" 
Alguns órgãos de mídia, como a Folha de São Paulo, disponibilizaram não só suas redações como também seus automóveis e caminhões a serviço da tortura. O editorial do jornal Correio da Manhã de primeiro de abril de 1964, escrito pelo ex-trotskista Edmundo Moniz, em parceria com Carlos Heitor Cony (hoje editorialista da Folha de São Paulo) e Otto Maria Carpeaux, exigiam o "Fora!" pedindo a deposição de Jango, contra a "guerra fratricida" pela qual o presidente seria o principal responsável, e em defesa das "liberdades democráticas". Hoje, são os pseudo-trotskistas (CST/UIT, PSTU/LIT, LER/FT, etc) que defendem o "Fora Gadafi!" contra a guerra  fratricida cujo principal responsável seria Gadafi e não os golpistas agentes da CIA, e em "defesa das liberdades democráticas" a serem alcançadas por meio da "queda revolucionária" de Gadafi. Guardadas as diferenças de cada situação, tanto a posição de ontem do ex-trotskista Moniz como a de hoje dos pseudo-trotskistas, favorecem abertamente a campanha midiática golpista do imperialismo na Líbia.

No dia três de abril de 1964, há exatos 47 anos, Lindon Gordon, embaixador dos EUA no Brasil, parabeniza Carlos Lacerda: "Vocês fizeram uma coisa formidável! Essa revolução sem sangue e tão rápida! E com isto pouparam uma situação que seria profundamete triste, desagradável e de consequências imprevisíveis no futuro de nossas relações, vocês evitaram que tivessemos que intervir no conflito". Mas, algum tempo depois do primeiro golpe, foi desferido um segundo, quando os militares "cortaram as asinhas" dos setores civis, candidatos a uma suposta eleição pós-Jango, eleição esta que Lacerda contava como ganha. Foi neste momento que vários apoiadores civis do golpe reconsideraram suas posições, incluindo os "golpistas" do Correio da Manhã.

O terceiro golpe foi quando a "linha dura" militar, mais ligada ao imperialismo e a Escola (de golpes) das Américas, decretou o AI-5 para restringir mais brutalmente os direitos civis e chegou a executar por meio de um "acidente aéreo" o general "vacilante" Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar.

O combate contra o recrudescimento do regime militar não se deu de forma consequente através dos movimentos guerrilheiros rurais (AP-MNR em Caparaó, PCdoB no Araguaia) ou urbanos (AP, MR-8, ALN, VPR, VAR-Palmares, POLOP, MOLIPO, PCBR, FALN, POCCombate) que por mais heroicos que tenham sido, e cujos mortos reivindicamos como nossos mártires, não ofereceram uma forte resistência ao regime, como o fizeram as jornadas de greves operárias em 1968 (cujo principal foco nacional foram Contagem/MG e de Osasco/SP) e 1978-1979 (ABC paulista), e de um modo limitado as mobilizações estudantis do mesmo período.

Os marxistas revolucionários, ainda que possam recorrer taticamente à guerra de guerrilhas na luta militar contra a burguesia, têm como estratégia a organização de massas do proletariado e do campesinato pela tomada do poder, e não a do foco guerrilheiro, que isola os melhores combatentes da luta anticapitalista das massas. Por isso, é uma  tática equivocada, derivada de uma política não proletária nem marxista que ceifou a vida de valorosos combatentes como Marighela e Lamarca só para citar os mais conhecidos em meio as centenas de militantes executados pela ditadura.

Na luta contra a ditadura militar como contra o golpismo de hoje na Líbia, é preciso organizar a população trabalhadora por seu lugar de trabalho, estudo  e moradia e reivindicar o armamento de todo o povo que pode lutar na mesma trincheira militar de Jango e Brizola, Sukarno, Saddam Hussein ou Gadafi, sem lhes emprestar nenhum apoio político, sem capitular ao nacionalismo burguês e os responsabilizando pela política burguesa colaboracionista que pavimentou o caminho do golpe pró-imperialista.

DE SARNEY A DILMA, A DITADURA "DEMOCRATIZADA"

A atual democracia burguesa é um avatar, uma "encarnação mítica" da ditadura do capital. Quando necessário, como se vê em qualquer greve ou manifestação de resistência dos explorados contra a ditadura capitalista, a democracia mostra os dentes, rompe com a legalidade constitucional, esmaga os direitos civis e democráticos, como na invasão policial das UPP's nos bairros proletários do Rio de Janeiro, na repressão as lutas contra o aumento das passagens nos transportes e, neste exato momento contra as greves operárias realizadas pelos trabalhadores das obras do PAC em vários locais do país.

Dilma, a "mãe do PAC" e ex-guerrilheira, é hoje quem assume a condição de gestora dos negócios da burguesia e desfere contra os trabalhadores e as trabalhadoras o ataque que ela combateu quando era militante da Organização Revolucionária Marxista - Política Operária, conhecida como Polop. É o atual governo do PT-PCdoB-PMDB e cia, composto por vários ex-guerrilheiros, o responsável por dar uma fachada popular e democrática à ditadura capitalista, por ocultar as atrocidades de ontem e de hoje, recusar-se a abrir os arquivos da ditadura militar, a punir os torturadores e militares genocidas, por aprimorar o aparato do Exército, a PF, a inteligência contrarrevolucionária da ABIN, as PMs e os BOPE's, por praticar a tortura dissimulada contra qualquer pobre preso, por manter trancafiado a serviço do imperialismo e do grande capital a Cesare Battisti, o dirigente do grupo chileno Frente Patriótica Manuel Rodríguez, Maurício Norambuena, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, da Liga dos Camponeses Pobres, dos vários movimentos de sem teto, índios, quilombolas, camelôs, dentre tantos presos políticos tornados reféns do Estado burguês por lutar de alguma forma contra o capitalismo.

Nós revolucionários não lutamos contra o golpe militar pró-imperialista por saudosismo, como se não continuassem hoje no poder os mesmos interesses burgueses que se impuseram ontem e todos os dias contra a nossa classe ou não estivesse em curso o mesmo esquema recolonialista hoje na Líbia, e que poderão se voltar até contra o próprio governo do PT no futuro.

Também não somos indiferentes entre as duas máscaras (democracia ou ditadura) da ditadura do capital, mas acreditamos que a conquista das liberdades democráticas e civis, a apuração profunda e o julgamento de todos os crimes, a punição dos executores e mandantes civis e militares, políticos e empresários capitalistas, que nenhum governo burguês e menos ainda os brasileiros foram capazes de realizar nem realizarão jamais, assim como a destruição de toda a máquina de guerra contra a população trabalhadora a serviço do imperialismo, do Brasil à Líbia, são tarefas dos trabalhadores e estudantes organizados com seus tribunais populares.

Estas tarefas democráticas só podem ser realizadas pelo método da revolução permanente, combinando as reivindicações democráticas com as socialistas, rumo à tomada do poder pelos trabalhadores e através da construção do partido mundial da revolução socialista, a IV Internacional.
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

NASCE A LIGA COMUNISTA


Contra o ceticismo, construir o partido trotskista revolucionário da classe operária!

"Nenhuma situação, por cinzenta e pacífica que seja, como tampouco nenhum período de decaimento do espírito revolucionário exclui a obrigatoriedade de trabalhar pela criação de uma organização de combate, nem de levar a cabo a agitação política; mais ainda, é precisamente em tais circunstâncias e tais períodos que é especialmente necessário o trabalho indicado porque em momentos de explosão e estouros é tarde para criar uma organização. A organização tem que estar pronta para desenvolver sua atividade imediatamente."
Lenin, Por onde começar, 1900

Apresentamos aos trabalhadores, a juventude e a van­guarda do movimento operário os motivos de nossa ruptura com a Liga Bolchevique Internacionalista.

Como em nenhuma época histórica anterior, a carên­cia de uma direção revolucionária do proletariado cobra hoje seu preço. Faz um século que o capitalismo entrou em sua decadência senil. Embora goze do maior grau já atingido pela humanidade em sua evolução tecnológica, arrasta a civilização para a barbárie, degradando o ser hu­mano e todo o resto da natureza. Concomitantemente, as correntes que se reivindicam marxistas estão reduzidas a pequenos agrupamentos de propaganda sem absoluta­mente nenhuma influência real sobre as massas proletá­rias, as únicas que podem liquidar a agonia capitalista.

Marx e Engels tinham o direito legítimo de consti­tuir uma liga de propaganda na aurora do socialismo científico. Todavia encontrar-se nesta condição 150 anos depois da elaboração do Manifesto do Partido Comu­nista não é mais um direito, mas uma deformidade re­tardatária que contribuiu decididamente com o agra­vamento das condições de vida da classe trabalhadora sob a decadência do capitalismo. A inexistência de uma direção revolucionária para a luta das massas se rela­ciona com a barbárie imperialista de forma dialética, como causa e efeito. Como Trotsky prognosticara, as condições objetivas para a revolução proletária apo­drecem e a humanidade caminha para uma catástrofe.

Também não é válido justificar a impotência atual usando como parâmetro a debilidade das primeiras or­ganizações trotskistas na década da fundação da IV In­ternacional. Trotsky e seus camaradas estavam submeti­dos a uma caçada de extermínio físico por parte da GPU (futura KGB), aos Processos de Moscou, no auge da degeneração burocrática e policialesca do primeiro Es­tado operário e da III Internacional. Simultaneamente, graças ao stalinismo, a revolução chinesa foi afogada em sangue, os processos revolucionários na França e Espa-nha foram abortados pelas frentes populares e ditaduras nazi-fascistas passaram a controlar importantes Estados capitalistas. Além de criar a reação fascista, como contra­ponto à URSS, o imperialismo tratou de resolver a crise de superprodução de 1929 através da II Guerra mundial.

Sob terríveis perseguições, a vanguarda revolucio­nária do proletariado, o núcleo fundador da IV Inter­nacional, foi, segundo a expressão do próprio Trots­ky, “exilado de sua própria classe”. A repressão física fatal que liquidou todo o comitê central bolchevique, os melhores elementos da geração que realizou a re­volução de 1917, também assassinou os melhores qua­dros da IV Internacional. Nem de longe esta eliminação física e objetiva pode ser comparada ao isolamento ideológico de hoje. São duas circunstâncias desfavo­ráveis que exigem táticas de sobrevivência distintas.

A atrofia política da LBI só pode ser compreendida no marco das consecutivas derrotas da classe operária nos últimos 20 anos. É preciso destacar: compreendida, mas não justificada. A LBI nasceu depois de todas as on­das do movimento de massas brasileiro (greves metalúr­gicas contra a ditadura que desembocaram na fundação do PT e da CUT, movimento nacional pelas “Diretas- Já!”, polarização eleitoral de 1989, Fora Collor) e sob a ofensiva anticomunista gestada pela principal derrota do proletariado mundial, a contrarevolução que restau­rou o capitalismo na URSS e no Leste Europeu (1989- 1991). Para piorar, se a desmoralização da era pós-URSS se abateu sobre a esquerda mundial na década de 1990, no Brasil, este quadro se agravou, particularmente, pela consolidação do mais aprimorado mecanismo de coop­tação da vanguarda operária existente no planeta, com a ascensão da frente popular ao governo federal em 2002.

A jovem corrente nasceu órfã e solitária por suas po­sições programáticas principistas, defendendo retrospec­tivamente um Estado operário, a URSS, que já não exis­tia mais e combatendo a frente popular que tornou-se o principal instrumento da dominação burguesa no Brasil e do imperialismo no continente. Neste quadro se impôs de maneira crescente um sentimento de impotência e confor­mação diante de situações cada vez mais desfavoráveis para a luta dos trabalhadores. No último período, ciente da nova ofensiva reacionária gerada pela crise econômi­ca, a LBI cristalizou um curso político de reduzir suas atividades de combate ao revisionismo no âmbito literal-virtual, dentro do pequeno mundo da fração de esquerda da frente popular que orbita em torno do PSOL e PSTU.

A QUE HERANÇA RENUNCIAMOS?

Este pequeno universo da oposição pequeno-bur­guesa tornou-se mais esquálido nas eleições de 2010, sendo esmagado pela pressão da frente popular e da oposição burguesa, reciclada em torno da simbiose petista-tucana que foi a candidatura Marina. Elegen­do como centro de sua intervenção a ala esquerda des­ta oposição pequeno-burguesa, a LBI limita-se a rea­lizar uma admoestação completamente inócua sobre o pseudotrotskismo que gravita neste meio político.

Diante da reação crescente, os revisionistas em geral vendem as derrotas da classe como se fossem vitórias. Assim, a contrarevolução na URSS foi vendida como al­gum tipo de “revolução política”; o crash financeiro mun­dial que justificou o agravamento do saque aos salários e aos direitos históricos dos trabalhadores, foi anuncia­do como o prenúncio de uma implosão do capitalismo.

O objetivo destas delirantes falsificações da realida­de é dissimular a desmoralização e a própria impotência diante da reação e euforizar a militância. Não comun­gando destes métodos, mas padecendo de mesma im­potência, a LBI cai na prostração, quando é obrigada a constatar que sua intervenção sobre o revisionismo não surte qualquer efeito político e menos ainda organizativo.

Enquanto os pseudotrotskistas desespera­dos para sair da marginalidade adaptam-se às di­reções oportunistas e às pressões da reação ideológica, adotando cada vez mais um caráter vergon­hosamente colaboracionista de aconselhadores de esquer­da da frente popular, a LBI contenta-se em fazer parte desta cadeia sendo a extrema esquerda dedicada a fazer admoestação crítica aos que aconselham a frente popular.

Os fundadores da IV Internacional foram executados pelo stalinismo e seus seguidores declinaram da tarefa de reconstruí-la, abandonando os princípios mais elemen­tares das teses da revolução permanente e do programa de transição para seguir a reboque, primeiro, do próprio stalinismo, depois da social-democracia e do nacionalis­mo burguês. Do mesmo modo e mais cedo ainda deser­taram do combate pela consciência da classe operária, onde se localiza a reserva social e política para romper com o isolamento político e a “solidão revolucionária”.

Também desprezando o trabalho paciente por formar quadros operários por fora do círculo hiperdeformado da pequena-burguesia e da aristocracia operária brasilei­ras, a LBI impôs a si um beco sem saída. Vítima pas­siva de conjunturas cada vez mais desfavoráveis à luta da classes, a LBI chegou a meados de 2010 prostrada diante da reação ideológica anticomunista pós-URSS e em especial da pressão da frente popular no Brasil.

Mesmo que se possa objetar que frente à militância virtual que caracteriza centenas de agrupamentos de es­querda do século XXI a LBI seja uma das mais ativas cor-rentes, a auto-exclusão do movimento operário, o traba-lho exclusivamente microvanguardista em uma militância sindical escolada no anticomunismo e antibolchevismo petistas, nunca construirá uma organização revolucioná­ria do proletariado. Está mais do que provado que prog­nósticos corretos, acertos políticos e iniciativas dirigidas a este tipo de gente tão profundamente desmoralizada, por mais justos que sejam, por si só não elevam a classe trabalhadora à altura de suas tarefas históricas. Na me­lhor das hipóteses, podem gerar, na expressão de Trots­ky, “um clube de discussão de alto nível” (A composição social do partido, Escritos, 10/10/1937), completamente à margem da luta para elevar a classe trabalhadora ao nível da luta por seus interesses históricos, de libertação da idiotia e da bestialidade a que está submetida para dar à história um curso diferente da barbárie imperialista.

Renunciamos à herança dos que desprezam o trabalho de elevar o proletariado à consciência bolchevique, co­mum à totalidade do revisionismo, e que a LBI não foi ca­paz de superar, nem o quis. Todas as organizações de es­querda no Brasil abandonaram o trabalho de formação de quadros operários pelo menos desde a década de 1980. As mais novas, já educadas pela escola petista, de relações completamente deformadas com a classe (trade-unismo, cretinismo parlamentar, populismo, assistencialismo), re­produzem desvios do lulismo como o PSOL e o PSTU.

Quando falamos de educação da classe não nos referi­mos a escolinhas de socialismo para estudantes e trabalha­dores, realizadas completamente à margem da luta política de partidos. Nem temos a ilusão de que os trabalhadores encontrarão o socialismo a partir do acúmulo de experiên­cias sindicalistas, movimentistas ou “de lutas”. É neces­sário o recrutamento das massas nas lutas, nos locais de trabalho e estudo para a compreensão estratégica da orga­nização política, instruí-las na ideologia comunista rumo à construção de um partido de vanguarda. Em nível imediato e direto ajudá-las a combater ao principal câncer do movi­mento de massas brasileiro, o lulismo e seus satélites que sabotam a luta de classes do caminho da revolução social.

VOLTAR AO MOVIMENTO OPERÁRIO PARA PREPARAR A NOVA GERAÇÃO DE QUADROS REVOLUCIONÁRIOS QUE SUPERARÃO A DEFORMAÇÃO DA ERA LULISTA!

Para nadar contra a corrente, enfrentar o oportunismo encastelado no Estado, seus satélites centristas adaptados ao regime em meio ao refluxo das lutas espontâneas, du­rante uma situação cinzenta, pacífica e de decaimento do espírito revolucionário, nosso trabalho precisa ser sobre­tudo paciente e abnegado. Temos claro que não há outro modo de superar o período lulista da história do movi­mento operário brasileiro sem que uma nova geração de quadros operários sejam preparados sob um programa trotskista. O que indica, portanto, que devemos começar a tarefa voltando ao movimento operário. Não há atalho.

O novo curso requer desenvolver a agitação polí­tica revolucionária sobre as massas, atividade que as pequenas organizações abandonaram ou a fazem de modo extremamente atrofiado e os centristas e gran­des partidos oportunistas a fazem de modo deforma­do. Isto não implica em qualquer desprezo pela luta teórica ou ideológica em defesa dos princípios. Sem esta propaganda não haverá formação genuinamen­te marxista e menos ainda movimento revolucionário.

A história não acabou, toda a vida política é uma luta sem fim composta de um número infinito de elos. É hora de furar o cerco oportunista restabelecendo estreitos vínculos com a classe que, por seu papel na produção, é a mais pro­gressista da sociedade atual. Sem qualquer pretensão de inventar uma fórmula nova de organização política, reivin­dicamos a luta pela construção de um partido de revolucio­nários profissionais, centralizado, conspirativo, composto pela vanguarda consciente do proletariado do século XXI.

Apropriando-se dos melhores recursos logísticos de hoje para levar adiante a tarefa, é preciso retomar os bons e velhos métodos bolcheviques de agitação, propaganda e organização política que levou mais adiante a luta pelo socialismo, que foram capazes de levar os trabalhadores conscientemente à tomada do poder através da revolução social e à instauração de sua ditadura revolucionária.

DA PROSTRAÇÃO AO CETICISMO, VÁRIOS PASSOS ATRÁS

O reconhecimento da classe operária como protago­nista histórica da revolução socialista consta nos pontos programáticos da LBI. É repetido em muitas conclusões de seus artigos. Mas converteu-se em letra morta na me­dida em que o próprio agrupamento convenceu-se após três ofensivas mundiais do imperialismo (restauração capitalista nos Estados Operários, guerra ao terror pós 11/9/2001 e crise econômica de 2008) de que não apenas a revolução não era mais uma tarefa para nossas vidas, mas que a luta pela própria construção do partido bolche­vique da classe operária já não tinha mais vigência práti­ca efetiva. Daí a conclusão catastrófica da maioria da di­reção na reunião do dia oito de setembro de 2010: “frente ao atual retrocesso ideológico na classe é impossível a um núcleo revolucionário inserir-se no proletariado”. Trata-se, nada mais, nada menos, do que da fórmula da pros­tração, como caracterizamos durante a própria reunião.

Esta concepção norteou outro passo atrás. Em meio a uma crise desagregadora com um militante da regional paulista no mês de julho de 2010, a maioria do CC, contra as posições de Humberto, decidiu por baixar as portas da regional São Paulo e reconcentrar a LBI em Fortaleza.

A decisão significava uma reversão autofágica da acertada orientação política deliberada na IV Conferên­cia da LBI, tomada cinco anos antes, que orientou o deslocamento gradual da direção política da corren­te de Fortaleza para São Paulo, justificado pelo fato de a capital paulista ser a principal cidade operária da América Latina e centro político nacional do Brasil.

E o pior é que tamanho recuo não se­guia nem um plano estratégico, apenas cris­talizava o curso de prostração da corrente.

A maioria da direção da LBI dava um passo atrás em uma orientação de estruturação que até então mar­cava uma das principais diferenças entre a ousadia da corrente e a prostração dos demais pequenos agrupa­mentos regionais. Com esta medida a LBI retrocedia do seu nacional-trotskismo para o que poderíamos chamar de forma muito otimista de municipal-trotskismo. Ao completar 15 anos de existência, 200 edições do Jornal Luta Operária e ter se tornado uma referencia política principista na vanguarda de esquerda nacional e inter­nacional, a LBI retrocedia em direção a converter-se em um organismo monocelular. A renúncia à luta pela cons­ciência da classe conduz, invariavelmente, à revisão do ABC do trotskismo. O próximo passo é responsabilizar o proletariado e não sua covarde direção política pela situação sem saída em que se encontra a humanidade.

Em nenhum país, sob nenhuma circunstância, o pro­letariado por si só foi capaz de compreender sua tarefa histórica. Somos obrigados a lembrar que a alienação ou a falta de consciência política do proletariado não são fenômenos novos para o marxismo. Muito pelo contrário, aprendemos que as ideias dominantes en­tre os trabalhadores, são as ideias das classes domi­nantes, que os operários não desenvolvem sozinhos a consciência socialista, que esta só pode ser introduzida de fora da classe pelos intelectuais materialistas dia­léticos como foram Marx, Engels, Lenin e Trotsky.

Mas, se a vanguarda marxista, oriunda da pequena bur­guesia, acomodou-se e só faz política entre si, recorrendo à classe operária apenas para lhe pedir apoio em eleições sindicais ou burguesas, como pode o trotskismo penetrar na classe? Esperar que o proletariado, sob o impacto das derrotas históricas e da educação ministrada pelo creti­nismo parlamentar, trade-unismo, onguismo, ... não retro­ceda por décadas em sua compreensão política, é idea­lizar um proletariado que não existe nem nunca existiu.

As massas repletas de contradições internas só terão sua consciência modificada em favor da revo­lução se os marxistas o fizerem. Pensar de outro modo é apostar no espontaneísmo que nada tem a ver com o leninismo. Lavar as mãos para esta tarefa, consideran­do-a “impossível” consolida o pernicioso divórcio da teoria política com a classe, conduz à ruptura progra­mática com o trotskismo e, seguramente, ao ceticismo.

EM DEFESA DA LUTA PELA CONSCIÊNCIA DOS TRABALHADORES

A derrota do proletariado da Europa em geral e grego, em particular, obrigado a pagar de maneira exemplar o cus­to da farra dos especuladores europeus e ianques depois de várias greves gerais, comprova de maneira cabal que para qualquer futuro triunfo proletário é imprescindível que as massas sejam conduzidas por uma direção revolucionária. Mesmo que entre o cinzento momento atual e a próxima “explosão”, para usar a expressão de Lenin na frase que abre este documento, dure décadas, acreditamos que o fun­damento de nossa existência deva ser criar a organização de combate e fazer a agitação política que salve o porvir.

A maioria da direção da LBI também argumenta que tais concepções de nossa parte não justificam a ruptura, uma vez que mesmo que as críticas da minoria estejam certas, a LBI “não atravessou o Rubicão”, “não rompeu programaticamente com a fronteira de classe”. A reali­dade não é bem assim. Nem a cisão entre bolcheviques e mencheviques nem a ruptura entre defensistas e derro­tistas dentro da IV Internacional, importantes divisões do marxismo pareceram essenciais ao primeiro momen­to. No entanto, depois de 15 anos sem tomar para si a tarefa de construir-se dentro do proletariado, de mais de 10 anos de isolamento nacional no plano organizati­vo, encontrando-se hoje com seu pequeno trabalho sin­dical agonizando, a crise da direção cobrou seu preço também para a LBI, levando-a a prostração ceticista.

O próprio Trotsky que no início do século XX não achou justa a ruptura entre bolcheviques e mencheviques russos, avalia, duas semanas antes de seu assassinato, a cisão, desta vez, no interior do SWP estadunidense: “Se tomarmos as diferenças políticas tais como são, pode­mos dizer que não eram suficientes para uma cisão, mas se elas desenvolveram uma tendência para se desviar do proletariado, indo em direção aos círculos pequeno- -burgueses, então essas mesmas diferenças podem ter um valor absolutamente diferente; um peso diferente; se estão ligadas com um grupo social diferente. Este é um ponto importante. (...) Isto é muito característico do intelectual desmoralizado. Vê a guerra, a terrível época que temos pela frente, com perdas, com sacrifícios, e tem medo. Começa a propagar o ceticismo e acredita que é possível unificar o ceticismo com a devoção revolucio­nária. Só podemos desenvolver uma devoção revolu­cionária se estamos certos de que é racional e possível, e não podemos ter tal certeza sem uma teoria operante. Aquele que propaga o ceticismo teórico é um traidor. (Sobre o Partido “Operário”, Leon Trotsky, 7/8/1940).

Retrocedendo em direção ao ceticismo prático a LBI estagnou com o passar dos anos. Restringiu-se a impulsio­nar um recrutamento ocasional, relativamente anárquico e empírico de sua cada vez mais limitada área de influência sindical dispersa pela inexistência sequer de plenárias da Tendência Revolucionária Sindical (TRS) em Fortaleza. Contentou-se em marcar presença testemunhal-crítica ao calendário sindical do bloco de aconselhamento pela es­querda ao lulismo conduzido pelo PSTU. Vale destacar que a crise partidária de julho se agravou após uma importan­te participação sindical da corrente no Conclat de Santos.

Realizamos brilhantes denúncias do caráter buro­cratizado, impotente e liquidacionista, oposto a armar a classe contra a frente popular, da direção da Conlutas. Todavia, a falta de uma nucleação permanente e estru­tural, de formação de quadros revolucionários agravou profundamente o isolamento político que o cerco da frente popular e seus satélites impuseram à LBI. Nossa estéril intervenção na vanguarda de esquerda do movi­mento operário é dirigida a ativistas viciados que há mui­to vivem do aparato sindical a trair a própria categoria.

A modo de conclusão, por uma década e meia reivindi­camos às raposas que não comam as galinhas, recusando-se ao trabalho de ensinar às galinhas as habilidades das águias.

A LBI é vista como um agrupamento que até pode fazer críticas e prognósticos acertados, mas que não se dispõe a lutar de forma consequente pela consciên­cia do proletariado contra o entorpecimento frente-po­pulista a que o conduzem os oportunistas que critica.

Romper com uma orientação que renuncia à disputa pela consciência do proletariado contra o oportunismo e o revisionismo é uma obrigação daqueles que têm como estratégia de vida a militância revolucionária trotskista.

As concepções do trotskismo e do ceticismo são in­conciliáveis. Recordamos uma vez mais o velho bol­chevique diante dos céticos que sob pressões hostis da reação anticomunista germinaram dentro das fileiras da IV Internacional: “Formar-se-á uma verdadeira direção revolucionária, que seja capaz de dirigir o proletaria­do rumo à conquista do poder? A Quarta Internacional responde esta questão afirmativamente, não só através do texto de seu programa, mas também através do fato mesmo de sua existência. Todas as distintas variedades de representantes desiludidos e atemorizados do pseudo-marxismo, atuam, pelo contrário, baseados na suposição de que a bancarrota da direção “reflete” somente a inca­pacidade do proletariado para levar a cabo sua missão revolucionária. Nem todos nossos opositores expressam claramente este pensamento, mas todos eles – ultraes­querdistas, centristas, anarquistas, para não mencionar os stalinistas e os socialdemocratas – descarregam sua res­ponsabilidade pelas derrotas nas costas do proletariado. Nenhum deles assinala sob que condições precisas o pro­letariado será capaz de levar a cabo a virada socialista.

Se admitirmos que é verdade que a causa das derrotas residem nas qualidades sociais do próprio prole­tariado, então a situação da sociedade moderna deverá ser considerada como desesperadora. Sob as condições do capitalismo decadente, o proletariado não cresce nem numericamente e nem culturalmente. Portanto, não existem motivos para esperar que em algum mo­mento se coloque à altura das tarefas revolucionárias.

A questão se apresenta de forma completamente di­ferente para aquele que tem claro o profundo antago­nismo que existe entre a exigência orgânica, profunda e insuperável das massas trabalhadoras para se liber­tarem do sangrento caos capitalista, e o cadáver con­servador, patriótico e completamente burguês da di­reção do movimento operário, que sobrevive por si mesma. Devemos escolher entre uma destas duas con­cepções irreconciliáveis.” (O proletariado e sua di­reção, A URSS na Guerra, Leon Trotsky, 25/09/1939).

De fato, nem todos os céticos expressam clara e for­malmente sua crença de que o proletariado tornou-se in­capaz de seguir uma estratégia revolucionária. No caso da LBI, após a nossa ruptura, a corrente vem tentando dissi­mular sua prostração com condenas literais à prostração, uma elevada dose de ufanismo, um ritmo de redação de textos frenético, acima do habitual e até com a reconsti­tuição urgente da recém liquidada regional de São Paulo. Temos razões de sobra para acreditar que estes gestos te-nham fôlego curto, visando apenas camuflar a nível bas­tante imediato a prostração cristalizada ao longo dos anos.

POR UMA VANGUARDA PROLETÁRIA DA IV INTERNACIONAL

Tomamos a iniciativa de romper com a LBI, cien­tes das pressões voluntaristas, basistas e obreiristas que ameaçam nosso novo curso. Não deixaremos de cometer erros nesta nova empreitada. A princípio nosso programa será inevitavelmente incompleto e confuso. Recorreremos ao estudo da cara experiência dos comunistas do passado para tratar de dissipar tais confusões. Sobretudo, trataremos, juntamente com os setores da classe que conosco militarem, de aprender com os erros. Não há outro modo de ter acesso direto aos trabalhadores e ganhar sua con­fiança mediante táticas corretas sem uma experiência desenvolvida em comum. Só é possível ganhar o proletariado para uma organização revolucionária estreitando os vínculos com suas camadas mais conscientes ainda não deformadas pelos numerosos tentáculos do imenso aparato governista da frente popular, incluindo as Intersindicais e a Conlutas.

Isto significa abandonar a luta nos fóruns destas entidades? De modo algum. Significa que, além disto, é preciso construir oposições de base, comunis­tas, revolucionárias dentro de cada sindicato contra as direções das centrais burocráticas controladas abertamente pelos governistas ou por seus satélites.

Contamos com a enorme vantagem de ter a favor do sucesso da tarefa a ex­trema carência que sofre o proletariado de uma organização política disposta a criar em seu meio uma militância de quadros bolcheviques armados de um programa trotskista. A tarefa do mo­mento é construir uma oposição operária e revolucionária ao governo Lula e ao governo burguês que o substituirá.

Ao cair nas mãos daqueles canalhas que sempre foram acertadamente o alvo das denúncias da LBI este documento corre o risco de provocar alguma perversa satisfação moral. Aconselhamos a estes senhores que desfrutem deste primeiro e curto instante ao máximo. De agora em diante, não poderão mais se aproveitar do fato de que a organi­zação trotskista que os condena estará isolada dos destacamentos de vanguarda da classe operária que sobre vós marcharão na luta contra a colaboração de classes e pela tomada do poder pelos trabalhadores rumo à edificação de um futuro socialista para a humanidade.

Humberto Rodrigues
fundador e ex-membro do Comitê Cen­tral da LBI, integrante do conselho edi­torial do Jornal Luta Operária e da Re­vista Marxismo Revolucionário;

Nádia Silva
ex-militante da LBI e da TRS;

Luiza Freitas
ex-militante da LBI e da TRS;

Pilar Oliveira
ex-militante da LBI e da TRS

Outubro de 2010