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sábado, 9 de abril de 2011

A QUESTÃO LÍBIA E O REVISIONISMO DA CMI

Liga Comunista combate posições de Alan Woods e da CMI na USP

No dia 06 de abril, a corrente Esquerda Marxista do PT (EMPT), seção brasileira da Corrente Marxista Internacional (CMI) promoveu uma Conferência com Alan Woods, na Universidade de São Paulo, com o tema “A revolução dos povos árabes e a crise capitalista mundial”.


SOBRE A CMI E A EMPT

A CMI foi fundada por Woods e Ted Grant, depois que ambos foram expulsos do “The Militant” inglês, em 1991, pela maioria dirigida por Peter Taaffe (que logo depois viria a fundar o Committee for a Workers' International, CWI, ao qual é filiado a corrente LSR, do PSOL).

O “Militant” foi uma grande corrente de esquerda do Labour Party (laborismo) até a expulsão de seus principais dirigentes em 1982. Depois de décadas de entrismo sem princípios no laborismo e quase dez anos após a expulsão do “Militant”, a tendência majoritária de Taaffe defendeu a criação de um partido independente e a fração de Woods e Grant reivindicava a continuidade do entrismo. Quando o Labour Party negou-se a lutar contra o poll-tax, imposto por cabeça, que o Partido Conservador queria obrigar a população trabalhadora a pagar, Grant e Woods se opuseram a denunciar o laborismo, considerando “sectarismo” desmascarar a política antioperária e colaboracionista deste partido imperialista para os trabalhadores de seu país.

O CMI é a maior expressão atual do pablismo. Michel Pablo foi o dirigente da IV Internacional que defendeu a liquidação da tendência internacional do marxismo fundada por Trotsky, realizando um entrismo estratégico nos stalinistas Partidos Comunistas. Os seguidores do pablismo estenderam esta concepção liquidacionista do trotskismo para fazer entrismo no laborismo, na social democracia e no nacionalismo burguês. Seguindo esta regra, na Inglaterra a CMI permanece dentro do imperialista Labour Party, no Brasil dentro do PT, no Paquistão dentro do PPP e, na Venezuela, do PSUV. Woods se orgulha de ser o conselheiro “trotskista” de Chavez e sua V Internacional.

A CMI, assim como o CWI, reivindicam como herança programática do “The Militant”, a política em favor de sua própria burguesia imperialista contra a nação oprimida Argentina na guerra das Malvinas; contra a autodeterminação da Irlanda do Norte, além da defesa do Estado nazi-sionista de Israel contra a luta pela emancipação nacional palestina.

Em 2010, a maioria das seções da CMI da Espanha, Venezuela e Colômbia romperam e criaram a Corrente Marxista Revolucionária, ficando com a maior parte dos aparatos partidários, particularmente nas duas primeiras seções e realizando ainda mais culto ao personalismo chavista. Na Espanha, a Fundação Frederico Engels e o Sindicato dos Estudantes ficaram com a ruptura.

A Esquerda Marxista do PT nasceu de uma ruptura com a corrente lambertista O Trabalho e ligou-se à CMI, convertendo-se em uma corrente chavista. A EMPT administra desde 2002 algumas fábricas ocupadas no Brasil, Todavia, alí não existe controle operário da produção, mas uma administração capitalista “alternativa”, onde a direção da EMPT, que gerencia as fábricas, prioriza o pagamento de agiotas, com quem se associa, e atrasa os salários dos operários. A EMPT apoiou Lula e Dilma sem sequer lançar candidatura própria da corrente para disputar a indicação presidenciável do partido contra a candidata das empreiteiras e a “mãe do PAC”.

O MITO DA “INSURREIÇÃO POPULAR” NA LÍBIA

A atividade deste dia 06 foi realizada na USP e fez parte de um giro internacional da corrente de Woods para surfar na “onda revolucionária nos países árabes” (da brochura que A .Woods veio lançar em suas Conferências, “Tremores Revolucionários: uma análise marxista da atual onda revolucionária nos países árabes”). A LC considera que não existe uma “onda revolucionária” nem “processos revolucionários”, mas revoltas populares que pela ausência da classe operária organizada e menos ainda de partidos revolucionários na condução destes processos, são logo desviados pelo imperialismo e seus agentes fantoches. Estes processos vem sendo controlados pelos remanescentes dos regimes déspotas destituídos nos casos da Tunísia e Egito e pela oposição burguesa, para aprofundar a política de expansão do capital financeiro, com o aumento da exploração sobre os trabalhadores e das riquezas energéticas e naturais desta região.

Não estão ocorrendo “revoluções” nem na Tunísia nem no Egito, mas a substituição controlada pelo imperialismo de governos títeres desgastados, por outros governos burgueses supostamente mais democráticos. A situação da Líbia é distinta dos dois primeiros países porque alí se trata, desde sua origem, de uma mobilização golpista armada pela CIA para substituir o regime de Trípoli por outro governo que realize uma nova e mais profunda partilha do petróleo do país.

Contestando a tese da CMI, compartilhada pela quase totalidade da esquerda mundial, que defende a mobilização golpista patrocinada pela CIA na Líbia, uma militante da Liga Comunista interpelou Woods:

“Eu sou estudante do curso de História da USP e sou membro da Liga Comunista, e queria contribuir com o debate fazendo uma polêmica com a CMI e com o Alan Woods. Eu queria lembrar que em 2002 a gente assistiu a um golpe de Estado na Venezuela, que foi organizado pela CIA e teve o apoio da burguesia venezuelana. Neste momento, neste contexto, os marxistas internacionalistas não poderiam ter outra posição senão a de combater este golpe imperialista e fazer uma frente única militar com o Chavez para expulsar o imperialismo da Venezuela. Hoje o imperialismo se aproveita das revoltas que estão acontecendo no Egito e na Tunísia pra justificar o que ele está fazendo na Líbia. Ele está armando seus agentes dentro da Líbia para tentar recolonizar, com uma intenção clara de recolonizar o país que é o terceiro maior produtor de petróleo da África. E hoje, a CMI, assim como o PSOL e o PSTU e grande parte da esquerda se coloca em apoio a estes golpistas internos, apoiados pelo imperialismo, na Líbia e chamam isto de "revolução". O que eles chamam de "revolução" são estes golpistas que reclamam pelo bombardeio da OTAN sobre o seu próprio povo. Nós sabemos que o Gadafi não merece nenhuma confiança nossa, é um governo burguês e que nós temos todos os motivos do mundo para odiá-lo como ditador. Mas em uma guerra a gente tem que tomar uma posição, tem que escolher, ou a gente vai apoiar o imperialismo que está invadindo a Líbia de uma forma arbitrária, bombardeando civis com o pretexto de fazer uma "ajuda humanitária", talvez a mesma "ajuda humanitária" que fez em Guantânamo, no Iraque e no Afeganistão e em outros países. Então, a nossa posição é estabelecer neste momento, para expulsar o imperialismo que está armando seus agentes dentro da Líbia, é fazer uma frente única militar com Gadafi, expulsar o imperialismo e depois acertar as contas com o ditador Gadafi. Então, esta é a posição que a LC coloca e coloca também que a derrota do imperialismo na Líbia vai favorecer também a que consigamos derrotar o seus governos no Egito, na Tunísia e em todos os países.”

Esta intervenção da LC desmascarou Woods em sua própria Conferência. O dirigente da CMI respondeu argumentando:


“Sobre a questão da Líbia há muita confusão sobre este tema. Ponto número um: Na Líbia ocorreu uma insurreição popular. Temos que apoiar isto, sim ou não? Eu digo sim! 100% sim! É verdade que existem outros elementos, há elementos dúbios aí, Inclusive o ex-ministro de Gadafi e os demais. Mas não podemos apoiar Gadafi sob nenhuma condição. Eu tenho uma excelente relação com o presidente Chavez, mas sobre este tema eu tenho total desacordo com ele.”

O que Woods chama de “insurreição popular” a qual apoia 100% não passa de um complô armado pela CIA que, como afirmou nossa camarada em sua intervenção, aproveitou-se dos levantes populares da região para aplicar o golpe em seu adversário Gadafi a fim de recolonizar o país. Em segundo lugar, o único elemento que quer parecer dúbio entre uma nação oprimida e uma ofensiva imperialista é o próprio Woods, pois não há elementos dúbios entre os trânsfugas do alto comando do exercito, do corpo diplomático e da magistratura líbia com empresários, multinacionais e chefes tribais candidatos a fantoches do imperialismo apoiados em setores de classe média da região mais rica do país, setores tão reacionários quanto os “esquálidos” venezuelanos ou os fascistas secessionistas bolivianos.

A maior prova de que os “rebeldes” líbios não passam de carniceiros agentes do imperialismo é o fato de invocarem o bombardeio da OTAN contra o seu próprio povo, como fizeram os colaboracionistas em todos os momentos da luta de classes desde Thiers, na Comuna de Paris (1871), até hoje.

A cada dia que passa fica mais evidente que os agentes do imperialismo não só são meros abre-alas, aríetes para a intervenção multinacional no país, como se declaram abertamente racistas e xenófobos, inimigos da classe operária negra subsaariana que compõem uma imensa massa de trabalhadores na Líbia, perseguindo a todos em nome da caçada aos “mercenários de Gadafi” para de fato desvalorizar ainda mais a força de trabalho no país, preparando-o para a superexploração da nova era de extrema rapina imperialista.

Depois que o caudilho venezuelano, a serviço da boliburguesia venezuelana e do capital multinacional, reprimiu de maneira brutal os operários de seu país em luta na Fábrica de Sanitários Maracay, na Sidor e na Mitsubich, Woods estabeleceu “uma excelente relação com o presidente Chavez”. Mas quando Gadafi reprime aos golpistas da CIA, o dirigente da CMI declara que não apoia Gadafi sob nenhuma condição, enquanto apóia Chavez em tudo mais, à exceção da defesa vacilante que o caudilho venezuelano faz do caudilho líbio. Discordamos da posição de Chavez e Castro porque “apesar de se oporem à intervenção militar imperialista no país africano, propõem ao regime de Trípoli várias medidas e fóruns diplomáticos de capitulação e renuncia à soberania do país. Tais medidas, se levadas a termo, na melhor das hipóteses, manteriam temporariamente o atual governo no poder ao custo de maiores concessões politicas e econômicas do que as que já fez Gadafi nos últimos oito anos e que, certamente provocariam enormes perdas aos trabalhadores na Líbia em favor de uma nova partilha imperialista da nação árabe tal como acabou de ser promovida no Sudão.” (ESPECIAL ÁFRICA DO NORTE E ORIENTE MÉDIO 4/4, “SU, CMI, L5I, LIT, UIT, PO, FT, FLTI: finalmente as “Internacionais” revisionistas se ‘reunificam’ em Bengasi”, dO Bolchevique #4, abril/2011). Mas, temos que reconhecê-lo, neste assunto, as posições do “conselheiro trotskista britânico” são muito mais servis ao imperialismo do que as do aconselhado mandatário venezuelano.

CMI E EMPT SÃO CRIAÇÕES DO DOMESTICADO “TROTSKISMO” LABORISTA E PETISTA

A Woods se aplica perfeitamente a crítica que uma vez Trotsky fizera da submissa direção do movimento operário britânico:

“Os criadores de pombos ingleses conseguiram, por seleção artificial, criar uma variedade de bicos cada vez mais curtos. Mas chegou o momento em que o bico do pombo pintinho se tornou tão curto que o pobre animal não consegue romper o ovo e morre na casca, vítima da abstenção forçada a toda a violência, comprometendo até o progresso futuro da variedade de bicos curtos. Se nossa memória não falha, Macdonald pode ler este exemplo em Darwin. Seguindo o caminho, tão agradável a Macdonald, das analogias com o mundo orgânico, se pode dizer que a habilidade política da burguesia inglesa consiste em encurtar o bico revolucionário do proletariado a fim de não permitir que ele fure a casca do Estado capitalista. O bico do proletariado é seu partido. Tomando em conta a Macdonald, Thomas, Sr e Sra. Snowden, é preciso reconhecer que o trabalho de seleção dos bicos curtos e das cabeças brandas tem sido um êxito brilhante para a burguesia inglesa, já que estes senhores e essa dama não são bons para perfurar a casca do capitalismo nem são bons para nada”
(Sobre certas particularidades dos dirigentes operários ingleses, em "Aonde vai a Inglaterra?", 03/05/1926).

Ainda que não depositemos a menor confiança que Gadafi vá lutar de forma consequente para derrotar a ofensiva da OTAN e dos EUA, ainda bem que a luta anti-imperialista na Líbia não depende dos conselhos de Woods. Se dependesse, ela seguramente morreria dentro da casca, como morreria também a luta pela emancipação nacional irlandesa e da palestina.

Apesar das aparentes diferenças políticas, em essência, as organizações EMPT, DS e OT no PT, CST e LSR no PSOL, e PSTU compartilham dos mesmos vícios tradeunistas devido a habilidade da burguesia brasileira de encurtar o bico revolucionário do trotskismo nacional, através da escola laborista do PT.

POR TRÁS DO “NÃO À INTERVENÇÃO IMPERIALISTA”, 100% DE APOIO AOS GOLPISTAS QUE REIVINDICAM A INTERVENÇÃO DA OTAN

No balanço que realizou sobre a Conferência, a EMPT apresenta do seguinte modo a intervenção da companheira da LC: “O discurso foi seguido por uma sessão de perguntas e debate, durante o qual alguns sectários descontentes tentaram, sem sucesso, provocar o palestrante sobre o tema da Líbia mais uma vez, buscando ligar o posicionamento de Chávez com a posição da Corrente Marxista Internacional... Os sectários haviam declarado que a posição correta para os marxistas deveria ser a de fazer uma frente única militar com Gadafi contra os imperialistas.” (Alan Woods fala sobre a crise capitalista mundial e a revolução árabe na USP, site da EMPT, 07/04/2011). http://www.marxismo.org.br/index.php?pg=artigos_detalhar&artigo=735; http://www.marxist.com/brazil-alan-woods-university-sao-paulo.htm.

No desespero de não se contrapor à opinião pública imperialista anti-Gadafi, a corrente de Woods trata de repudiar qualquer suspeita de tentarem identificar suas posições incondionalmente anti-Gadafistas com as de Chavez sobre a Líbia e mente de forma descarada, acusando a Liga Comunista de “buscar ligar o posicionamento de Chavez com a da CMI”. Na verdade, como fica evidente no vídeo, o que a EMPT acusa de “provocação” foi o fato da LC ter desmascarado que por trás do “não À intervenção imperialista na Líbia” de Woods está o seu apoio aos golpistas que reivindicam a intervenção imperialista.

Fica evidente pelo balanço feito pela EMPT quem são os verdadeiros sectários no debate, quem usa métodos burocráticos contra seus adversários esquivando-se sequer de nominá-los. Todavia, tomamos como elogio sermos acusados de sectários pela corrente que por décadas liquidou o trotskismo na Inglaterra na condição de ala esquerda do imperialismo laborista, a corrente oportunista que já há 20 anos considerava “sectário” denunciar o saque cometido pela sua própria burguesia imperialista sobre a população trabalhadora inglesa. Se nós da Liga Comunista somos sectários, a “internacional” de Woods é algo estranho ao marxismo revolucionário e nós da LC buscamos criar um Partido Mundial dos Trabalhadores que em nada se assemelhe a esta prostituição do marxismo a serviço do imperialismo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

BRASIL 1964 – LÍBIA 2011

Derrotar a recolonização imperialista!
Pelo armamento de todo o povo líbio para derrotar a ofensiva imperialista junto a Gadafi contra quem

depois os trabalhadores acertarão as contas!
Construir uma oposição operária e

revolucionária ao governo Dilma!
Liquidar toda a máquina de guerra repressiva contra a população trabalhadora, aprimorada desde a ditadura militar e em pleno funcionamento contra nossas lutas hoje!
dO Bolchevique # 4
Operação "Brother Sam", a frota imperialista cerca a costa brasileira preparada para entrar em ação
caso os golpistas nativos não tivessem força para destituir Jango.
Como os golpistas líbios não conseguiram derrotar Gadafi , o imenso aparato militar dos EUA/OTAN entrou em ação 
Em abril de 1964, um setor das forças armadas brasileiras realizou um golpe de Estado, que na época denominou de "Revolução", contra o governo João Goulart. O golpe, articulado pela CIA, foi apoiado amplamente pelos setores mais reacionários da sociedade brasileira, como os monarquistas (da família Orleans e Bragança), e fundamentalistas católicos da TFP. Foram realizadas manifestações de massa com milhares de pessoas nas "marchas com Deus pela família e pela liberdade". Alguns setores da juventude de direita conformaram o Comando de Caça aos Comunistas e pegaram em armas contra a militância estudantil que na época apoiou Jango e lutou contra a ditadura.

Através da "Operação Brother Sam" os EUA cercaram a costa brasileira com sua frota e se prepararam para invadir o país caso os golpistas nativos não tivessem força para destituir Jango. A operação consistia no envio de 100 toneladas de armas leves e munições, navios petroleiros com capacidade para 130 mil barris de combustível, uma esquadrilha de aviões de caça, um navio de transporte de helicópteros com a carga de 50 helicópteros com tripulação e armamento completo, um super porta-aviões da categoria Forrestal, seis destroieres, um encouraçado, além de um navio de transporte de tropas, e 25 aviões C-135 para transporte de material bélico. Uma "ajudinha" aos golpistas nacionais de grande porte bélico, mas relativamente pequena se comparada ao imenso aparato destruidor da OTAN que bombardeia por semanas a Líbia. Como isto ainda não se mostrou suficiente para derrotar Gadafi,Obama declarou que está enviando mais armamentos pesados para os "rebeldes" líbios, que já vinham recebendo armas antes do início da "guerra civil", além de disponibilizar um contingente maior de "instrutores militares" do Pentágono, que atuam lá como atuaram cá. Nestes, como em todos os golpes de Estado, os acontecimentos similares não são mera coincidência, fazem parte do esquema imperialista por recolonizar e disciplinar suas semi-colônias.

O golpe no Brasil, como na Bolívia em 1964 (Barrientos) e na Argentina 1966 (Onganía), foi uma medida de contenção das aspirações autonomistas de um setor das burguesias nativas semicoloniais, animadas com o período pós-guerra, em que desenvolveram uma limitada indústria nacional substitutiva das mercadorias que até a II Guerra eram importados da Europa. Também estava orientado a conter o contágio continental da Revolução Cubana ocorrida em 1959 e, de uma forma preventiva, combater o ascenso do movimento operário mundial que teve seu pico em 1968. Vale destacar que também na Indonésia, influenciada pelas revoluções chinesa, coreana e a vietnamita ainda em curso, o imperialismo desferiu um sangrento golpe militar em 1967.

O golpe dos "revolucionários de primeiro de abril" representou o recrudescimento da repressão política a serviço do aumento da mais-valia sobre o proletariado e da pilhagem imperialista sobre as riquezas nacionais, do mesmíssimo modo como o governo Obama e o imperialismo europeu querem fazer na Líbia por trás do suposto combate à tirania de Gadafi.

O "FORA JANGO!" DO EX-TROTSKISTA DE ONTEM E O "FORA GADAFI!" DOS PSEUDO-TROTSKISTAS DE HOJE

De fato, houve três golpes dentro do golpe. Em um primeiro momento a direita civil se juntou aos golpistas. Parte do empresariado e dos governadores dos estados mais ricos da região sudeste do Brasil, como os do leste da Líbia hoje, e a quase totalidade da mídia nacional e internacional, articularam "a revolução" contra a "tirania de Jango", juntamente com os militares que romperam com o presidente.
Editorial do Correio da Manhã de 01/04/1964
reivindicando o Fora Jango, no qual o ex-trotskista Edmundo Moniz colaborou.
Hoje os pseudo-trotskistas pedem o "Fora Gadafi!" 
Alguns órgãos de mídia, como a Folha de São Paulo, disponibilizaram não só suas redações como também seus automóveis e caminhões a serviço da tortura. O editorial do jornal Correio da Manhã de primeiro de abril de 1964, escrito pelo ex-trotskista Edmundo Moniz, em parceria com Carlos Heitor Cony (hoje editorialista da Folha de São Paulo) e Otto Maria Carpeaux, exigiam o "Fora!" pedindo a deposição de Jango, contra a "guerra fratricida" pela qual o presidente seria o principal responsável, e em defesa das "liberdades democráticas". Hoje, são os pseudo-trotskistas (CST/UIT, PSTU/LIT, LER/FT, etc) que defendem o "Fora Gadafi!" contra a guerra  fratricida cujo principal responsável seria Gadafi e não os golpistas agentes da CIA, e em "defesa das liberdades democráticas" a serem alcançadas por meio da "queda revolucionária" de Gadafi. Guardadas as diferenças de cada situação, tanto a posição de ontem do ex-trotskista Moniz como a de hoje dos pseudo-trotskistas, favorecem abertamente a campanha midiática golpista do imperialismo na Líbia.

No dia três de abril de 1964, há exatos 47 anos, Lindon Gordon, embaixador dos EUA no Brasil, parabeniza Carlos Lacerda: "Vocês fizeram uma coisa formidável! Essa revolução sem sangue e tão rápida! E com isto pouparam uma situação que seria profundamete triste, desagradável e de consequências imprevisíveis no futuro de nossas relações, vocês evitaram que tivessemos que intervir no conflito". Mas, algum tempo depois do primeiro golpe, foi desferido um segundo, quando os militares "cortaram as asinhas" dos setores civis, candidatos a uma suposta eleição pós-Jango, eleição esta que Lacerda contava como ganha. Foi neste momento que vários apoiadores civis do golpe reconsideraram suas posições, incluindo os "golpistas" do Correio da Manhã.

O terceiro golpe foi quando a "linha dura" militar, mais ligada ao imperialismo e a Escola (de golpes) das Américas, decretou o AI-5 para restringir mais brutalmente os direitos civis e chegou a executar por meio de um "acidente aéreo" o general "vacilante" Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar.

O combate contra o recrudescimento do regime militar não se deu de forma consequente através dos movimentos guerrilheiros rurais (AP-MNR em Caparaó, PCdoB no Araguaia) ou urbanos (AP, MR-8, ALN, VPR, VAR-Palmares, POLOP, MOLIPO, PCBR, FALN, POCCombate) que por mais heroicos que tenham sido, e cujos mortos reivindicamos como nossos mártires, não ofereceram uma forte resistência ao regime, como o fizeram as jornadas de greves operárias em 1968 (cujo principal foco nacional foram Contagem/MG e de Osasco/SP) e 1978-1979 (ABC paulista), e de um modo limitado as mobilizações estudantis do mesmo período.

Os marxistas revolucionários, ainda que possam recorrer taticamente à guerra de guerrilhas na luta militar contra a burguesia, têm como estratégia a organização de massas do proletariado e do campesinato pela tomada do poder, e não a do foco guerrilheiro, que isola os melhores combatentes da luta anticapitalista das massas. Por isso, é uma  tática equivocada, derivada de uma política não proletária nem marxista que ceifou a vida de valorosos combatentes como Marighela e Lamarca só para citar os mais conhecidos em meio as centenas de militantes executados pela ditadura.

Na luta contra a ditadura militar como contra o golpismo de hoje na Líbia, é preciso organizar a população trabalhadora por seu lugar de trabalho, estudo  e moradia e reivindicar o armamento de todo o povo que pode lutar na mesma trincheira militar de Jango e Brizola, Sukarno, Saddam Hussein ou Gadafi, sem lhes emprestar nenhum apoio político, sem capitular ao nacionalismo burguês e os responsabilizando pela política burguesa colaboracionista que pavimentou o caminho do golpe pró-imperialista.

DE SARNEY A DILMA, A DITADURA "DEMOCRATIZADA"

A atual democracia burguesa é um avatar, uma "encarnação mítica" da ditadura do capital. Quando necessário, como se vê em qualquer greve ou manifestação de resistência dos explorados contra a ditadura capitalista, a democracia mostra os dentes, rompe com a legalidade constitucional, esmaga os direitos civis e democráticos, como na invasão policial das UPP's nos bairros proletários do Rio de Janeiro, na repressão as lutas contra o aumento das passagens nos transportes e, neste exato momento contra as greves operárias realizadas pelos trabalhadores das obras do PAC em vários locais do país.

Dilma, a "mãe do PAC" e ex-guerrilheira, é hoje quem assume a condição de gestora dos negócios da burguesia e desfere contra os trabalhadores e as trabalhadoras o ataque que ela combateu quando era militante da Organização Revolucionária Marxista - Política Operária, conhecida como Polop. É o atual governo do PT-PCdoB-PMDB e cia, composto por vários ex-guerrilheiros, o responsável por dar uma fachada popular e democrática à ditadura capitalista, por ocultar as atrocidades de ontem e de hoje, recusar-se a abrir os arquivos da ditadura militar, a punir os torturadores e militares genocidas, por aprimorar o aparato do Exército, a PF, a inteligência contrarrevolucionária da ABIN, as PMs e os BOPE's, por praticar a tortura dissimulada contra qualquer pobre preso, por manter trancafiado a serviço do imperialismo e do grande capital a Cesare Battisti, o dirigente do grupo chileno Frente Patriótica Manuel Rodríguez, Maurício Norambuena, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, da Liga dos Camponeses Pobres, dos vários movimentos de sem teto, índios, quilombolas, camelôs, dentre tantos presos políticos tornados reféns do Estado burguês por lutar de alguma forma contra o capitalismo.

Nós revolucionários não lutamos contra o golpe militar pró-imperialista por saudosismo, como se não continuassem hoje no poder os mesmos interesses burgueses que se impuseram ontem e todos os dias contra a nossa classe ou não estivesse em curso o mesmo esquema recolonialista hoje na Líbia, e que poderão se voltar até contra o próprio governo do PT no futuro.

Também não somos indiferentes entre as duas máscaras (democracia ou ditadura) da ditadura do capital, mas acreditamos que a conquista das liberdades democráticas e civis, a apuração profunda e o julgamento de todos os crimes, a punição dos executores e mandantes civis e militares, políticos e empresários capitalistas, que nenhum governo burguês e menos ainda os brasileiros foram capazes de realizar nem realizarão jamais, assim como a destruição de toda a máquina de guerra contra a população trabalhadora a serviço do imperialismo, do Brasil à Líbia, são tarefas dos trabalhadores e estudantes organizados com seus tribunais populares.

Estas tarefas democráticas só podem ser realizadas pelo método da revolução permanente, combinando as reivindicações democráticas com as socialistas, rumo à tomada do poder pelos trabalhadores e através da construção do partido mundial da revolução socialista, a IV Internacional.
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sábado, 26 de março de 2011

EUA

Brutal ataque aos direitos salariais e sindicais dos trabalhadores, Minuteman, Tea Party, recolonização
“democrática”... Obama choca o ovo da serpente

dO Bolchevique #3

Gráfico do valor das horas trabalhadas entre 2001 e 2010
mostra a desvalorização da força de trabalho na Europa e nos EUA
No Estado de Wisconsin, o governador republicano tomou uma medida brutal contra o funcionalismo público que, se não for derrotada, servirá de exemplo para que os capitalistas e seus governos estendam este ataque aos trabalhadores de todo o mundo.

O projeto de lei apresentado por Scott Walker: 1) liquida a negociação coletiva dos empregados públicos sobre a aposentadoria e outros benefícios sociais; 2) reduz a possibilidade de que haja aumentos salariais maiores que a inflação oficial, ou seja, anula a possibilidade de qualquer aumento real de salários, a menos que tal aumento seja aprovado em referendo pela maioria dos votantes; 3) autoriza que os trabalhadores deixem de pagar o imposto sindical e que a filiação aos sindicatos precise ser renovada anualmente; 4) estabelece que os empregados públicos realizem uma contribuição por seus planos de pensão e seguros de saúde.

Encabeçado pelo governador de Wisconsin e patrocinado por Obama, o arrocho fiscal que toma forma nos Estados Unidos faz parte do grande ajuste de contas tendo como justificativa a crise econômica que se abateu no país desde 2007. Justificativa sim, porque a grande burguesia planetária nunca esteve tão rica como agora.

Os lucros das empresas no ano passado foram os maiores da história do império desde quando começaram a ser registrados.

A burguesia trilionária causadora da crise foi presenteada com mais dinheiro estatal em forma de generosos pacotes de “salvação” e mais isenções de impostos enquanto a classe trabalhadora vem sendo sacrificada através de demissões em massa, quebra de contratos e estabilidade de trabalho, perda de direitos de previdência e sindicalização e mais uma série de medidas para desvalorizar a sua força de trabalho, aumentar a mais-valia e quebrar a sua resistência sindical organizada.

Obrigado a se pronunciar após duas semanas de completo silêncio, e pressionado pela opinião pública para agir de acordo com o que havia prometido durante sua campanha em 2007, quando garantiu “piquetear com os trabalhadores caso a estes fosse negado o direito de se organizar e negociar seus salários com o empregador através de sindicatos” (The Daily Caller, 28/02/11), Obama encenou uma crítica ao governo de Wisconsin ao afirmar que as medidas eram um ataque aos sindicatos. Porém, logo em seguida, fez uma outra declaração em sentido oposto, em apoio ao saque dos Estados, alegando saber que os governadores “...estão tendo que tomar decisões sobre as suas forças públicas de trabalho e sei o quanto difícil isso pode ser. Recentemente congelei os salários de empregados federais durante dois anos. Não era algo que queria fazer, mas o fiz por causa da difícil situação fiscal em que estamos. Acredito que todo mundo deve se preparar para sacrificar algo a fim de resolver nossos problemas económicos” (Chicago Tribune, 28/02/11). A grande falácia ecoada aos quatro cantos do país acerca da falência dos Estados membros dos EUA tem sido usada para confundir a classe trabalhadora do país sobre os reais motivos dos saques gigantescos e nunca vistos às conquistas e direitos dos trabalhadores públicos em todas as categorias.

Levado há dois anos à presidência da grandiosa máquina opressora mundial, o senador negro de Illinois leva a cabo a sua escalada ofensiva em uma verdadeira guerra contra a classe operária e seus direitos mais básicos, e contra os povos oprimidos do planeta, obrigados a pagar pela crise do capital.

Afoita para usar a crise econômica e financeira de 2007-2008, a burguesia dá inicio a um gigantesco plano de resgate de capital apostando em Obama para ser, por um lado, a pedra desviadora de atenção do tabuleiro na luta de classes, e por outro, o perfeito advogado do diabo que de uma maneira mais “refinada”, porém tão nociva quanto a de seus antecessores, prepara o terreno para um novo ataque imperialista.

Realizando, com uma roupagem “democrática”, uma ofensiva imperialista mais ampla que a de Bush, na Palestina, Afeganistão, Haiti, Honduras, Iraque, Irã, Coréia do Norte, Egito, Tunísia e Líbia, Obama visa a implementar em ritmos cada vez mais intensos o processo de recolonização engendrado pelos apetites vorazes do capital financeiro pós-crise econômica.

Mesmo antes de entrar para o gabinete presidencial, Obama começa a reaquecer a máquina dos superlucros burgueses ao assumir os compromissos de empresas como a Lehman Brothers, que ao declarar falência livrou-se de todos os seus débitos e compromissos trabalhistas, jogando os mesmos nas costas do Estado. Um exemplo ainda mais óbvio da sua necessidade de mostrar-se a altura do posto que assumiria, deu-se através do financiamento governamental de empresas como a GM no inicio de 2008, quando o dinheiro sangrado dos trabalhadores foi usado para tornar ainda mais robusta as contas bancárias dos seus acionistas através da injeção de liquidez bilionária patrocinada por Obama. A General Motors, que ameaçou falir se não cortasse empregos, salários e conquistas trabalhistas, festejou quase U$ 5 bilhões de lucros em 2010. Ao mesmo tempo em que garantia o livre acesso da burguesia ao dinheiro estatal, ainda em 2008, Obama assinava a lei “FISA Amendments Act of 2008”, dando ao Estado norte-americano total liberdade para vigiar, interceptar, buscar e aprisionar sem necessidade de esclarecimento prévio a qualquer indivíduo ou organização dentro e fora dos Estados Unidos que sobreponha os interesses e a segurança burguesa.

Com a popularidade estrategicamente baixa durante o período das eleições para o congresso norte americano, Obama garantia a manutenção de uma estratégia de revezamento muito conhecida dentro da política burguesa norte americana, em que tanto os democratas quanto os republicanos “comem” do dinheiro do Estado nas mesmas proporções. Assim, Obama perdia nas eleições passadas de novembro de 2010 o apoio do congresso então democrata, passando a cadeira para os republicanos. Porém, se analisarmos essa mudança de roupa do Congresso dentro da perspectiva da luta de classes, percebe-se que isto somente cria as circunstâncias ideais para que Obama possa não só continuar sua ofensiva contra a classe trabalhadora, mas sobretudo aperfeiçoá-la, usando a suposta pressão sofrida pelo congresso como pano de fundo.  Um nítido exemplo dessa medida “bipartidarista” foi a prorrogação da lei “Tax Cuts” criada no governo Reagan através da lei Tax Reform Act em 1986 e reativada no governo Bush. Cheio de munição e reenergizado um mês após as eleições, Obama toma a medida até então mais ousada do seu governo em favor da burguesia, estendendo por mais dois anos o corte de impostos que diretamente beneficia os milionários do país.  “A aprovação da lei (Tax Cuts) no Congresso foi a evidência mais dramática até então de que compromissos bipartidários estão inesperadamente ressuscitando semanas depois das eleições de novembro (The Independent, 18/12/10).” A classe trabalhadora não só dos Estados Unidos, mas de todas as suas semicolônias, é quem vêm pagando esse banquete que há séculos é oferecido às classes dominantes, que se tornaram mais poderosas desde a contrarrevolução nos Estados Operários da URSS e Leste Europeu.

DESNORTEADOS E COAGIDOS,
OS TRABALHADORES REAGEM PARA NÃO PAGAR A CONTA

Analisando a conjuntura norte americana, o curso dos acontecimentos revela uma escalada gigantesca rumo a fascistização do país.  Não por acaso, antes mesmo da saída de Bush, a grande vedete Sarah Palin entrava em cena, alimentando com seu sorriso, “porte atrativo” e linguagem típica do “Uncle Sam”, o americanismo em camadas da pequena burguesia e da classe trabalhadora. Pregando o credo dos interesses nacionais, a cativante – e muito bem paga – Palin, montava o cenário para o aparecimento do Tea Party. Como time preliminar dos republicanos, pago para pressionar o “commander and chief” norte-americano a acelerar sua ofensiva contra as massas, o Tea Party recebe milhões em doações “anônimas”.

Palin, “a abelha rainha, recebe de corporações como o canal de televisão Fox News nada menos que um milhão por ano” (The New York Magazine, Abril, 2010). Isso sem contar o seu programa de televisão “reality show” Alaska, o palco perfeito usado pela burguesia para a catequização do proletariado acerca dos interesses “nacionais”, como minimização do Estado, xenofobia contra dos imigrantes, discriminação racial, privatizações, etc.

A estratégia é jogar setores da classe trabalhadora uns contra os outros através de um trabalho diário de propaganda. Assim, os trabalhadores norte-americanos, desarmados de qualquer instrumento que os leve ao desenvolvimento da consciência e à compreensão de que esta luta deve ser travada entre classes, se autoflagela e não avança.

O desmantelamento das organizações trabalhistas dentro dos Estados Unidos se intensifica de maneira brutal nessa década, mas esse não é um processo novo. Muito bem articulada, a transferência de empresas durante o período de quebra da indústria norte americana, intensificada pelo neocolonialismo das décadas de 70 a 90, foi um dos motores dessa mudança. Esse processo, fruto da colaboração de classes entre os sindicatos da época e os patrões, desarmou as massas, atrasando em décadas sua organização e abrindo caminhos para significativas perdas de conquistas para a classe trabalhadora. “Já na década de 70, o crescimento do desemprego, da competição internacional e o movimento da indústria contra a sindicalização diminuíram a posição e o poder de barganha de muitos sindicatos americanos, deixando-os vulneráveis a uma ofensiva de controle renovado” (Economic History Association, 01/02/10). Esses desdobramentos meticulosamente preparados pelo imperialismo ianque para intensificar a pilhagem da mão de obra nos Estados Unidos garantiram à burguesia um maior poder de manipulação e opressão sobre as massas.

Um dos exemplos mais nítidos da capitulação e rendição completa dos sindicatos aos interesses do empresariado se vê hoje em Nova Iorque. Numa corrida ao ajuste fiscal pós-crise econômica da casa própria, o multibilionário Bloomberg, num inédito terceiro mandato, presenteia a sua corja de cúmplices “decidindo colocar todo o grosso da crise criada pelos seus queridos amigos bilionários do Wall Street completamente nas costas da classe trabalhadora e das camadas mais pobres da população” (World Socialist, 19/11/10).

Em meados de 2010, Bloomberg anunciava aos quatro cantos a possível falência da cidade de Nova Iorque e a necessidade de um ajuste de U$1,6 bilhões de dólares. O mais interessante é que já no final do ano, “o contador do estado de Nova Iorque Thomas DiNapoli anunciava uma projeção em que Wall Street estava no ranque de conseguir pelo menos U$19 bilhões em lucro, sendo este o quarto melhor ano já visto por eles, e que o famoso bônus anual dado aos executivos e traders iria possivelmente alcançar um novo recorde” (ABC News, 18/11/10).

Num claro ataque aos trabalhadores nova-iorquinos, em que promove o sucateamento e dos serviços públicos, o prefeito anuncia um corte drástico em setores da educação, cultura, limpeza, e transporte público, prejudicando creches, asilos, bibliotecas, instituições culturais, etc. A primeira punhalada aconteceu há poucos dias quando o multibilionário divulgou na mídia burguesa uma lista de demissões de mais de quatro mil professores até junho, caso o sindicato dos professores não aceitasse quebrar o contrato que garante segurança por tempo de trabalho aos professores que estão no sistema por mais de quatro anos. A Federação de Professores Unificados (UFT), numa covarde cooptação ao governo, se nega a seguir o exemplo dos professores de Wisconsin e chamar a categoria para uma paralisação. A orientação do sindicato é para que os professores entrem em contato com os deputados ou senadores novaiorquinos para pressioná-los a ir contra Bloomberg. Tamanha peleguisse pró campanha eleitoral de 2012, não só deixa a categoria isolada e amedrontada, mas sobretudo deixa claro o que o sindicalismo se conduz a um beco sem saída rumo a sua própria liquidação.

Um ataque de proporções monstruosas vem sendo lançado também contra a população imigrante dos Estados Unidos. A recessão da indústria norte-americana intensificada nas décadas de 70 e 80, deixou regiões inteiras da América do Norte completamente ociosas. Através da exploração de novos mercados no país, – como a construção civil e o entretenimento – apresentados à desiludida classe operária como mais uma possibilidade do sonho americano, a burguesia encontrou o “New Deal”. O sonho da casa própria, através de fantásticos financiamentos bancários patrocinados pela burguesia e seus comparsas políticos encantou o país. No pacote também se encontrava a transformação de cidades como Nova Iorque, Las Vegas, Los Angeles e Miami em verdadeiros parques de diversão para adultos. Comprando a idéia vendida pelos burgueses de que tudo era financiável, a classe trabalhadora vivia então a fantasia do poder de compra.

Os supostos “tempos áureos” atraíram milhões de imigrantes do mundo inteiro. Como mão de obra barata, os imigrantes, em sua grande maioria de origem latina, passavam a liderar o trabalho da prestação de serviços manuais, domésticos e de sub-entretenimento. De repente, a classe trabalhadora despossuída de bens se via na condição de não só realizar o sonho da casa própria, mas também manter um padrão de vida pequeno-burguês. Porém, quando realidade e fantasia começam a se separar e as massas, completamente endividadas, percebem que os “bons tempos” de fato nunca existiram, a burguesia mais uma vez usa de suas artimanhas e joga a população contra a sua parte mais pobre, os imigrantes, que passam de explorados a vilões.

MINUTEMAN – A NOVA KU KLUX KLAN

O ataque aos imigrantes é realizado da forma mais brutal pelo fascista Minuteman, milícia da extrema direita fundada por Jim Gilchrist – um dos cães de guerra dos Estados Unidos durante a guerra do Vietnã – que  sequestra, tortura e mata latinos que tentam cruzar a fronteira ou que já estão vivendo no país sem documentos. “Comparado a grupos de exterminio como o Ku Klux Klan usado contra os negros do sul do pais na decada de 60” (The Tribune, 18/07/05), o Minuteman e suas vertentes agem a mando do governo federal e dos governadores dos estados do Arizona, California, Utah, Minnesota e Maine, fazendo o trabalho sujo do terrorismo paraestatal necessário à burguesia nesse momento de aperto dos cintos e contenção de gastos impostos aos trabalhadores.

O Minuteman aterroriza a vida desses trabalhadores e de seus filhos, os quais diariamente temem voltar da escola e ser sequestrados, abusados sexualmente, torturados e mortos, ou até mesmo chegar em casa e não encontrar seus pais, que podem ter tido suas residências invadidas e sido deportados. Os que conseguem sobreviver à pressão, à xenofobia e ao drama de uma sobrevivência ameaçada, terminam os estudos e têm que se sujeitar aos sub-empregos que lhes estão disponíveis, uma vez que encontram-se excluídos da possibilidade de acesso à Universidade.

Todo esse perverso ataque encontra respaldo na legislação norte americana, que considera crime inclusive dar água ou ajudar diretamente a um imigrante indocumentado e faz parte de uma campanha de renacionalização da “América”, a qual, por sua vez, está embasada no ódio aos imigrantes e no desespero dos radicais brancos, que jogam sobre as costas dos imigrantes a culpa pela falência do “American Way Of Life”.

Diariamente centenas de corpos sao jogados no deserto. A propria Janice Brewer, governadora do Arizona, que neste mês de março está passando férias com sua amiga Palin no Alaska, para se safar dos crimes cometidos, declarou a imprensa que “as suas patrulhas haviam encontrado muitos corpos no deserto, uns queimados e outros apenas deitados com a cabeça decepada” (The Washington Post, 11/07/10).

Em maio de 2009, em Pima County, no Arizona, Shawna Forde juntamente com seus amigos do “Minuteman em Defesa da America, invadiu a casa de uma familia de imigrantes e matou a sangue frio a garota Brisenia Flores e seu pai“. Aparentemente Brisenia pediu compaixao pela sua vida antes de receber um tiro na cabeça” (Center for American Progress, 15/02/11).

Não por acaso, Shawna Forde é o braço direito de “Jim Gilchrist e Chris Simcox, capatazes que oficialmente receberam apoio político em 2005, de setenta e um deputados do país, assim como outros políticos incluindo o governador da California, Arnold Schwarzenegger, que planejam a reforma imigratória Caucus, a qual explicitamente apóia o projeto Minuteman” (World Socialist, 20/05/2005).

Assim como Brisenia e seu pai, muitos outros imigrantes tem sido assassinados sem nenhuma chance de defesa ou apelo, e todos se calam em reverência ao solo nacional. Todos os que se erguem na luta em defesa dos trabalhadores imigrantes com ou sem documentação, são demonizados e acusados de anti-nacionalistas, anti-mais empregos, anti-saúde gratuita para quem paga imposto, pró-terroristas!

No inicio desse ano, mais uma vez, o mundo assistiu de perto o massacre de Tucson no Arizona, onde seis pessoas foram assassinadas e outras dezenove foram baleadas por tentarem pela “via democrática” reinvindicar junto a deputada local, Gabrielle Giffords, algum socorro aos imigrantes. 

Se analisarmos os desdobramentos políticos sob uma ótica classista, concluiremos que a perseguição aos imigrantes foi intensificada após os protestos no Primeiro de Maio de 2006, quando estes saíram às ruas das principais cidades dos Estados Unidos numa demonstração de força jamais vista no país. Os mais de cinco milhões de imigrantes, em diferentes cidades dos EUA, protestavam contra a draconiana lei de imigração CIRA proposta pelo governo Bush, que transformaria 11 milhões de imigrantes indocumentados em criminosos. Conhecido como o “grande boicote americano”, o protesto não reuniu apenas imigrantes, mas outras fileiras da classe trabalhadora que gritavam contra o desemprego, contra a invasão do Iraque e contra o sucateamento da educação. Porém, numa reação imediata e esmagadora, o rolo compressor burguês deu início a uma bilionária campanha fascista, fazendo a luta de classes retroceder para uma esfera racial e cultural.

O que hoje observamos é um crescente processo de ataques às conquistas duramente obtidas pelo proletariado norte americano, que a cada dia que passa vê o resultado de antigas vitórias serem subtraídos pela burguesia do principal Estado imperialista do planeta.

Diante dessa política francamente reacionária, que é aplicada com a co-gestão das mega-mafiosas direções sindicais burocráticas (AFL-CIO), e que cada vez mais incorpora elementos de caráter fascista – xenofobia, racismo, machismo, homofobia – chamamos os trabalhadores dos EUA a se organizarem para combater essas políticas anti-operarias e antisindicais, construindo organismos de luta nos locais de trabalho que impulsionem e deem continuidade às mobilizações que se iniciam e tendem a se fortalecer na luta contra a reação burguesa.

Contrária às previsões do impressionismo pequeno-burguês de que o recrudescimento do fascismo ianque não se daria na própria gestão Obama, alimentando ilusões de garantias democráticas no atual governo imperialista, o que se vê na realidade é a execução brutal da ofensiva contra os trabalhadores de todo o mundo sob a batuta de Obama. O atual mandatário da Casa Branca nada mais faz do que reeditar a política de seu antecessor Theodore Roosevelt: “Fale macio, carregue um porrete e irá longe”.

Como aprendemos com Trotsky, “Na ausência de um poderoso partido revolucionário do proletariado, uma combinação de semi-reformas, de frases esquerdistas [que nos dias de hoje nem precisam ser tão esquerdistas, bastam ser frases ‘democráticas’ e dúbias, como as que Obama utilizou em defesa dos sindicatos] de gestos ainda mais à esquerda e repressões, podem ser muito mais úteis à burguesia do que o fascismo” (Está na Alemanha A Chave da Situação Internacional, 26/11/1931).

É preciso sair da defensiva para a ofensiva. A derrota dos planos escravocratas do capital imperialista e principalmente de sua ala mais reacionária, a do capital financeiro nazi-sionista –  onde são gestadas em sua maioria as concepções e políticas ultrarreacionárias como o racismo e a xenofobia – depende de que nossos irmãos trabalhadores da América do Norte se emancipem de sua burguesia imperialista pela construção de um verdadeiro Partido da Quarta Internacional.

Ana de Souza, professora da rede pública do
Estado de Nova Iorque e membro da LC

segunda-feira, 21 de março de 2011

BALANÇO DO "FORA OBAMA!" NO RIO EM 20/03

Protesto na Cinelândia rompe barreira política imposta pela burocracia dirigente da CUT, MST, PCdoB e CSP-Conlutas ao "Fora Obama!"
dO Bolchevique # 4
Combativo "Fora Obama!" em frente ao Teatro Municipal
fura o cerco político dos pelegos e do aparato repressivo do imperialismo, Dilma e Cabral
No dia 18 de março, a partir da concentração na Candelária, CUT e CTB boicotaram a passeata de protesto ao Consulado dos EUA no centro Rio de Janeiro contra a presença de Obama. O PSTU e a CSP-Conlutas apostaram neste ato para amortecer a disposição de luta do ativismo, inclusive de parte de sua militância, a fim de evitar um forte protesto no dia em que Obama estaria no país. A serviço do FBI, a PM de Cabral prendeu 13 militantes neste pequeno protesto do dia 18 para intimidar as possíveis manifestações que viessem a se organizar no dia 20 de março.

Dois dias depois, quando Obama já se encontrava no Rio de Janeiro, não foi, porém, a truculência dos aparatos repressivos dos lambe botas brasileiros Dilma e Cabral (tanques, o Batalhão de Operações especiais do Exército, Bope, PM e Guarda Municipal) ou a própria máquina assassina do imperialismo montado no Rio (FBI e CIA) o que impediu o avanço da manifestação. Quem freou o movimento a menos de três quarteirões do Teatro Municipal, onde se encontrava o comandante em chefe do imperialismo mundial, principal responsável por toda exploração e violência do mundo, foi a vergonhosa política conciliadora da CUT, Sindipetro, MST, PT, PCdoB, PSTU, PSOL e CST/Unidos que levou os manifestantes a um beco sem saída, literalmente encurralando-os para depois "serem forçados" a dispersá-los, e tomar o caminho de casa.

A Liga Comunista agrupou seus militantes de São Paulo e Rio de Janeiro a partir do dia 19/03, confeccionou faixas e bandeiras, constituiu a “Frente Única Contra a Presença de Obama no Brasil” com organizações de trabalhadores, estudantes e sem teto cariocas: Frente Internacionalista dos Sem Teto, Rede Estudantil Classista e Combativa e Coletivo Lênin, em torno de um manifesto com posições políticas comuns. No protesto, distribuímos o manifesto da frente e uma declaração própria, os quais reproduzimos logo abaixo.

Nádia Silva, trabalhadora de São Bernardo do Campo, ABC paulista, fala pela LC,
na concentração na estação do metrô Glória no Rio de Janeiro
Participamos da reunião preparatória para a atividade no Sindipetro no dia 16, da passeata do dia 18 e do ato da Glória do dia 20/03 com oradores da corrente. Nessa última atividade, através de sua militante trabalhadora de São Bernardo do Campo/SP, Nádia Silva, a LC denunciou o retardamento da saída da protesto da Glória em direção a Cinelândia, orquestrado pela direção governista do ato. Denunciou também a sanguinária intervenção militar do imperialismo na Líbia ordenada por Obama a partir do Rio na noite anterior. Nádia chamou uma frente única militar com Gadafi para derrotar os EUA e a OTAN sem apoiar politicamente o governante burguês com o qual as massas líbias logo devem acertar as contas. Em seguida, a companheira ressaltou que a força e a firmeza de nossa marcha naquele dia seria um passo determinante para a imediata libertação dos companheiros presos, caminhando até o teatro municipal, onde estava se realizando mais uma cena da peça teatral imperialista que visa preservar a máscara “democrática” e “popular” de Obama, enquanto o carniceiro bombardeia o povo líbio, a fim de melhor manipular a opinião pública e mais facilmente exercer as façanhas de sua opressão capitalista sobre o planeta.

Com atraso proposital, para cansar os manifestantes, finalmente a marcha saiu da Glória em direção à Cinelândia, sempre sendo freada por um combinado da direção do movimento, CSP-Conlutas, CUT, MST, PSTU, PCdoB e PSOL, com a assassina PM fluminense de Cabral até ser completamente contida a três quarteirões da Cinelândia sem a necessidade de nenhum aparato policial bloqueá-la. A direção do protesto covardemente conduziu a manifestação para um beco sem saída politico e logístico, uma vez que o quarteirão onde fomos orientados a parar era uma rua onde a tropa de choque facilmente nos reprimiria, encurralando a todos. Os mesmos dirigentes trataram de nos aterrorizar com argumentos de que “a cavalaria estava na praça” e que haveria um “banho de sangue” se o protesto continuasse,...

“PARA NOSSOS PRESOS LIBERTAR, É PRECISO AVANÇAR!”

Neste momento, apesar da tentativa de intimidação e do cerco reacionário que a direção do movimento impôs ao setor mais combativo da manifestação, nós polarizamos contra a política colaboracionista com palavras de ordem pela continuidade da marcha anti-Obama até onde fosse possível, inclusive para pressionar os governos Dilma e Sérgio Cabral a libertarem nossos presos políticos reféns da luta anti-imperialista, cantando palavras de ordem como “Para nossos presos libertar é preciso avançar”, “Vem vamos embora que esperar não é fazer, quem sabe faz a hora não espera acontecer”; “Por que parou? parou por que?”, “O povo unido é povo forte, não teme a luta, não teme a morte. Avante, companheiros! Essa luta é minha e sua. Unidos venceremos e a luta continua!”.

UOL Notícias registra faixa da Liga Comunista na Concentração da passeata na Glória,
Atrás da faixa da LC, o carro de som que foi apreendido pela PM de Sérgio Cabral
O PSTU orientou sua militância, em crise diante da polarização, a se dirigir para a sede do partido, onde seriam reenquadrados e mais uma vez entorpecidos de que “tudo que era possível fazer tinha sido feito” e que a “atividade foi plenamente vitoriosa”. Os governistas e os satélites deste bloco conciliacionista foram para casa ou contar vantagem na internet. Diante da sabotagem, a LC, FIST, RECC e CL se dirigiram ao Teatro, onde vieram a se agrupar também as Brigadas Populares, PCR, Morena-CB. As demais organizações se enquadraram completamente naquele momento às orientações conciliadoras que a CUT-PCdoB-Conlutas quiseram impor ao conjunto da manifestação. Após furarmos o bloqueio político da CSP-Conlutas e Cia e, em seguida, o bloqueio policial na Rua Evaristo da Veiga, fomos até a praça protestar, contidos finalmente pelo Batalhão de Operações especiais do Exército de Dilma, protetor do showmício vip de Obama.

APESAR DOS PELEGOS, “YES, WE CAN!” PROTESTAR CONTRA OBAMA!

A LC e a frente única cumpriram o que convocaram nos seus manifestos e declarações: “Devemos marchar até o Teatro Municipal para demonstrar, em alto e bom som, nosso rechaço à presença do carniceiro do imperialismo no Brasil, na Líbia, no Iraque, Afeganistão e Haiti.” (Declaração da Liga Comunista ao 20/03); “Vamos caminhar hoje até onde pudermos contra Obama e o Imperialismo!” (Manifesto da Frente Única Contra a Presença de Obama no Brasil).

Em frente ao Teatro Municipal, os manifestantes fizeram uma barricada política cantando palavras de ordem contra Obama, Dilma, Cabral, o Caveirão e a Globo por todo o tempo que decorreu a farsa montada pelo governo brasileiro em repúdio ao imperador “democrata” carniceiro e seus lambe-botas tupiniquins. A LC e outras organizações puxaram várias palavras de ordem como “Fora já, fora já daqui, Obama da Líbia e Dilma do Haiti!” e “Estão no mesmo saco, Obama e caveirão. Libertem nossos presos, abaixo a repressão!”. Os que levaram o “Fora Obama!” até onde suas forças permitiram, não encontraram nenhuma cavalaria e muito menos sofreram o falacioso “banho de sangue” utilizado pelos pelegos para amedrontar a luta anti-Obama.

A lição que tiramos desta batalha é que as direções conciliadoras são o maior freio para a luta anti-imperialista e anticapitalista, se esquivam do combate consequente contra a repressão policial, utilizam a prisão de seus companheiros como mero marketing político virtual e desarticulam a luta de massas, o método do movimento operário para obrigar nossos algozes a recuar. Parafraseando o próprio líder imperialista, “Sim, era possível” realizar um poderoso “Fora Obama!” e o corajoso protesto de todos os que queriam protestar na praça da Cinelândia demonstrou isto. 

sábado, 19 de março de 2011

DECLARAÇÃO AO "FORA OBAMA!" NO RIO EM 20/03

Fora Obama da Líbia, Brasil, Afeganistão, Iraque e Haiti!
Liberdade imediata para todos os presos políticos da manifestação do dia 18/03 encarcerados por Dilma e Cabral!
dO Bolchevique # 4
Míssil Tomahaw lançado de Destroyer USS Barry contra a Líbia na noite de 19/03/2011

EUA, França, Reino Unido, Canadá e Itália estão bombardeando a Líbia agora, realizando a maior intervenção militar internacional desde a invasão do Iraque. Após a derrota da oposição monarquista pró-imperialista para as forças do governo Gadafi, o imperialismo deu início a um feroz ataque sobre Trípoli pelo controle integral do petróleo líbio, em nome de prestar ajuda “humanitária” para fazer do país um novo Afeganistão ou Iraque.

Enquanto isso, no Brasil, o chefe dos carniceiros imperialistas vem posar de estadista democrático no palanque armado por Dilma, PT, CUT, CTB e demais centrais pelegas. CUT e Conlutas (PSTU, PSOL) marcam “atos de protestos” a quilômetros dos cordões policiais do FBI, PF e PM, o que poupará o trabalho do aparato repressivo. Ao mesmo tempo em que “organizam” esta impotente simulação de protesto, PSTU e PSOL emblocam-se politicamente com o próprio Obama, reivindicando o “Fora Gadafi!”.

Se estas direções vacilam em protestar contra Obama, o imperialismo, de Trípoli ao Rio, não hesita em reprimir barbaramente. Para intimidar qualquer tentativa de manifestação no dia 20/03, os lambe-botas locais do império, Dilma e Sérgio Cabral, prenderam, nos presídios de Bangu e Água Santa, 13 manifestantes de esquerda que participaram da passeata do dia 18/03 no Consulado dos EUA na capital carioca. 10 deles, militantes do PSTU.

Não podemos fingir que protestamos, se deixamos a repressão e a exploração avançar livremente. Na Líbia, defendemos frente única militar com Gadafi, porém sem apoiar politicamente nem confiar no regime de Trípoli, e reivindicando o armamento de todo o povo contra a ofensiva recolonizadora por agentes externos ou internos. No Rio, devemos marchar até o Teatro Municipal para demonstrar, em alto e bom som, nosso rechaço à presença do carniceiro do imperialismo no Brasil, na Líbia, no Iraque, Afeganistão e Haiti.


ABAIXO NOTA DA FRENTE ÚNICA PARA O
ATO ANTI-OBAMA NO RIO DE JANEIRO, 20/03


Vamos caminhar hoje até onde pudermos contra Obama e o Imperialismo!

Todos estamos aqui hoje porque dizemos nos opor à presença de Obama no Brasil. Entretanto, alguns parecem ter se esforçado para garantir que os protestos contra o chefe-mor do imperialismo seriam esvaziados. A CUT, Força Sindical, CTB e outras centrais que apóiam Dilma, não colocaram esforço para construir este ato. Achamos que isso tem um motivo político e não que é simples “desorganização”. Já que é Dilma, a chefe do Estado burguês brasileiro, a anfitriã de Obama, os lideres sindicais que apóiam este governo vão fazer de tudo para não “envergonhá-lo” diante do imperialismo. Acreditamos que por nos opormos aos acordos econômicos de Dilma com o imperialismo, não podemos participar dessa sabotagem de dentro do nosso próprio movimento.

De forma parecida, alguns setores da oposição de esquerda tem se limitado ao “calendário oficial” proposto pelos burocratas sindicais para frustrar a luta dos trabalhadores. Além de convocar inicialmente um ato ainda mais distante de onde estará Obama (no Largo do Machado, a 8 quilômetros da Cinelândia!) do que este marcado pelas grandes centrais, a CSP-Conlutas, dirigida pelo PSTU e pelo PSOL, não está tomando nenhuma iniciativa para se opor ao rumo que os burocratas querem dar – um ato “só para não dizer que não fizemos nada” e sem nenhuma ousadia.

Achamos que isso não é o suficiente para demonstrar nossa insatisfação contra o imperialismo, não apenas no Brasil, mas também no Haiti, no Iraque, Afeganistão e no que está sendo feito na Líbia. Se os burocratas que hoje lideram a CUT e outras centrais governistas não querem se chocar contra o governo, apesar dos claros ataques contra trabalhadores e oprimidos, os verdadeiros inimigos do imperialismo deveriam organizar uma medida que coloque outra pauta na mesa. É a isso que nos propomos, já que outros setores de oposição, como PSTU e PSOL não querem lançar uma ação independente dos capachos de Dilma que lideram as centrais.

Existe risco de que hoje essas lideranças nem queiram sair da Glória (concentração do ato marcado pelas grandes centrais, que fica também distante, a quase 2 quilômetros de onde estará Obama), e demais locais de concentração, ou talvez dêem apenas alguns passos, usando como justificativa a repressão policial para nem ameaçar caminhar pela cidade, afastando os manifestantes do chefe imperialista. Achamos que o ato de hoje deve chamar o máximo de atenção inclusive para defender os companheiros de algumas dessas organizações citadas, que foram presos no ato contra Obama na última sexta-feira, e estão até agora presos nas celas do Estado burguês.

Hoje chamamos todos a caminhar até onde pudermos! Nós, membros de uma frente composta por trabalhadores e estudantes classistas, organizações revolucionárias trotskistas, organizações de sem-teto, de favelas e de torcedores independentes, nos opomos aos governistas sindicais e seus satélites, que não querem fazer um ato combativo. Queremos que todos os ativistas honestos caminhem conosco num sinal de oposição firme ao imperialismo, ao capitalismo, ao terrorismo e genocídio de Estado e em repúdio a esta sabotagem. Vamos tentar, ainda que sejamos poucos, a ir até onde for possível.

Fora Obama do Afeganistão, Iraque, Haiti, Líbia e Brasil!
Pela liberdade imediata de todos os presos políticos que lutam contra os assassinos de Estado, inclusive aqueles 13 na justa manifestação da última sexta-feira contra Obama!

Frente Única Contra a Presença de Obama no Brasil