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sexta-feira, 1 de abril de 2011

BRASIL 1964 – LÍBIA 2011

Derrotar a recolonização imperialista!
Pelo armamento de todo o povo líbio para derrotar a ofensiva imperialista junto a Gadafi contra quem

depois os trabalhadores acertarão as contas!
Construir uma oposição operária e

revolucionária ao governo Dilma!
Liquidar toda a máquina de guerra repressiva contra a população trabalhadora, aprimorada desde a ditadura militar e em pleno funcionamento contra nossas lutas hoje!
dO Bolchevique # 4
Operação "Brother Sam", a frota imperialista cerca a costa brasileira preparada para entrar em ação
caso os golpistas nativos não tivessem força para destituir Jango.
Como os golpistas líbios não conseguiram derrotar Gadafi , o imenso aparato militar dos EUA/OTAN entrou em ação 
Em abril de 1964, um setor das forças armadas brasileiras realizou um golpe de Estado, que na época denominou de "Revolução", contra o governo João Goulart. O golpe, articulado pela CIA, foi apoiado amplamente pelos setores mais reacionários da sociedade brasileira, como os monarquistas (da família Orleans e Bragança), e fundamentalistas católicos da TFP. Foram realizadas manifestações de massa com milhares de pessoas nas "marchas com Deus pela família e pela liberdade". Alguns setores da juventude de direita conformaram o Comando de Caça aos Comunistas e pegaram em armas contra a militância estudantil que na época apoiou Jango e lutou contra a ditadura.

Através da "Operação Brother Sam" os EUA cercaram a costa brasileira com sua frota e se prepararam para invadir o país caso os golpistas nativos não tivessem força para destituir Jango. A operação consistia no envio de 100 toneladas de armas leves e munições, navios petroleiros com capacidade para 130 mil barris de combustível, uma esquadrilha de aviões de caça, um navio de transporte de helicópteros com a carga de 50 helicópteros com tripulação e armamento completo, um super porta-aviões da categoria Forrestal, seis destroieres, um encouraçado, além de um navio de transporte de tropas, e 25 aviões C-135 para transporte de material bélico. Uma "ajudinha" aos golpistas nacionais de grande porte bélico, mas relativamente pequena se comparada ao imenso aparato destruidor da OTAN que bombardeia por semanas a Líbia. Como isto ainda não se mostrou suficiente para derrotar Gadafi,Obama declarou que está enviando mais armamentos pesados para os "rebeldes" líbios, que já vinham recebendo armas antes do início da "guerra civil", além de disponibilizar um contingente maior de "instrutores militares" do Pentágono, que atuam lá como atuaram cá. Nestes, como em todos os golpes de Estado, os acontecimentos similares não são mera coincidência, fazem parte do esquema imperialista por recolonizar e disciplinar suas semi-colônias.

O golpe no Brasil, como na Bolívia em 1964 (Barrientos) e na Argentina 1966 (Onganía), foi uma medida de contenção das aspirações autonomistas de um setor das burguesias nativas semicoloniais, animadas com o período pós-guerra, em que desenvolveram uma limitada indústria nacional substitutiva das mercadorias que até a II Guerra eram importados da Europa. Também estava orientado a conter o contágio continental da Revolução Cubana ocorrida em 1959 e, de uma forma preventiva, combater o ascenso do movimento operário mundial que teve seu pico em 1968. Vale destacar que também na Indonésia, influenciada pelas revoluções chinesa, coreana e a vietnamita ainda em curso, o imperialismo desferiu um sangrento golpe militar em 1967.

O golpe dos "revolucionários de primeiro de abril" representou o recrudescimento da repressão política a serviço do aumento da mais-valia sobre o proletariado e da pilhagem imperialista sobre as riquezas nacionais, do mesmíssimo modo como o governo Obama e o imperialismo europeu querem fazer na Líbia por trás do suposto combate à tirania de Gadafi.

O "FORA JANGO!" DO EX-TROTSKISTA DE ONTEM E O "FORA GADAFI!" DOS PSEUDO-TROTSKISTAS DE HOJE

De fato, houve três golpes dentro do golpe. Em um primeiro momento a direita civil se juntou aos golpistas. Parte do empresariado e dos governadores dos estados mais ricos da região sudeste do Brasil, como os do leste da Líbia hoje, e a quase totalidade da mídia nacional e internacional, articularam "a revolução" contra a "tirania de Jango", juntamente com os militares que romperam com o presidente.
Editorial do Correio da Manhã de 01/04/1964
reivindicando o Fora Jango, no qual o ex-trotskista Edmundo Moniz colaborou.
Hoje os pseudo-trotskistas pedem o "Fora Gadafi!" 
Alguns órgãos de mídia, como a Folha de São Paulo, disponibilizaram não só suas redações como também seus automóveis e caminhões a serviço da tortura. O editorial do jornal Correio da Manhã de primeiro de abril de 1964, escrito pelo ex-trotskista Edmundo Moniz, em parceria com Carlos Heitor Cony (hoje editorialista da Folha de São Paulo) e Otto Maria Carpeaux, exigiam o "Fora!" pedindo a deposição de Jango, contra a "guerra fratricida" pela qual o presidente seria o principal responsável, e em defesa das "liberdades democráticas". Hoje, são os pseudo-trotskistas (CST/UIT, PSTU/LIT, LER/FT, etc) que defendem o "Fora Gadafi!" contra a guerra  fratricida cujo principal responsável seria Gadafi e não os golpistas agentes da CIA, e em "defesa das liberdades democráticas" a serem alcançadas por meio da "queda revolucionária" de Gadafi. Guardadas as diferenças de cada situação, tanto a posição de ontem do ex-trotskista Moniz como a de hoje dos pseudo-trotskistas, favorecem abertamente a campanha midiática golpista do imperialismo na Líbia.

No dia três de abril de 1964, há exatos 47 anos, Lindon Gordon, embaixador dos EUA no Brasil, parabeniza Carlos Lacerda: "Vocês fizeram uma coisa formidável! Essa revolução sem sangue e tão rápida! E com isto pouparam uma situação que seria profundamete triste, desagradável e de consequências imprevisíveis no futuro de nossas relações, vocês evitaram que tivessemos que intervir no conflito". Mas, algum tempo depois do primeiro golpe, foi desferido um segundo, quando os militares "cortaram as asinhas" dos setores civis, candidatos a uma suposta eleição pós-Jango, eleição esta que Lacerda contava como ganha. Foi neste momento que vários apoiadores civis do golpe reconsideraram suas posições, incluindo os "golpistas" do Correio da Manhã.

O terceiro golpe foi quando a "linha dura" militar, mais ligada ao imperialismo e a Escola (de golpes) das Américas, decretou o AI-5 para restringir mais brutalmente os direitos civis e chegou a executar por meio de um "acidente aéreo" o general "vacilante" Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar.

O combate contra o recrudescimento do regime militar não se deu de forma consequente através dos movimentos guerrilheiros rurais (AP-MNR em Caparaó, PCdoB no Araguaia) ou urbanos (AP, MR-8, ALN, VPR, VAR-Palmares, POLOP, MOLIPO, PCBR, FALN, POCCombate) que por mais heroicos que tenham sido, e cujos mortos reivindicamos como nossos mártires, não ofereceram uma forte resistência ao regime, como o fizeram as jornadas de greves operárias em 1968 (cujo principal foco nacional foram Contagem/MG e de Osasco/SP) e 1978-1979 (ABC paulista), e de um modo limitado as mobilizações estudantis do mesmo período.

Os marxistas revolucionários, ainda que possam recorrer taticamente à guerra de guerrilhas na luta militar contra a burguesia, têm como estratégia a organização de massas do proletariado e do campesinato pela tomada do poder, e não a do foco guerrilheiro, que isola os melhores combatentes da luta anticapitalista das massas. Por isso, é uma  tática equivocada, derivada de uma política não proletária nem marxista que ceifou a vida de valorosos combatentes como Marighela e Lamarca só para citar os mais conhecidos em meio as centenas de militantes executados pela ditadura.

Na luta contra a ditadura militar como contra o golpismo de hoje na Líbia, é preciso organizar a população trabalhadora por seu lugar de trabalho, estudo  e moradia e reivindicar o armamento de todo o povo que pode lutar na mesma trincheira militar de Jango e Brizola, Sukarno, Saddam Hussein ou Gadafi, sem lhes emprestar nenhum apoio político, sem capitular ao nacionalismo burguês e os responsabilizando pela política burguesa colaboracionista que pavimentou o caminho do golpe pró-imperialista.

DE SARNEY A DILMA, A DITADURA "DEMOCRATIZADA"

A atual democracia burguesa é um avatar, uma "encarnação mítica" da ditadura do capital. Quando necessário, como se vê em qualquer greve ou manifestação de resistência dos explorados contra a ditadura capitalista, a democracia mostra os dentes, rompe com a legalidade constitucional, esmaga os direitos civis e democráticos, como na invasão policial das UPP's nos bairros proletários do Rio de Janeiro, na repressão as lutas contra o aumento das passagens nos transportes e, neste exato momento contra as greves operárias realizadas pelos trabalhadores das obras do PAC em vários locais do país.

Dilma, a "mãe do PAC" e ex-guerrilheira, é hoje quem assume a condição de gestora dos negócios da burguesia e desfere contra os trabalhadores e as trabalhadoras o ataque que ela combateu quando era militante da Organização Revolucionária Marxista - Política Operária, conhecida como Polop. É o atual governo do PT-PCdoB-PMDB e cia, composto por vários ex-guerrilheiros, o responsável por dar uma fachada popular e democrática à ditadura capitalista, por ocultar as atrocidades de ontem e de hoje, recusar-se a abrir os arquivos da ditadura militar, a punir os torturadores e militares genocidas, por aprimorar o aparato do Exército, a PF, a inteligência contrarrevolucionária da ABIN, as PMs e os BOPE's, por praticar a tortura dissimulada contra qualquer pobre preso, por manter trancafiado a serviço do imperialismo e do grande capital a Cesare Battisti, o dirigente do grupo chileno Frente Patriótica Manuel Rodríguez, Maurício Norambuena, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, da Liga dos Camponeses Pobres, dos vários movimentos de sem teto, índios, quilombolas, camelôs, dentre tantos presos políticos tornados reféns do Estado burguês por lutar de alguma forma contra o capitalismo.

Nós revolucionários não lutamos contra o golpe militar pró-imperialista por saudosismo, como se não continuassem hoje no poder os mesmos interesses burgueses que se impuseram ontem e todos os dias contra a nossa classe ou não estivesse em curso o mesmo esquema recolonialista hoje na Líbia, e que poderão se voltar até contra o próprio governo do PT no futuro.

Também não somos indiferentes entre as duas máscaras (democracia ou ditadura) da ditadura do capital, mas acreditamos que a conquista das liberdades democráticas e civis, a apuração profunda e o julgamento de todos os crimes, a punição dos executores e mandantes civis e militares, políticos e empresários capitalistas, que nenhum governo burguês e menos ainda os brasileiros foram capazes de realizar nem realizarão jamais, assim como a destruição de toda a máquina de guerra contra a população trabalhadora a serviço do imperialismo, do Brasil à Líbia, são tarefas dos trabalhadores e estudantes organizados com seus tribunais populares.

Estas tarefas democráticas só podem ser realizadas pelo método da revolução permanente, combinando as reivindicações democráticas com as socialistas, rumo à tomada do poder pelos trabalhadores e através da construção do partido mundial da revolução socialista, a IV Internacional.
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL

Liberdade imediata e incondicional para Cesare Battisti e para todos os presos políticos do Estado burguês!

“Os comunistas não ocultam suas opiniões e objetivos. Declaram abertamente que seus fins só serão alcançados com a derrubada violenta da ordem social existente. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista. Os proletários não têm nada a perder nela a não ser seus grilhões. Tem um mundo a conquistar.”

Manifesto do Partido Comunista escrito por Marx e Engels
à Liga dos Comunistas, 1848

Cesare Battisti é hoje o principal preso político do Estado brasileiro. Não é o único. Nas masmorras das Policias Federais e das PMs estaduais continuam sendo presos e torturados durante os governos do PT militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, da Liga dos Camponeses Pobres, dos vários movimentos sem tetos, índios, quilombolas, camelôs e o dirigente do grupo chileno Frente Patriótico Manuel Rodríguez, Maurício Norambuena, dentre tantos ativistas presos tornados reféns do Estado burguês por lutar de alguma forma contra o capitalismo.

Neste momento, todo o imperialismo europeu faz um esforço concentrado para arrastá-lo do Brasil à Itália do mafioso de extrema-direita Berlusconi, odiado pela grande maioria do povo italiano, para que lá Battisti seja condenado a DUAS prisões perpétuas com privação da luz solar.Desde 2007, quando o ex-guerrilheiro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) foi preso pela polícia brasileira e pela Interpol, os distintos governos do PT, de Lula a Dilma, vêm fazendo um malabarismo para atender às pressões do imperialismo e ao mesmo tempo não parecerem cúmplices do crime da condenação injusta de Battisti pelas cortes fascistas imperialistas a partir da extradição, como fez o ditador Getúlio Vargas ao entregar Olga Benário ao nazismo. Por isso o governo brasileiro opõe-se a libertar Battisti e joga a “batata quente” da decisão final para a quadrilha arqui-reacionária encastelada no STF que executará o “trabalho sujo” de extraditar Battisti. Como explica Carlos Alberto Lungarzo, membro da Anistia Internacional, “este julgamento está colocando o Brasil no risco de cometer, deliberadamente, um crime de Lesa Humanidade, que seria o primeiro desde o caso de Olga Benário, há 73 anos.” (Os cenários invisíveis do Caso Battisti).

A burguesia é clara e diz porque Battisti deve ser condenado. Porque deve pagar exemplarmente com sua vida pela luta que travou. Obviamente isto nada tem a ver com os assassinatos a ele imputados sob a base de confissões arrancadas sob tortura, provas falsas, procurações falsas, advogados de defesa falsos, declarações falsas, todo um monstruoso processo falso. E para quê? Com a palavra a própria justiça da “Cosa Nostra”: A sentença proferida em seu julgamento, e também pelo Primeiro Tribunal do Júri de Apelação de Milão em 1988, qualificam todos os tipos penais em que teria incorrido Battisti como integrantes de "um só projeto criminoso, instigado publicamente para a prática dos crimes de associação subversiva constituída em quadrilha armada, de insurreição armada contra os poderes do Estado, de guerra civil e de qualquer maneira, por terem [Battisti e seus camaradas do PAC]  feito propaganda no território nacional para a subversão violenta do sistema econômico e social do próprio País”. Primeiro Tribunal do Júri de Apelação de Milão. Sentença 17/90 – nº 86/89 e 50/85 do Registro Geral, de 13/12/1988. Item 49 (antes 50).

Em resumo: para o imperialismo Battisti precisa ser condenado por ter lutado pela revolução em seu país há mais de 30 anos!

Apesar da política do PAC não conduzir à revolução social e ao comunismo porque a estratégia do foco guerrilheiro urbano adotada pelo PAC aparta-se da estratégia revolucionária dos comunistas de organizar a luta de massas do proletariado pela conquista do poder político, defendemos Battisti contra aqueles que o mantêm encarcerado no Brasil ou dos que querem prendê-lo na Itália. Independentemente de desconcordarmos das ideias de Battisti hoje, nós da Liga Comunista, que lutamos pela revolução social no Brasil e no mundo através da “subversão violenta do sistema econômico e social” injusto, verdadeiramente assassino, que condena à escravidão assalariada milhões de pessoas e à morte pela fome de centenas de milhares de crianças, reivindicamos a liberdade imediata e incondicional para Cesare Battisti e para todos os presos políticos do Estado capitalista!