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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

ESPECIAL 96 ANOS DA REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE 2/4

A revolução proletária renascerá
em proporções ainda mais gigantescas!

“A burguesia produz, acima de tudo, seus próprios coveiros. Seu declínio e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis” (MARX e ENGELS, Manifesto do Partido Comunista, 1848)

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS, ou em russo, Союз Советских Социалистических Республик, CCCP) sobreviveu por 74 anos durante o século XX, muito além dos 72 dias do primeiro governo operário instaurado na capital francesa no século anterior. Com a derrota de Napoleão para os exércitos da reacionária Santa Aliança em Waterloo em 1814, também se concluiu em derrota um ciclo de expansão para a Europa das vitórias da revolução burguesa francesa sobre o absolutismo feudal, derrotado em 1879.

Todavia, entre 1814 e 1871 teve início a organização política do proletariado em partido político próprio diante da incapacidade dos partidos liberais burgueses e pequeno burgueses de realizarem a luta democrática e menos ainda de servirem como instrumento para que o proletariado conquistasse melhores condições de vida e de trabalho. O cartismo foi o primeiro ensaio da constituição de um partido operário. Com um programa burguês, depois constituindo-se em um partido operário burguês, o Partido Trabalhista.

1848: A PRIMEIRA GRANDE BATALHA
ENTRE AS CLASSES DO CAPITALISMO;

No continente, ainda que derrotada, a revolução de 1848 foi, segundo Marx,

“a primeira grande batalha entre ambas as classes em que se divide a sociedade moderna. Uma luta pela manutenção outra pela destruição da ordem burguesa”.


1871: A PRIMEIRA VITÓRIA PROLETÁRIA

A Comuna de 1871 foi nada mais nada menos que a concretização da máxima de que quando a historia termina é para depois ela voltar a começar com mais força. Falando-nos sobre as características da revolução proletária, Marx disse certa vez que nossas revoluções

“encontram-se em constante autocrítica, (…) retornam ao que aparentemente conseguiram realizar, para recomeçar tudo de novo, (…) parecem jogar seu adversário por terra somente para que ele sugue dela novas forças e se reerga diante delas em proporções ainda mais gigantescas” (O 18 de brumário de Luís Bonaparte, p.30).

1917: O PRIMEIRO ESTADO OPERÁRIO

A revolução bolchevique novamente “dobrou a aposta” desta lei do materialismo histórico. Em toda a história, a derrota de um ciclo revolucionário apenas prepara um salto enorme para um novo ciclo revolucionário maior. Como acabamos de ver, foi assim com a revolução francesa sucedeu de forma superior as guerras dos camponeses pobres e que por sua vez foi sucedida pelo primeiro governo operário da história, a Comuna de Paris. A vaga de refluxo entre o fim de um ciclo marcado por uma derrota histórica e o novo afluxo revolucionário desencadeadoa por um triunfo pode durar anos, às vezes décadas, mas a dinâmica imposta à luta de classes pelo próprio capitalismo já não permite séculos de refluxo como ocorreu durante o escravismo e o feudalismo.

Entre a derrota da Comuna e a vitória da revolução bolchevique se passaram quase meio século e o tempo que nos separa da contrarrevolução na URSS são ainda duas décadas. A luta de classes não obedece a numerologia, mas a uma dinâmica própria de condições objetivas e subjetivas, sendo que as últimas, precisamente a construção de um partido de tipo bolchevique em âmbito internacional, estão em imensa defasagem em relação a maturação das condições objetivas.

APÓS A II GUERRA MUNDIAL, CINTURÕES DE
ESTADOS OPERÁRIOS OCUPARAM 1/3 DO PLANETA

Nos últimos anos, mesmo sob uma imensa ofensiva ideológica anticomunista, temos visto o centro gravitacional da luta de classes migrar de um país a outro em lutas defensivas que dissipam todo seu potencial tanto pela ausência da entrada em cena da classe operária organizada quanto de uma direção consequente que organize o combate proletário até a conquista do poder pelos trabalhadores.

A Comuna de Paris inaugurou a era das revoluções proletárias. Por sua vez, diante das efêmeras semanas da Comuna, a URSS durou uma eternidade. A revolução de 1917 abriu um ciclo não mais de governos operários, mas já de Estados operários em quase todos os continentes do globo terrestre, do sudeste asiático ao caribe americano, da Sibéria aos Balcãs. Este ciclo se fechou com a restauração capitalista na maioria dos Estados operários nas duas últimas décadas do século passado.

Ainda assim sobrevivem poucos e pequenos Estados operários deformados como Cuba e Coréia do Norte, submetidos a um brutal estrangulamento econômico combinado com a pressão da reação democrática orquestradas pelo imperialismo.

Portanto, dos campos às cidades, de cidades a Estados, de Estados à vastidões inteiras intercontinentais, a história de todas as sociedades até agora nos ensina que o colosso revolucionário se ergue em proporções cada vez mais gigantescas depois da última derrota.

SEM A INTERVENÇÃO DO PROLETARIADO ORGANIZADO NOS LEVANTES POPULARES,
NEM A ORGANIZAÇÃO DA 'CLASSE PARA SI', EM PARTIDO REVOLUCIONÁRIO,
A LUTA DE CLASSES PATINA SEM AVANÇAR

Pelas crises econômicas, pelo acirramento das contradições inter-imperialistas, pela miséria crescente das massas e outros elementos que conspiram dentro das próprias megalópoles imperiais não duvidamos que um próximo triunfo da revolução proletária possa pela primeira vez se realizar no coração de uma nação imperialista. Todavia, todo esforço, toda energia empregada pelas massas nos levantes populares tem se volatilizado porque tais levantes não contam com ingredientes fundamentais para o salto de qualidade revolucionário, a intervenção do proletariado organizado nos levantes populares e a organização da classe para sim em partido revolucionário.

Militamos pela construção de um partido mundial da revolução socialista que conduza ao triunfo a revolução dos escravos modernos impulsionada pela primeira vez e em grande escala (100 mil escravos gladiadores) pela rebelião espartaquista contra o império romano em 73 a. C..

O DIREITO AO "OTIMISMO REVOLUCIONÁRIO"

A burguesia necessitou de vários ciclos revolucionários para consolidar-se (1789-1832-1848) e até contou com o subproduto da primeira revolução proletária em 1871. As revoluções burguesas também conheceram derrotas como em 1814 com Waterloo. Ora, se a burguesia necessitou de vários ciclos revolucionários para consolidar sua dominação social, não seria estupidez pensar que em apenas dois ciclos históricos o proletariado, uma classe histórica convocada a realizar mudanças históricas ainda mais profundas, já haveria dado sua última palavra? Sob este raciocínio deduzimos que o ciclo da revolução bolchevique, não forma parte do epílogo das lutas históricas do proletariado, mas de seu prólogo.

Contra o triunfalismo oportunista e o pessimismo ceticista as seções do Comitê de Ligação pela IV Internacional reivindicam o direito ao que Trotsky denominava de "otimismo revolucionário" (Em defesa do Marxismo, 1940). A compreensão materialista da história, a dialética da luta de classes nos inspiram moralmente na preparação atual, durante o refluxo e nas lutas cotidianas para a próxima onda ofensiva do proletariado:

“Na prática já percorremos dois ciclos análogos: 1897-1905, anos de afluxo; 1907-1913, anos de refluxo; 1917-1923, anos marcados por uma ascensão sem precedentes na história; depois um novo período de reação, que ainda não acabou. Graças a esses eventos, os ‘trotskistas’ aprenderam a compreender o ritmo da história – em outros termos, a dialética da luta de classes. Aprenderam, parece que com sucesso, a subordinar a esse ritmo objetivo seus desígnios subjetivos e seus programas. Aprenderam a não desesperar, porque as leis da história não dependem de nossas inclinações individuais ou de nossos critérios morais. Aprenderam a subordinar suas inclinações individuais a estas leis. Aprenderam a não temer nem mesmo os inimigos mais poderosos, se a potência destes inimigos estiver em contradição com as exigências do desenvolvimento histórico. Sabem nadar contra a correnteza com a profunda convicção de que um novo fluxo histórico de renovada potência os levara a outra margem. Nem todos chegarão: alguns se afagarão ao longo do caminho. Mas participar desse movimento com os olhos bem abertos, com a máxima tensão da vontade, esta já é por si só a suprema satisfação moral que pode ser dada a um ser pensante!” (A moral deles e a nossa, Coyocan, 16/02/1938).